Escolha do Leitor

SEM BALANÇA!

Macete para mensurar novilhas sem uso do indicador de peso

Ricardo Dias Signoretti*

Apesar das pequenas propriedades serem responsáveis por grande parte da produção no Brasil, o manejo das futuras matrizes ainda é deficiente.

A fase da desmama até o parto de novilhas não contribui com a renda da atividade leiteira, é uma fase de investimentos no futuro do empreendimento, buscando- -se sempre melhor eficiência e maior rentabilidade nos sistemas de produção de leite.

Para que o produtor obtenha sucesso nessa fase da criação de bovinos leiteiros, é fundamental antecipar a idade ao primeiro parto e, para tanto, o monitoramento do peso dos animais deve ser realizado para atingir as metas desejadas.

O acompanhamento dos animais é muito importante, pois através dele verifica- se o estado de saúde do animal e se o seu desenvolvimento está satisfatório.

O desenvolvimento corporal das fêmeas do rebanho leiteiro está diretamente ligado à rentabilidade de produtores de leite, pois se deseja que as bezerras ganhem o máximo de peso possível em um menor tempo para que cheguem mais cedo à puberdade, diminuindo o tempo de recria dentro da propriedade.

O custo de criação dos animais de reposição em rebanhos leiteiros é a segunda maior fonte de despesas em um sistema de produção (15 a 25% do custo da atividade leiteira), ficando atrás somente dos gastos com as vacas em lactação, respondendo de forma imediata aos desembolsos, diferentemente do rebanho em recria.

O acompanhamento do ganho de peso das bezerras e das novilhas leiteiras, principalmente, nas pequenas propriedades brasileiras ainda é pouco eficiente, e uma maneira que facilita o manejo e que não acrescenta custo ao produtor é a implantação do uso da fita barimétrica.

No entanto, no mercado brasileiro, as fitas barimétricas que estimam o peso corporal com base no perímetro torácico foram confeccionadas segundo medidas e pesos de animais leiteiros de origem europeia (Bos taurus), mas poderão ser aprimoradas com dados obtidos nas condições locais.

O uso da fita barimétrica facilita muito o manejo, pois não precisa deslocar os animais até as balanças nos currais para saber seus pesos.

A determinação do peso corporal tem aplicações práticas fundamentais na criação de novilhas leiteiras, tais como:

- administração adequada de medicamentos e parasiticidas;]

- correto arraçoamento do animal;

- estabelecimento de metas relacionadas ao peso dos animais à cobertura ou inseminação artificial e ao parto.

Entretanto, a realidade econômica das fazendas leiteiras no Brasil muitas vezes não permite a aquisição de balanças para realizar a pesagem dos animais. Além disso, há outros fatores que limitam o uso do equipamento como, por exemplo, o estresse dos animais.

Além disso, o rebanho leiteiro nacional é constituído, em sua maioria por animais mestiços, sendo assim, podemos ajustar equações de predição para calibrar as fitas para estimar o peso corporal dos animais cruzados, medindo-se o perímetro torácico.

As fitas torácicas de pesagem disponibilizadas no comércio são largamente utilizadas, atualmente, em todas as raças animais e sob quaisquer condições ambientais, portanto, com resultados que podem ser discrepantes do peso real dos animais.

Porém, um problema ainda maior pode ocorrer ao se estimar o peso dos animais, pois, apesar do baixo custo da fita torácica de pesagem comparativamente ao custo da balança mecânica ou digital, ainda há proprietários que se utilizam da fita métrica tradicional (de costura, fita métrica comum), quando então o valor encontrado é multiplicado por um fator de correção, o qual, geralmente, é citado como equivalente a 2,8.

No entanto, ao se realizar cálculos referentes a nutrientes e, principalmente, para administração de medicamentos, as diferenças no peso corporal podem levar a quadros de subdosagem ou superdosagem e, neste caso, colocar em risco a vida do animal, principalmente em se tratando de medicamentos que apresentam baixo índice terapêutico e, portanto, alto índice de toxicidade.

Um estudo realizado no Polo Regional da Alta Mogiana/Apta, em Colina/ SP teve como objetivo desenvolver uma curva para estimar o peso corporal de bezerras e novilhas mestiças Holandês- -Gir (figura 1) através do perímetro torácico.

Figura 1 – Novilhas mestiças Holandês-Gir

Foram utilizados 447 dados de peso corporal e do perímetro torácico de 104 bezerras e novilhas mestiças Holandês- -Gir com idade e peso corporal variando de 5,9 a 33 meses e de 127,50 a 458,00 kg, respectivamente.

A cada 36 dias, os animais foram pesados em uma balança eletrônica, com capacidade de 1.500 kg, e as medições de perímetro torácico (perímetro imediatamente caudal à escápula passando pelo esterno e pelos processos espinhais das vértebras torácicas) foram feitas com fita barimétrica, em três tomadas por avaliador treinado (figura 2) e o valor médio foi utilizado.

Figura 2 – Mensurações do perímetro torácico

A equação de regressão ajustada entre peso corporal medido em balança eletrônica em função do peso estimado no perímetro torácico foi Y = 4,7287 X - 441,86. A curva de regressão mostrou um elevado coeficiente de determinação (R2 = 0,9525) e pode ser utilizado para estimar o peso corporal das bezerras e novilhas mestiças por meio do perímetro torácico.

Exemplo prático:
Em uma propriedade, o produtor mediu o perímetro torácico de uma novilha e obteve 154 cm. Qual o peso estimado dessa novilha?

Y (peso estimado) = 4,7287 X (perímetro torácico) – 441,86
Y = 4,7287 x 154 – 441,86 Y = 286,36 kg

Ou seja, essa novilha tem o peso corporal estimado em 286,36 kg.

A pesagem de bezerras e novilhas mestiças em balança eletrônica é o método mais preciso para a obtenção de peso corporal. No entanto, quando não existe disponibilidade de balança na propriedade, o método da fita para medir o perímetro torácico é muito semelhante ao da balança eletrônica para estimar o peso corporal de bezerras e novilhas leiteiras mestiças de várias idades.

Conclui-se que a fita torácica de pesagem é uma excelente ferramenta para obtenção do peso dos animais, em especial em pequenas propriedades rurais, devido à inviabilidade de aquisição de uma balança mecânica ou digital, as quais apresentam um alto custo.

*Ricardo Dias é engenheiroagrônomo, Doutor, PqC do Polo Regional Alta Mogiana da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - signoretti@apta.sp.gov.br


Esta reportagem foi escolhida pelo leitor da Revista AG, que votou por meio da Newsletter Agronews. Aproveite agora e escolha entre as três reportagens que estão em votação a que você prefere ver estampada nas páginas de nossa revista. Caso ainda não receba a newsletter, cadastre-se no site www.revistaag.com.br