Raça do Mês

 

GENÉTICA CONFIÁVEL

Touro Angus registrado é o melhor caminho para grandes resultados

Carolina Jardine*

A escolha do melhor reprodutor é sempre uma tarefa difícil e que exige muito mais do que apenas um “bom olho” por parte do pecuarista. Confiar no fenótipo e esquecer que por trás de um grande pai deve existir uma história é o primeiro passo para mirar em um objetivo e atingir outro. O sucesso, nesse caso, depende de um estudo detalhado de indicadores que só estão disponíveis quando se trabalha com o Touro Angus Registrado e quando ele está dentro de um programa de melhoramento genético.

Difundir as vantagens do uso desses reprodutores como me- GENÉTICA CONFIÁVEL Touro Angus registrado é o melhor caminho para grandes resultados lhoradores do rebanho nacional é o objetivo central da campanha que a Associação Brasileira de Angus apresentará durante a Expointer 2016, de 27 de agosto a 4 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. “Queremos mostrar que o touro Angus registrado representa a certeza na obtenção daquelas características que os criadores buscam quando escolhem a raça: precocidade, excelente rendimento de carcaça e uma carne de alta valorização no mercado”, pontua o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber.

Para difundir informações sobre as vantagens do uso do Angus Registrado, a Associação programa uma série de ações que terão início do segundo semestre de 2016. Entre elas está a distribuição de peças informativas pelos núcleos regionais de criadores e um ciclo de palestras itinerante que promete correr o interior do Brasil. Momentos em que também se espera orientar sobre recentes mudanças no sistema de identificação dos animais registrados da raça Angus junto à Associação Nacional de Criadores Herd- -Book Collares (ANC). Até o início deste ano, as marcas P (Puro de Pedigree) e CA (Puro controlado) eram realizadas na paleta esquerda dos animais.

Após reunião dos técnicos da Angus de 2015, definiu-se por padronizar a marcação na perna direita e pela adoção de símbolos maiores, como empregado no passado. “O registro não é apenas um papel para ficar guardado no escritório. Ele representa a história da raça e demonstra a preocupação do criador com relação ao desenvolvimento da genética ao longo dos anos. Escolher produtos registrados é a certeza de estar trilhando o caminho do lucro na pecuária”, completou Weber. Mais que isso, acrescenta o também selecionador, é sinônimo de ganhos econômicos, uma vez que terneiros provenientes de touros registrados chegam a valer até 20% mais no mercado.

Estima-se que um Touro Angus Registrado renda cerca de 30 terneiros por ano, o que, dentro de uma vida útil de cinco anos, significa mais de 150 produtos de primeira incorporados ao rebanho, um investimento que se paga. “As últimas três gerações de touros usados no rebanho são responsáveis por 87,5% dos genes presente nos terneiros. A escolha de um touro Angus registrado é o pontapé inicial da melhoria genética do rebanho e acesso às vantagens econômicas que virão”, complementa o diretor de Marketing da Angus, Ronaldo Zechlinski , lembrando da relevância de se exigir atestados andrológicos e negativos de tuberculose e brucelose atualizados.

Entusiasta da pecuária de corte, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Fernando Piva Lobato vai além. Segundo ele, só o registro não basta. É preciso ter informações sobre possíveis ganhos genéticos na progênie e, nessa tarefa, os programas de melhoramento são fundamentais no planejamento de cada negócio e devem ser amplamente utilizados pelos pecuaristas no intuito de qualificar o rebanho ou os produtos que se pretende obter. “À luz do conhecimento, os programas de melhoramento são vistos hoje como fundamentais para valorizar qualquer registro. É uma forma de se garantir que não serão usados touros pioradores, que expressam aptidões abaixo da média da raça”.

Queremos mostrar que o touro Angus registrado representa a certeza na obtenção daquelas características que os criadores buscam, afirma Weber

Uma demonstração de que os tempos mudaram veio em suas andanças julgando animais Brasil afora. Em uma grande exposição, o professor Lobato estava em dúvida sobre a qual touro conceder o grande campeonato. Já havia olhado e reolhado os candidatos. Para tirar a dúvida e definir a disputa, sacou mão das tabelas de indicadores de área de olho de lombo e espessura de gordura. Anunciado o grande campeão, o criador vitorioso procurou o então jurado para esclarecer uma dúvida:

“Doutor, então quer dizer que meu touro é melhor por dentro do que por fora?”, perguntou curioso o pecuarista. Convicto das inovações que a tecnologia trouxe ao campo, o professor responde convicto: “Estamos enxergando o animal por dentro. Isso é matemática. Precisamos dar ênfase a touros de programas de melhoramento genético animal, que nos ajudam a prever os ganhos em mais de uma dúzia de características”, frisou.

Mas, se os avanços do registro e dos programas de melhoramento são tão notórios, porque os criadores ainda insistem em seguir apenas trabalhando com seleção visual e até se contentando com “os tourinhos que sobraram” sem registro na fazenda do vizinho? A explicação passa por questões culturais, pela falta de informação dentro da porteira e, algumas vezes, pela ideia de uma falsa economia na hora da compra.

Na tentativa de difundir os avanços tecnológicos que permeiam esse processo, o assunto foi amplamente abordado frente a uma plateia de mais de 500 pessoas no 3º Congresso Brasileiro de Angus, realizado em Porto Alegre/RS no final de junho. Na ocasião, foram apresentados exemplos internacionais de quem vem ganhando dinheiro graças à dedicação extra ao escolher os melhores reprodutores para o trabalho no campo, seja no âmbito da produção de genética, seja para a obtenção dos melhores terneiros e carcaças.

Um exemplo de selecionador que ajudou a escrever a história da Angus no Brasil e segue inovando vem da Fronteira gaúcha. Pelas mãos de Angelo Bastos Tellechea, da Cabanha Umbu, de Uruguaiana/ RS, todos os anos chegam ao mercado cerca de 130 touros. Trabalhando com 1,1 mil vacas em cria registradas (PO e PC), Tellechea garante que não abre mão do registro e de escolher pessoalmente cada acasalamento. Sentado à frente do seu computador e munido por um software de gestão de dados desenvolvido pela equipe da própria Umbu, ele garante que tem tudo o que precisa para fazer as melhores escolhas: muita informação.

Com apoio do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) e com o complemento de outros dados como exames andrológicos, avaliações carniceiras com ultrassom e até testes laboratoriais de sêmen, ele alia a matemática das tabelas de desempenho a uma conferência precisa na mangueira cada vez que recebe os relatórios do Promebo. Um casamento que garante confiança por parte dos clientes e bons resultados econômicos para a fazenda. “Acredito que estamos no caminho correto. Temos um programa muito minucioso que cruza muitos dados”, diz o pecuarista entusiasmado com a liderança do reprodutor Umbu 1296 Headliner em desempenho de Índice de Carcaça.

Outro criador que faz um trabalho criterioso e vem colhendo resultados é Ulisses Amaral, da Cabanha Santa Joana, de Santa Vitória do Palmar/RS. Tetracampeão no prêmio Mérito Genético, a distinção máxima da raça quando o assunto é melhoramento, ele conta que o momento de escolher os reprodutores é sempre especial. “É impossível fazer uma seleção com ganho positivo em todas as variáveis. O que importa é, ao longo dos anos, ter uma evolução positiva”. E garante: abastecer com informações um programa de melhoramento genético requer muito comprometimento, uma vez que, sem a acurácia necessária, os dados podem levar o pecuarista a escolhas equivocadas. O trabalho sério colocou três reprodutores da Santa Joana na lista dos top ten do Sumário de Touros do Promebo deste ano.

Ações internacionais divulgam carne Angus em eventos importantes

Além da atenção destinada à escolha do acasalamento certo, a história de sucesso da Santa Joana também passa por uma seleção criteriosa das fêmeas. Um trabalho admirado por muitos e viabilizado pela alta taxa de fertilidade do criatório, superior a 80%. Com isso, explica o professor Lobato, é possível aliviar a pressão sobre a seleção das fêmeas e trabalhar apenas com aquelas realmente aptas à reprodução. “Precisamos identificar a genética que nos permite produzir as novilhas, que serão as vacas que produzirão as melhores novilhas no futuro”, completou. E, para isso, Ulisses Amaral conta seu segredo: a seleção de ventres deve ser iniciada a partir da gordura, sem, é claro, deixar de lado uma nutrição altamente eficiente no período pré-natal, um ensinamento embasado nos estudos do pesquisador da Washington State University (USA), Min Du, que relacionou a eficiência nutricional no período gestacional das vacas à maciez e ao marmoreio da carne dos terneiros.

Os animais registrados da raça Angus são marcados a fogo na perna direita

Fim dos tourinhos

Apesar de todas as vantagens que só vêm com a validação do registro junto à Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares e da escolha de reprodutores avaliados, ainda é comum ver pecuaristas chegarem na porteira pedindo por animais sem registro e negociando desconto médio de 10% a 20%. “É um sério engano acreditar que se está pagando menos pelo mesmo produto. Ao comprar animais não registrados, o pecuarista corre o risco de adquirir gato por lebre ou ficar com a pior genética disponível”, acrescentou o presidente da Associação Brasileira de Angus.

É preciso ter claro em mente que o touro certo trará melhorias visíveis no rebanho, produzirá carcaças uniformes e aptas a serem trabalhadas para os padrões do Programa Carne Angus Certificada, o que concede bônus de até 10% no gannho. Mais que isso, é caminho para assegurar todas as características que fizeram da Angus a primeira raça taurina em venda de sêmen no país: precocidade, fertilidade e carne sem igual. Para se ter uma ideia, dados divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) referentes ao ano de 2014 indicam comercialização de 3,8 milhões de doses de sêmen Angus no mercado brasileiro, sendo que boa parte desse total foi empregado para cruzamento industrial no Brasil Central. Em 2015, a Angus estima que esse montante tenha ultrapassado 4 milhões de doses.

O trabalho meticuloso na busca por genética Angus registrada não se limita mais aos campos do Sul do Brasil. É comum ver criatórios preocupados com o assunto Brasil afora. Segundo o técnico de fomento da Angus, Mateus Pivato, que acompanha o trabalho do corpo técnico da Associação, tem se visto excelentes exemplos nos mais distantes rincões do País. “O touro Angus registrado caminha bem em todo Brasil. Temos exemplos de sucesso no Brasil Central, no Norte e Sudeste”, frisou.

A presença da raça é constante em inúmeras fazendas do Brasil Central onde a Angus vem “preteando” o rebanho zebu. Como é o caso do criador Higino Hernandes Neto, que optou pela genética da 3E Agropecuária, de José Bonifácio/ SP, de Renato Ramires Jr, para cobrir suas vacas. Com a orientação do técnico da Angus Rednilson Gois, ele escolheu dez touros de dois anos com atenção especial para características de pelo curto, tamanho moderado (frame 5,5) e testículo alongado. A ideia, explica o especialista, foi oferecer aos criadores uma genética adaptada ao clima na Fazenda 3 Muchachas, em Camapuã, no Mato Grosso do Sul. “Fizemos inseminação e repasse com monta e atingimos índices de prenhez diferenciados. O importante nesse momento é escolher os touros registrados provados pelo Promebo e optar por indivíduos ideais para cada região”, acrescentou.

O resultado surpreendeu porque as novilhas meio-sangue Pardo Suíço utilizadas tinham entre 14 e 17 meses e atingiram índice de prenhez superiores a 87,4%. “Nossa grande surpresa foi que realizamos dois desafios, sendo o primeiro pela idade de entrada das novilhas em estação e o segundo e, mais impressionante, foi a utilização de Touros Angus Puros em clima Tropical. Os resultados obtidos nos mostraram uma excelente opção de aumentar os nascimentos de animais meio sangue Angus”, pontuou o gerente administrativo da Fazenda 3 Marias – que integra o grupo 3E –, Gabriel Junqueira. O primeiro teste foi realizado com um lote de 175 ventres ciclando em que foi feita IATF (50,8%), mais inseminação com observação de cio (70,7%) e monta natural com touros Angus Puros por 65 dias. No final, o resultado foi um índice de prenhez de 90,3%.

O segundo lote refere-se a 80 novilhas pré-púberes sujeitadas a monta natural com touros Angus Puros por 85 dias. A investida resultou em 81% dos ventres prenhes.

Técnicos da ABA auxiliam pecuaristas na cobertura das vacas na estação de monta

Trabalho expressivo também vem fazendo a FSL Itu, de Itu/SP. Focada em aumentar o rebanho de animais puros Angus na região, recorreu a parceiros para implantar receptoras Nelore com embriões puros. Os bezerros Angus PO estão muito bem adaptados ao manejo extensivo praticado na fazenda em Goianésia/GO. Rednilson Gois informa que a equipe da Angus está orientando o trabalho e selecionando os melhores exemplares para registro e acompanhamento pelo Promebo.

“Temos visto touros Angus trabalhando a campo com excelentes resultados quase iguais aos de zebuínos, com índice de cobertura de 85%”, salientou, justificando o porque de 80% das fazendas da sua região usarem sêmen Angus. “São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso estão buscando touros para repassar nas fazendas e querem animais registrados e com Promebo como forma de seleção”.

DEPs ao alcance da mão

Mas a escolha de um reprodutor de alto desempenho não se esgota na garantia do registro. Antes de optar pelas inúmeras ofertas existentes no mercado – sejam elas por meio de monta natural ou sêmen – é preciso traçar objetivos e olhar para dentro da porteira. Cada criador precisa conhecer seu próprio rebanho e saber para onde pretende conduzi-lo. Trabalhando com um universo de animais registrados, o pecuarista ainda tem a sua disposição inúmeras outras informações a serem avaliadas.

Uma das técnicas mais consolidadas é o uso de Diferenças Esperadas de Progênie, as comumente chamadas DEPs. Nos últimos anos, há cada vez mais variantes de DEPs no mercado. Há indicadores que se referem a índice de marmoreio, à precocidade, à área de olho de lombo, à resistência a carrapato e até já há quem fale na DEP Docilidade. Por isso, não faltam pecuaristas que se debruçam sobre planilhas todos os anos antes da temporada reprodutiva em busca de animais com Decas até 4, ou seja, os 40% superiores nos critério analisados.


Entenda mais um pouco

– Os touros registrados da raça Angus são marcados a fogo na perna direita, com a marca de seleção da Associação Brasileira Angus em duas categorias: Puros de Pedigree, com a marca “PP”, e Puros Controlados com a marca “CA”.

– O processo de registro, que avaliza a qualidade do touro registrado Angus inicia-se em um rigoroso controle zootécnico, com coleta de dados de pais e mães, coberturas e nascimentos que são repassados ao registro genealógico.

– Em um segundo momento, um inspetor técnico, devidamente credenciado pela Associação Brasileira Angus, faz uma visita à propriedade, onde ocorre uma avaliação do animal, levando em conta características raciais, pesos, medidas e desenvolvimento proporcional à idade, sendo eliminados os indivíduos que apresentem defeitos transmissíveis ou impedimentos de cumprir a função de reprodução.

– Touros Angus registrados poderão ser avaliados pelo Promebo e ordenados por Decas, que são faixas de seleção com percentuais dos produtos de uma mesma geração, como exemplo: Um Deca 1 está situado entre os 10% superiores em determinadas características. Os animais, que são enquadrados nos Decas 1, 2,3 e 4 para o índice final estão entre os 40% superiores e recebem dupla marca, respectivamente, “PP” para os Puros de Pedigree e “CACA” para os Puros Controlados.


Como o pecuarista Paulo Marques, da Casa Branca Agropastoril, que tem propriedades no estado de Minas Gerais e Mato Grosso, e oferta anualmente cerca de 120 reprodutores. Na cabanha, os touros registrados representam uma importante garantia de procedência à clientela. “Os criadores de Angus puro e de cruzamento industrial zebu- Angus precisam ter a certeza de estar levando para suas propriedades touros rigidamente avaliados, com exame andrológico positivo, indicadores de desempenho e de fontes confiáveis”, pontuou Marques, lembrando que a Casa Branca coloca todos os seus machos Angus à prova. Eles são pesados ao nascer e ao desmame e participam da Prova de Avaliação de Desempenho sob orientação e supervisão da equipe técnica da Universidade Federal de Lavras. “São esses animais que produzirão os melhores bezerros e contribuirão para diferenciar as fazendas e torná-las importantes fornecedores de bovinos pesados, precoces e com excelente acabamento de carcaça”, conclui Marques.

A preocupação com os aspectos econômicos da criação e com o retorno que a atividade oportuniza ultrapassa fronteiras. Uma novidade que está chegando ao Brasil é a adoção de indicadores de seleção com fins econômicos. A ideia, já em curso nos Estados Unidos, está em fase de pesquisa pelo Promebo. Segundo a coordenadora do programa, Fernanda Kuhl, a proposta busca achar alternativas que tornem a criação de gado mais rentável aos pecuaristas. “Queremos que os produtores criem animais mais produtivos em quantidade de carne e, consequentemente, mais rentáveis”, ressalta Fernanda.

A proposta é usar indicadores para melhorar as avaliações já realizadas pelo programa. Uma das ações em estudo é o incremento dos dados reprodutivos dos ventres, como índice materno e DEPs para tamanho adulto. Trabalho similar já é feito pela Associação Americana de Angus. Segundo Dan Moser, presidente da AngusGenetics (AGI), empresa ligada à entidade localizada em Missouri (EUA), a popularidade da Angus nos Estados Unidos está relacionada diretamente a esse pioneirismo tecnológico. “O uso dos DEPs de finalidade econômica permite ao pecuarista produzir mais rápido o gado que os clientes querem”, garante.

Ulisses Amaral conta que o momento de escolher os reprodutores é sempre especial

Em se tratando de Angus, há algumas DEPs que não podem ser menosprezadas. Além das tradicionais características carniceiras (ganho de peso, área de olho de lombo e espessura de gordura), o selecionador deve atentar para as características de pelame. Escolher reprodutores com capacidade para gerar descendentes de pelo curto e liso é um facilitador no manejo do rebanho, principalmente em se tratando de criatórios em clima tropical. Isso porque a adaptabilidade desses animais às temperaturas mais elevadas é melhor e porque facilita o controle de um dos maiores adversários do desenvolvimento da raça Angus no Brasil: o carrapato.


O que está em jogo

A raça Angus baseia seu trabalho de melhoramento genético nos índices apurados pelo Promebo - Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne da Associação Nacional de Criadores Herd Book Collares (ANC). Todos os anos, é divulgado um Sumário de Touros, no qual constam os reprodutores mais bem pontuados em diferentes critérios. Atualmente, há 175 rebanhos em avaliação. Os resultados genéticos da Angus indicam uma tendência de avanço dos ganhos de peso positiva, mas não extremada.

Veja a seguir os indicadores disponíveis no Promebo para quem quer escolher touros com base em dados concretos:

1. Peso ao nascer
2. Ganho de peso do nascimento à desmama
3.Conformação na desmama
4. Precocidade na desmama
5. Musculosidade na desmana
6.Tamanho na desmama
7.Pelame na desmama
8. Ganho de peso da desmama ao sobreano
9. Ganho de peso do nascimento ao sobreano
10. Conformação no sobreano
11. Precocidade no sobreano
12. Musculosidade no sobreano
13. Tamanho no sobreano
14. Pelame no sobreano
15. Perímetro escrotal
16. Área de olho de lombo
17. Espessura de gordura subcutânea medida nas costelas
18. Espessura de gordura subcutânea medida na picanha
19. Gordura intramuscular
20. Resistência ao carrapato

Fonte: Promebo


Contra o carrapato

A preocupação é tanta que foram desenvolvidas DEPs exatamente para selecionar animais resistentes a eles. Afinal, após anos de pesquisa e lida nos campos, descobriu-se que, sim, há fatores genéticos atrelados à predisposição ao carrapato. É uma certeza que explica alguns dilemas. Justifica porque, na hora de contar os carrapatos, alguns animais apresentam alta infestação e em seus coirmãos há até dificuldade em encontrá- -los.

Por isso, é essencial que o pecuarista esteja sempre preparado para o parasita. E esse trabalho deve se iniciar antes mesmo de ele aparecer nos campos. Tudo começa com a escolha dos reprodutores a serem utilizados, o que podem ser feito exatamente valendo-se da DEP Carrapato e Índice Adaptação. Além de disseminar a genética de animais naturalmente mais resistentes, a técnica permite reduzir os custos com químicos de controle veterinário e, consequentemente, possíveis resíduos desses produtos na carne dos animais.

Mas a preocupação com o carrapato não se esgota na seleção. A Associação Brasileira de Angus vem desenvolvendo, em parceria com a Elanco, um programa de combate ao carrapato em criatórios associados. As atividades tiveram início no segundo semestre de 2015 e visam mostrar às equipes que realizam o manejo do gado as falhas mais comuns no seu combate. O Dia de Campo, oferecido sem custo aos associados da Angus, inicia-se com uma explanação teórica sobre o ciclo do carrapato e é concluído nos banheiros e a campo para avaliação da higiene das estruturas e das próprias pastagens. Afinal, segundo especialistas, é no pasto que se encontram 90% dos parasitas de uma propriedade.

Aumentar a base de dados sobre a infestação de carrapato nas fazendas que criam Angus é uma das metas da presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Angus, Susana Macedo Salvador. O trabalho, que consiste na contagem de parasitas por animal, vem sendo alinhado com os criadores. “É um processo trabalhoso que exige conscientização sobre a importância da coleta desses dados com precisão. Eles nos permitem calcular as DEPs para resistência ao carrapato bem como servirão de base para a formação da população de referência necessária para a aplicação da seleção genômica”, pontua. Os trabalhos com seleção genômica ja vêm sendo realizados em um parceria entre a Angus, o Promebo, a Unesp de Jabuticabal e a Embrapa. O processo envolverá os animais

animais de alta acurácia no Promebo e os resultados das análises de seleção genômica permitirão aumentar a acurácia de predição do mérito genético dos animais para características de crescimento, carcaça, reprodução e adaptação. A seleção de forma mais efetiva para características de adaptação, especialmente resistência ao carrapato, propiciará o uso mais efetivo de sêmen de touros Angus nas principais regiões produtoras de carne do País.

Carne Angus desbrava fronteiras

O consumidor brasileiro descobriu o valor da carne de alta qualidade. Apesar da crise que vem corroendo o poder de consumo da população e reduzindo em 5% a comercialização de cortes bovinos no mercado interno, os negócios com a carne Angus andam de vento em popa. Nos primeiros seis meses de 2016, os abates de carcaças dentro do Programa Carne Angus Certificada aumentaram 38%, índice acima da média de expansão de 20% registrada nos últimos anos. O crescimento é explicado pela proliferação de genética Angus pelo Brasil, inclusão de novas praças e indústrias interessadas em trabalhar com o produto, aumentando a captação de animais. Atualmente, o Carne Angus integra 27 frigoríficos de 10 empresas em oito estados. Ao todo, beneficia mais de 5 mil pecuaristas e, em 2015, registrou o abate de 400 mil cabeças. Até 2020, a meta é atingir a marca de 1 milhão de cabeças/ano.


Porque usar Touro Angus registrado

– Touro registrado tem origem genética certa e provém de animais geneticamente superiores.

– O registro é a certeza que o reprodutor dará origem a um rebanho genuinamente Angus, produzindo descendentes que exprimam tudo aquilo que o investidor e o mercado desejam desse animal.

– Significa que o animal passou pelo crivo do corpo técnico da Associação Brasileira de Angus.

– Touro Registrado é sinônimo de novilhos até 20% mais valorizados, de animais carniceiros, e de um rebanho uniforme.

– Os animais têm história genética conhecida e não carregam inconsistências.

– Usar touro Angus registrado é o caminho para maior produtividade carniceira. Os pecuaristas que alcançam os maiores escores de bonificação no programa Carne Angus Certificada são os mesmos que não abrem mão de usar o Touro Angus registrado.

– Touro registrado garante que o animal é Angus e que seus ascendentes são conhecidos. Touro sem registro pode ter cruza na formação e não permite registro da prole.

– Um touro registrado tem condições de perpetuar sua genética no rebanho. Além de gerar filhos igualmente superiores, pode ter suas qualidades perpetuadas quando o criador retiver as fêmeas como ventres de reposição. Ou seja, o Touro Angus Registrado valoriza o plantel.

– Touro registrado já é bom. Touro dupla marca (PP ou CACA) é melhor ainda, pois significa que ele está na faixa dos 40% superiores da sua geração, comprovadamente superior geneticamente.

– Touro registrado é a garantia de que esse animal atingiu o peso e a circunferência escrotal condizentes com a idade porque ele só recebe o registro com a conferência desses dados. Peso indica capacidade de produção de carne, circunferência escrotal está relacionada à fertilidade e capacidade de cobertura.

Fonte Angus


Só neste ano, a Angus fechou três grandes parcerias comerciais. O ano mal havia começado e a Angus assinou convênio para inclusão do Grupo Minerva no programa. O movimento foi um marco na história do frigorífico, tradicional exportador de carne commodity, uma vez que indica foco em nichos de carne gourmet. “Identificamos uma tendência crescente do consumo de cortes especiais, de carnes de qualidade premium e, com a adesão a esse programa, intensificaremos os abates e projetamos dobrar o faturamento e a produção da nossa linha premium que, ano passado, duplicou em comparação com 2014”, informa o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz.

Carne Angus Certificada cresce dentro e fora do País

Mais recentemente, vieram mais dois acordos que prometem movimentar os negócios. A parceria firmada em junho com a rede Walmart marca o ingresso da rede supermercadista no segmento de carne Angus certificada com o lançamento da linha Casa da Carne Angus. A expectativa é comercializar 3 toneladas/mês, um produto que está nas gôndolas a um custo de 10% a 15% maior do que os cortes tradicionais. Na sequência, foi a vez do grupo Wendys, uma das maiores redes de hamburguerias do mundo, aderir ao Programa Carne Angus. Inicialmente, os produtos Wendy’s Angus estarão em duas lojas no País, mas, em breve, a meta é chegar a 25 cidades.


Cuidados ao marcar os animais

– Boa estrutura de tronco, com local aberto para a marca
– Boa contenção do animal a ser marcado
– Temperatura adequada para a marca
– Atentar para o tempo de contato com a pele do animal
– De preferência, o local da marca deve estar tosquiado ou não apresentar excesso de pelos
– Atenção redobrada com a cicatrização após a marcação

Fonte: Angus


Mercado externo

Mas as ações do Carne Angus não se limitam ao mercado interno. Nos últimos anos, a equipe da Associação Brasileira de Angus vem abrindo mercados mundo afora. Depois de um trabalho destacado em 2015 pela abertura da Europa, o que já resultou em embarques constantes de Carne Angus certificadas às mesas mais requintadas do velho continente, as ações voltaram-se ao oriente.

Os países árabes são vistos como um mercado altamente promissor uma vez que detêm nichos de alto poder aquisitivo e consumidores extremamente exigentes quanto à qualidade e segurança dos produtos que consomem. “A carne Angus brasileira atende os mais rígidos padrões internacionais, e os criadores brasileiros estão conscientes que exportar cortes de alto valor agregado é o caminho para ampliar a lucratividade dentro da porteira”, pontuou o diretor do Programa Carne Angus, Reynaldo Titoff Salvador.

Nessa agenda internacional, a Angus participou, ao lado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex- -Brasil) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), da Gulfood 2016, em Dubai, nos Emirados Árabes, ainda em fevereiro. Além de apresentar as qualidades da carne verde e amarela aos consumidores árabes, a comitiva organizou o chamado Celebrating Brazilian Beef Gourmet. Inusitado, o evento foi muito mais do que um show gastronômico. Foi um momento de intercâmbio cultural entre Brasil e Emirados Árabes, onde forma mesclados tanto pratos tradicionais da gastronomia brasileira com quitutes árabes quanto melodias e apresentações artísticas.

“Foi um evento singular, onde apresentamos nosso produto ao mercado árabe em grande estilo. O Brasil é um país laico, que respeita as diferentes culturas e tem o maior potencial de produção de proteína animal do mundo. A Carne Angus é o que o País tem de melhor para atender a consumidores altamente exigentes”, pontuou o gerente Nacional do Programa Carne Angus, Fábio Schuler Medeiros.

O executivo também marcou presença no Sial Xangai, em maio, na China, onde buscou novas oportunidades de negócios, tanto com entrepostos quanto com redes de importadores, supermercados, hotéis, restaurantes e distribuidores locais. Tudo, sem dúvida, guarnecido por cortes suculentos da carne Angus brasileira que encantou os orientais. “O que se observa em Xangai é a presença forte de redes ocidentais de alimentação, desde fast foods até culinária típica germânica, por exemplo, revelando esse desejo do consumidor chinês de conhecer a gastronomia ocidental, provar novos sabores e formas de alimentação”, pontuou.

*Carolina Jardine é assessora de Comunicação da Associação Brasileira do Angus (ABA)


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