Sobrevoando

 

PALESTRAS

Toninho Carancho

carancho@revistaag.com.br

Coisa boa é uma palestra bem feita.

Coisa ruim é uma palestra chata.

Semana passada tive uma aula sobre palestras. Vi várias, durante quatro dias sem parar.

Iniciei na BeefExpo, continuei no evento da BM&F Bovespa e terminei na Intercorte.

Posso dizer que foi uma overdose.

Algumas poucas muito boas, feitas por quem entende do assunto. E quando digo entendem do assunto, refiro- -me ao assunto “ministrar palestras” e não ao assunto da palestra em si, que esse eu acho que todos dominam e bastante bem.

Porém, muitos apresentadores, apesar de dominarem o assunto, não conseguem despertar um interesse maior da audiência, tornando-as sonolentas e chatas. Aliás, para quem sofre de insônia, uma boa recomendação é participar desse tipo de palestra, você dorme rapidinho.

É claro, temos algumas exceções, caras realmente preparados e bons nas suas apresentações. E pode ser o assunto que for. Se o cara (ou a cara) for realmente bom (boa), você vai ficar interessado, atento e, o mais importante, vai fixar alguma coisa do que ele está falando.

Ir a palestras com assuntos pertinentes ao seu negócio é uma sugestão que faço, entretanto, tem de ser feita com moderação para não chatear e cansar e também porque muitas delas são bastante repetitivas. Tanto é verdade que algumas vezes temos palestras de pessoas que muitas vezes não são ligadas ao assunto em pauta e que vem nos mostrar um pouco de como venceram na vida ou desenvolveram outro negócio, e muitas vezes essa é a palestra mais concorrida e da qual tiramos algum ensinamento maior.

Nas palestras da BM&F Bovespa, aconteceu isso. Chamaram o Abílio Diniz para dar a palestra final, fazer o encerramento depois de um dia cheio de assuntos relativos ao mercado e perspectivas para o agribusiness de 2016 e também de 2017. Tenho certeza de que se fizessem uma enquete sobre a melhor palestra, seria a dele. Por quê? Porque foi descontraída do início ao fim. Ele entrou sem gravata, de calça jeans. Todos os outros estavam engravatados e de traje completo.

Ele iniciou dizendo que sabia muito menos do assunto Agro do que todos na plateia, o que deve ser verdade, e contou um pouco da sua vida, de como era quando criança, pobre, gordo, baixinho, que apanhava da vizinhança, que jogava no gol, etc. e tal. E de como mudou tudo isso por sua atitude. Cansou de ser pobre, gordo e de apanhar. E por sorte depois cresceu e não ficou mais baixinho. Depois abriu para perguntas e falou com todos com simplicidade. Ganhou a torcida. É claro que ele é uma personalidade que gera interesse de todos em geral, mas ele sabe o que está fazendo.

Acho que isso falta para alguns apresentadores, principalmente quando há um público mais heterogêneo, mesmo que todos ligados à pecuária. Nem todos estão no mesmo nível nem têm o mesmo interesse pelos mesmos assuntos. Então, a forma que se faz a apresentação torna- -se ainda mais fundamental. E é claro, eles não são o Abílio Diniz, então devem ter que se esforçar ainda mais.

Se posso dar uma dica, vá a dois tipos de palestras, uma focada exatamente no seu interesse, para você ficar sabendo de dicas e informações úteis para determinada função e manejo. E outra focada em coisas diferentes do seu negócio, para abrir a sua mente. Mas sempre digo, com gente realmente boa e preparada para dar a palestra.

A não ser que você sofra de insônia. Nesse caso, eu recomendo palestras em geral, todas sobre o mesmo tema, seja ele qual for. Em no máximo 20 minutos você dorme.


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