Feno de Silagem

 

SORGO PARA SILAGEM

O ponto ideal é quando o teor de MS da planta estiver entre 30% e 35%

Pérsio Sandir D’Oiveira e Jackson Silva e Oliveira*

O sorgo é uma cultura de grande importância econômica, e seu uso na produção de silagem tem crescido por todo o Brasil. O valor nutritivo da silagem de sorgo corresponde, em média, a 85- 90% do valor da silagem de milho. A planta do sorgo é mais eficiente no uso da água que as outras gramíneas: para a produção de 1 kg de matéria seca (MS), ela necessita de 330 kg de água, enquanto a de milho e de trigo necessitam 370 e 550 kg, respectivamente. Além de demandar menos água, o sistema radicular do sorgo é mais profundo, o que lhe dá mais chance de conseguir a água necessária para seu desenvolvimento. E, ainda, devido à rebrota, o sorgo permite mais de um corte na mesma lavoura, resultando em menor custo de produção de massa.

Existem três tipos de sorgo: graníferos, forrageiros e de duplo propósito. Os graníferos, em virtude do baixo porte, apresentam baixa produção de MS por hectare e não costumam ser usados para silagem. Os sorgos forrageiros são plantas de porte alto (>2,5 m de altura), portanto, são utilizados espaçamentos maiores na semeadura (0,9 a 1,0 m entre fileiras) e menores quantidades de sementes nas linhas de plantio (10 a 12 sementes/m), para obter uma plantação final de 90.000 a 110.000 plantas/ha na época de colheita. Entre eles, destacam- se BRS 610, BRS 655, BRS Ponta Negra.

Os sorgos de duplo propósito (figuras 1 e 2) apresentam alturas menores (1,8 a 2,5 m), demandando espaçamentos menores na Leandro Mittmann REVISTA AG - 43 Jackson Silva orienta para que o produtor sempre verifique o teor de MS da silagem semeadura (0,7 a 0,8 m entre fileiras) e maiores quantidades de sementes nas linhas de plantio (14 a 16 sementes/m), para obter um número final de 140.000 a 170.000 plantas/ha na época de colheita. Destacam-se BR 700 e BRS 701. Os critérios para seleção de híbridos de sorgo para silagem têm sido, principalmente, altura da planta, produtividade (kg/ha de MS), produção de grãos, resistência às pragas e tolerância à seca.

A calagem do solo, quando necessária, deve ser feita, pelo menos, 60 dias antes da semeadura do sorgo. A cultura necessita de adubação adequada para produção de silagem, pois, ao contrário do sorgo cultivado para grãos, não deixa resíduos no solo, os quais poderiam retornar parte dos nutrientes. As adubações nitrogenadas e potássicas de cobertura são essenciais para a produção do sorgo, juntamente com a adubação fosfatada de plantio. As recomendações de calagem e adubação dependem de análise de solo e devem ser feitas com critério.

A época de semeadura varia com a região de cultivo: no Sul do Brasil, a semeadura vai de setembro até o final de dezembro; nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, a safra de verão segue o mesmo ca-

Jackson Silva orienta para que o produtor sempre verifique o teor de MS da silagem

A época de semeadura varia com a região de cultivo: no Sul do Brasil, a semeadura vai de setembro até o final de dezembro; nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, a safra de verão segue o mesmo calendário do Sul; a segunda safra ou safrinha pode ser semeada até a primeira quinzena de março; e no Nordeste, a semeadura vai de março até abril. Como a semente de sorgo é pequena, a profundidade de semeadura deve ser de 3 cm. Existe, no mercado, boa oferta de discos para sementes de sorgo, devendo-se seguir as recomendações do fabricante. É possível fazer a semeadura de sorgo para silagem no sistema convencional ou plantio direto.

Figura 1 - Lavoura de sorgo duplo propósito

Durante o desenvolvimento da lavoura, o sorgo está sujeito a pragas, doenças e plantas daninhas. Ainda, em algumas regiões do país, sofre com o ataque de pássaros, que causam grandes prejuízos à produção de grãos. Em geral, as sementes adquiridas no mercado recebem tratamento com fungicidas e inseticidas, protegendo as plantas durante a fase inicial.

Figura 2 - Lavora de sorgo duplo propósito

O ponto ideal para ensilar o sorgo é quando o teor de MS da planta estiver entre 30% e 35%, o que pode ser determinado por meio de secadores tipo koster ou micro- -ondas. A colheita do sorgo abaixo do ponto ideal de MS resulta em perdas, principalmente por efluentes (chorume), enquanto que acima do ponto ideal ocorrem perdas por dificuldades de compactação e de grãos, que ficam inteiros e são perdidos nas fezes.

No momento da colheita (figura 3), é necessário ter as colhedoras de forragem bem reguladas, com as facas e contrafacas bem amoladas. A altura de corte varia entre 15 e 30 cm, sendo mais elevada em solos arenosos, para evitar que a silagem seja contaminada com terra e, também, para que terra e pedregulhos não prejudiquem a ensiladeira. Após o corte, a massa deve ser transportada para o silo o mais depressa possível, seguida de compactação e vedação adequadas. Para isso, deve-se organizar a logística da propriedade, disponibilizando um ou mais tratores para transportar a forragem picada e outro exclusivo para compactação do material. O uso de colhedoras de forragem autopropelidas, embora sejam máquinas de custo mais elevado, melhora a eficiência operacional da ensilagem e a qualidade do produto final.

Após o descarregamento da forragem no silo e antes de sua compactação, é essencial o espalhamento da forragem em camadas de, no máximo, 20 cm. Esse detalhe melhora consideravelmente a eficiência da compactação, a redução nas perdas e a qualidade da sila- Foto: Cido Okubo Figura 3 - Colheita de sorgo para silagem Foto: Vanessa Magalhães Figura 4 - Compactação do material colhido no silo gem. O trator de compactação deve ser devidamente lastreado. A compactação da massa deve ser constante, durante todo o processo de ensilagem (figura 4).

O processo de ensilar não depende de aditivos, lembra Pérsio Sandi

A vedação do silo deve ser feita com lona de polietileno de 200M de espessura. As de dupla face reduzem as perdas e dispensam cobertura de proteção contra o sol. No caso de lona preta, é necessária uma cobertura com palha ou terra. Independentemente do tipo de lona, é necessária a colocação de pesos sobre ela, como sacos de areia (ou brita) e pneus. Deve-se proteger a lona do trânsito de pessoas, animais domésticos ou máquinas.

O processo de ensilar não depende de aditivos, uma vez que o sorgo possui grande quantidade de carboidratos solúveis. Entretanto, a compactação e a vedação adequadas são fundamentais para a produção de silagem de boa qualidade. A massa ensilada deve permanecer no silo por pelo menos quatro semanas, antes de ser utilizada na alimentação animal.

Após a abertura do silo, as retiradas diárias devem ser feitas em fatias, com espessura de 15 cm. Durante o verão ou nas silagens sem boa compactação, a fatia mínima deve ser de 20 cm ou mais. O corte e a retirada podem ser feitos manualmente ou com máquinas especializadas, cuja adoção pelos produtores pode ser interessante, em um cenário de escassez de mão de obra no campo e necessidade de automação de processos. Antes de cada retirada, é necessário verificar a possível presença de material deteriorado e que deve ser retirado e descartado.

A umidade de qualquer silagem, não apenas a de sorgo, varia dentro do silo. Por exemplo, pode ser 32% no início da retirada, 35% no meio do silo e 30% no fim. Por isso, é interessante que o produtor sempre verifique o teor de MS da silagem. Uma boa estratégia é fazer isso semanalmente utilizando secadores tipo koster ou micro-ondas. Com informações corretas do teor de MS, o produtor poderá corrigir a quantidade de silagem que deverá ser usada nas dietas dos animais. Dessa forma, além economizar alimento, os animais serão alimentados da forma adequada.

Embrapa lança duas cartilhas sobre ensilagem de milho e sorgo

“Sete passos para uma boa ensilagem de milho” e “Sete passos para uma boa ensilagem de sorgo” são as duas mais novas cartilhas da coleção E-Rural. Ao todo, foram impressas dez mil cartilhas. Três mil de cada tema serão encaminhadas para o programa Brasil Sem Miséria. O material também é distribuído em eventos técnicos e por meio de cooperativas, associações e órgãos da extensão rural. No Portal Embrapa (www.embrapa. br/gado-de-leite/publicacoes), estão disponíveis os arquivos digitais de ambos os materiais.

As publicações foram elaboradas a partir de textos científicos, de interesse prático e imediato de produtores rurais para a melhoria das condições de trabalho, produção e produtividade agropecuária. Todo o conteúdo foi adaptado à cultura e ao nível de letramento do público-alvo, com linguagem simples e vocabulário próximo ao do cotidiano dos produtores rurais.

Com as novas cartilhas, a coleção E-Rural passa a contar com 11 temas diferentes, três foram, inclusive, traduzidos para língua estrangeira (duas para o francês e uma para o inglês). A coleção informa de maneira clara, objetiva, ricamente ilustrada como proceder em diversas etapas da produção leiteira, utilizando tecnologias validadas pela Embrapa e acessíveis aos pequenos produtores.

As cartilhas “Sete passos para uma boa ensilagem de milho” e “Sete passos para uma boa ensilagem de sorgo” são fruto de uma parceria entre a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora/MG) e a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas/MG), com financiamento do programa Brasil Sem Miséria. O conteúdo foi desenvolvido por pesquisadores das unidades da Embrapa, sob coordenação editorial da analista Vanessa Magalhães, da Embrapa Gado de Leite.

*Pérsio Sandir e Jackson Silva são pesquisadores da Embrapa Gado de Leite


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