Mercado

 

Fim da onda baixista

A comercialização internacional da carne bovina brasileira continua em alta ao longo de 2016. As exportações seguem firmes e estão ajudando no escoamento da produção nacional, que segue lenta no mercado interno.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil faturou no mês de maio mais de meio bilhão de dólares com as exportações. As 129,8 mil toneladas enviadas para fora do território nacional, que culminaram em um faturamento de US$ 503,5 milhões, proporcionaram um aumento tanto em volume quanto em faturamento, da ordem de 15% em ambos, frente ao mês de abril. Se comparado a maio de 2015, o aumento foi de 14% em volume e 8% em faturamento.

Entre os principais importadores da carne bovina brasileira, Hong Kong segue na liderança, seguido pela China, que apresentou um aumento em volume de 30% e em receita, de 32%, quando comparado a abril passado. Ocupam a terceira e a quarta colocação a União Europeia e o Egito, respectivamente.

No acumulado de janeiro a maio, quando comparado ao mesmo período do ano passado, o crescimento das exportações de carne bovina foi de 12% em volume, com 609,7 mil toneladas embarcadas, e de 1,4% em faturamento, com arrecadação de US$ 2,3 bilhões.

Os números positivos do mercado asiático mantêm uma expectativa promissora para as exportações. Vale ressaltar que em menos de um ano da reabertura do mercado chinês, aquele país já é o segundo maior importador da carne bovina brasileira.

Nas categorias de carnes exportadas, a carne in natura seguiu na liderança em maio, seguida da industrializada, dos miúdos, das tripas e das salgadas.

Como pode ser observado na tabela Boi Gordo no Mundo, a carne brasileira continua sendo vantajosa no mercado internacional, apesar do leve aumento de 1,5% frente aos 30 dias anteriores ao período apresentado. A atual cotação do dólar devido à situação política e econômica nacional reduz o preço da carne no mercado global.

O mês de junho foi marcado pela liberação da União Europeia para a exportação brasileira de carne in natura das cidades fronteiriças do Mato Grosso do Sul antes embargadas, apesar de já serem reconhecidas como livre de febre aftosa com vacinação desde 2011. As cidades contempladas são Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Caracol, Bela Vista, Antônio João, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Japorã e Mundo Novo. As exportações começam a partir de 1º de julho e reforçam o cenário positivo em que se encontram as exportações da carne bovina brasileira.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2016 foram abatidas 7,29 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária. Essa quantia é 5,2% menor que no último trimestre de 2015 e 5,8% menor frente ao primeiro trimestre de 2015. O volume de produção das carcaças, que totalizou 1,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2016, tende a seguir o comportamento dos abates; dessa forma, fechou com queda de 6,9% frente ao último trimestre de 2015 e 2,3% quando comparado ao primeiro trimestre de 2015. Assim, podemos inferir que isso é reflexo da falta de animais terminados que está sustentando os preços nos patamares atuais.

As pressões baixistas nos preços da arroba entre a segunda quinzena de abril e a primeira quinzena de maio não se sustentaram nos 30 dias subsequentes, como pode ser observado no gráfico sobre a evolução do preço da arroba. Embora os frigoríficos tenham tentado manter os preços praticados devido aos estreitamentos acentuados de suas margens, a falta de animais ofertados no período analisado não colaborou para tal fato.

A mudança de cenário em curto prazo no final do primeiro semestre, como relatado no artigo publicado em maio, com a queda de preço momentâneo e posterior subida no começo do segundo semestre está se concretizando. A entrega das poucas boiadas terminadas no começo do período seco está prejudicando a oferta atual, sustentando os preços em patamares mais elevados.

A reposição de bezerros seguiu o caminho oposto e fechou o período de 16/05 a 15/06 em queda nas principais praças pecuárias brasileiras. Os preços praticados podem ser observados no gráfico da média do preço da desmama.

O estado de São Paulo apresentou retração da ordem de 1,21%; Minas Gerais, de 2,7%; Goiás, de 0,99%; Mato Grosso do Sul, de 1,56%; Mato Grosso, de 0,71%; Pará, de 3,37%; Paraná, de 2,34%; e Rio Grande do Sul, da ordem 5,04%, quando comparados aos 30 dias anteriores ao período analisado pelo gráfico.

Uma das possíveis causas dessas quedas de preços é a falta de oferta e de qualidade das pastagens com a entrada do período seco que começa a assolar os criadores, forçando-os a vender os animais para aliviar a lotação de suas fazendas.

A relação de troca do boi gordo com a reposição também melhorou em decorrência dos preços firmes da arroba e das quedas de preços da reposição. Fato positivo para os invernistas, que há tempos vinham sofrendo com a piora na relação. O gráfico sobre a relação de troca média apresenta as relações obtidas de 16/05 a 15/06.

Embora tenha havido aumento das relações nas principais praças pecuárias brasileiras, como no Estado de Goiás, que obteve melhora no poder de compra da ordem de 3,31% na relação da desmama com o boi gordo e 4,84% na relação do boi magro com o boi gordo frente aos 30 dias anteriores do período analisado, quando comparado ao mesmo período de 2014, as relações médias nacionais foram menores, tanto da desmama com o boi gordo, quanto do boi magro com o boi gordo, em 11,86% e 9,99%. Portanto, apesar da melhora pontual, o invernista ainda está em um patamar desfavorável se comparado à série histórica recente.

Analisando o mercado de forma holística, não existem indícios que nos façam prever algo diferente do relatado neste artigo para o início de segundo semestre. A expectativa é que os preços da arroba continuem firmes devido à baixa oferta de boiadas terminadas, apesar da resistência dos frigoríficos, que veem sua margem diminuir com os preços de compras praticados, aliada ao baixo escoamento interno de produção de carne. Por fim, a reposição também tende a seguir o mesmo rumo da arroba do boi gordo, sem alterações significativas para os próximos meses.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar
Boviplan Consultoria


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