O Confinador

CRB

Como lidar com o complexo respiratório bovino

Apesar de todo o planejamento feito em cima dos custos e das receitas do confinamento, é comum perceber que, no final das contas, alguns gastos sempre passam despercebidos. Será que o confinador sabe exatamente o quanto ele perde e deixa de ganhar com doenças que poderiam ser evitadas com uma simples vacinação? Afinal, deixar de ganhar também é perder. E, em se tratando de confinamento, a Doença Respiratória Bovina (DRB) é um problema que traz prejuízos evidentes e outros subjetivos.

Juliana Moreira Camargo* e Larissa Salles Teixeira**

Apesar de todo o planejamento feito em cima dos custos e das receitas do confinamento, é comum perceber que, no final das contas, alguns gastos sempre passam despercebidos. Será que o confinador sabe exatamente o quanto ele perde e deixa de ganhar com doenças que poderiam ser evitadas com uma simples vacinação? Afinal, deixar de ganhar também é perder. E, em se tratando de confinamento, a Doença Respiratória Bovina (DRB) é um problema que traz prejuízos evidentes e outros subjetivos.

Manter animais em lotes confinados eleva o potencial de ganho de peso, conversão alimentar e é uma estratégia adotada principalmente na entressafra, quando as condições climáticas não são boas e, consequentemente, a oferta é menor. Porém, não é uma solução absolutamente livre de contratempos.

Os animais que serão fechados são trazidos de várias propriedades, passam pelo estresse do transporte, adaptação ao novo ambiente e é nesse ponto que os agentes infecciosos encontram a janela imunológica perfeita para causar doenças respiratórias no rebanho, que são mais da metade dos problemas encontrados nesse sistema de produção.

O QUE É?

O principal problema enfrentado hoje nos confinamentos brasileiros e americanos é a DRB, também conhecida como pneumonia, apesar de ser muito mais complexa que isso.

A DRB é multifatorial e pode ser causada por vírus e bactérias, em que Mannheimia haemolytica é o agente de maior destaque, juntamente com os vírus da Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), Diarreia Viral Bovina (BVD), Parainfluenza tipo 3 (PI3) e Vírus Respiratório Sincicial Bovino (BRSV). Nos Estados Unidos, estima- -se que 60% dos casos sejam ocasionado por vírus respiratórios primários, que antecedem a infecção da Mannheimia (Pasteurella) haemolytica.

Um animal com problemas respiratórios é um animal que come mal, converte pouco, apresenta sinais clínicos, gasta com tratamento, veterinário e ainda ajuda a disseminar o agente no ambiente através das secreções respiratórias. Esse é o animal clinicamente doente e que, apesar dos gastos, não é o mais problemático dentro do rebanho. O grande problema é o animal que não apresenta sinais tão visíveis, com a doença na sua forma subclínica, o famoso “boi-ladrão”, antieconômico e sorrateiro no rebanho.

A PONTA DO ICEBERG

Devido a essa característica, a DRB foi comparada a um iceberg na palestra do Prof. Dr. Amauri Alfieri no Encontro de Confinamento Scot Consultoria 2016. Ele alertou para o fato de que os problemas visíveis são apenas a ponta do iceberg, pois a maior parte dos animais infectados está com a doença subclínica, responsável por prejuízos que sequer são colocados na ponta do lápis por não terem nem sido descobertos a tempo.

Mas como lidar com essa diversidade de vírus e bactérias permeando o rebanho bovino? Qual a melhor estratégia para prevenir o gado durante todo o período do confinamento? A alternativa, sem dúvidas, é buscar soluções completas para o problema sanitário.

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METAFILAXIA E IMUNOPROFILAXIA COMO ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO

Atualmente, antibióticos como metafilaxia vêm sendo muito utilizados, apesar das consequências que essa prática pode trazer no futuro, como o desenvolvimento de bactérias altamente resistentes.

Os antibióticos usados na metafilaxia têm ação apenas sobre as bactérias e não sobre os agentes virais, que também causam problemas. Além disso, a proteção perdura apenas pelo tempo em que o antibiótico circula no organismo, por cerca de 15 a 20 dias, sendo que após esse período os animais ainda podem se infectar, levando também a um animal com menor acabamento de carcaça e menor ganho de peso, principalmente nos casos de infecções subclínicas. Enquanto que a imunoprofilaxia (vacinação) promove imunidade mais duradoura, durante todo o período de confinamento por até 6 meses e não apenas contra bactérias, mas também contra os vírus, além de não ter período de carência.

Pensando então nas características de cada confinamento e de acordo o veterinário da propriedade, de maneira geral podemos ter as seguintes situações:

As recomendações anteriores baseiam- se em esquemas que podem ser alterados de acordo com a orientação do médico veterinário e a necessidade de cada confinamento. Para a imunoprofilaxia obter melhores resultados e ter todo seu potencial aproveitado, a vacinação deve ser feita preferencialmente com duas doses, mas, por outro lado, sabemos da dificuldade dos confinadores em fechar os animais para manejo 30 dias antes do confinamento. Nessa situação em específico, realizar ao menos uma dose da vacina no dia 0 do confinamento ainda parece ser mais vantajoso do que não vacinar nenhuma vez, promovendo assim alguma imunidade, ainda que em menor nível ou por menor tempo.

E ainda, caso necessário, o veterinário poderá fazer uso da metafilaxia em associação. Unir, portanto, essas duas estratégias de acordo com cada confinamento e a situação apresentada pode otimizar os resultados e contemplar uma solução mais completa. Utilizar a imunoprofilaxia (vacinação) nos animais saudáveis do rebanho e a metafilaxia (uso de antibióticos) em animais doentes ou sob alto risco garante uma prevenção mais duradoura e completa para o rebanho.

DICAS DE MANEJO

Ao falarmos de doenças respiratórias, não é apenas a imunoprofilaxia ou a metafilaxia que merecem atenção especial, outros fatores devem ser levados em consideração, pois interferem muito com o sistema imune do rebanho e a resposta do próprio organismo, são os chamados fatores de risco, que podem e devem ser gerenciados. Como conclusão, seguem algumas dicas para o amigo produtor:

- Recém-nascidos que recebem colostro nas primeiras horas de vida tendem a apresentar um melhor desenvolvimento não só durante os primeiros dias de idade, mas também durante os primeiros meses. Portanto, o produtor deve se certificar que os animais receberam colostro na quantidade e no tempo adequados, evitando falhas de transferência passiva.

- Mantenha um bom manejo do ambiente, pois, em se tratando de doenças respiratórias, é de extrema importância manter um local com ventilação e umidade adequadas para evitar a transmissão de agentes infecciosos no confinamento.

- Evite estresse e manipulação desnecessária dos animais. Portanto, o manejo só deve ser feito quando for realmente necessário.

- Evite a superlotação de animais, pois esse é um agente facilitador para a disseminação dos agentes infecciosos e surtos na propriedade.

- Separe os animais em grupos homogêneos, de acordo com a idade.

- Ao identificar animais doentes, separe-os dos demais.

- Ao adquirir animais de outras propriedades, tenha cuidado com a procedência dos mesmos, evitando introduzir novas doenças no rebanho.

- Ofereça alimentos de boa qualidade e que atendam as exigências nutricionais de cada lote.

- Evite a formação de poeira próximo às instalações e aos piquetes.

- Esteja atento à cura do umbigo.

- Evite mudanças bruscas na dieta.

- Se trouxer animais de outras propriedades, faça o transporte com o mínimo de estresse possível.

- Evite a alta carga parasitária e realize um bom controle de endo e ectoparasitas, o que interfere na resposta imunitária.

- Tenha um bom “leitor de saúde” e trate doenças intercorrentes.

- As instalações dos animais devem ser mantidas sempre limpas, livres de dejetos, secas e bem-ventiladas.

Com todas essas práticas de manejo, o pecuarista ganha mais em produção e perde menos com tratamentos. Investir em prevenção é sempre a melhor escolha na luta contra a DRB.

* Juliana é médica-veterinária e gerente técnica da Venco Saúde Animal
** Larissa é médica-veterinária e assistente técnica da Venco


Confinamento pode surpreender mesmo na instabilidade

O cenário econômico impactou diretamente na expectativa de confinamento de gado em Mato Grosso. As intenções indicam um rebanho confinado de 755,49 mil cabeças até o final de 2016, uma queda de 4% em relação ao ano de 2015. Por outro lado, o levantamento ainda aponta que, caso confirmadas as intenções, a modalidade de produção pode elevar em 12,8% o rebanho confinado no Estado. Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso, Francisco de Sales Manzi, o posicionamento do produtor é que vai decidir a produção anual. “Contas na ponta do lápis e atenção à comercialização são sempre fundamentais, e em um ano como 2016, esses comportamentos são relevantes”, destaca Manzi.

A alavancada dos custos de produção foram o milho e o caroço de algodão, que tiveram altas respectivas de 99% e 24,5% em um ano. Essa variação elevou em 22,2% o custo diário por animal no cocho, trazendo cautela ao setor. Segundo o Gerente de Projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso, Fábio da Silva, os produtores precisam fazer as contas e avaliar os riscos na hora de decidir. “O principal ingrediente da dieta e maior componente da diária do confinamento é o milho e como ele está duas vezes mais caro em 2016, o confinador precisa gerir seus custos para garantir que a estratégia do confinamento dê resultado econômico”, disse ele. Os dados são do 1º Levantamento das Intenções de Confinamento em 2016, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Em meio a esse cenário de custos elevados, o relatório das intenções de confinamento trouxe informações animadoras para a estratégia em 2016, como explica Fábio da Silva: “O primeiro relatório trouxe a informação de que 80% do gado que será confinado esse ano é dos próprios entrevistados e que outros 20% são bovinos de terceiros. Esse resultado mostra o profissionalismo da estratégia, já que os confinadores se programaram e adquiriram seus animais para terminação intensiva no cocho”.

Para o superintende da Acrimat, Francisco de Sales Manzi, o confinamento exige estratégia e atenção na hora da comercialização. “Durante o Acrimat em Ação acompanhamos a importância da intensificação da produção, mas principalmente do controle detalhado de custos e de uma comercialização estratégica. Há uma concentração de entrega no 4° trimestre de 2016, quando os preços devem ser maiores na BM&F Bovespa, mas a atenção especial está na diferença de quase 5 pontos percentuais entre o diferencial de base histórico (13%) e o diferencial de base praticado em 2016 (18%). Portanto, o confinador precisa ficar atento a isso para garantir rentabilidade com a comercialização dos animais, seja vendendo no termo ou vendendo na bolsa”, ressaltou Manzi.

Mesmo com toda cautela apresentada nas intenções e o cenário atual, a capacidade estática atingiu recorde histórico, com um aumento de 4,6%, chegando a 944,72 mil cabeças. Para Fábio da Silva, a relação entre produção e esse aumento pode ser positiva. “O aumento da capacidade estática mostra que investimentos na terminação intensiva de bovinos está aumentando, sendo prova disso a Região Noroeste de Mato Grosso que, por possuir disponibilidade de gado magro e por ser uma área de expansão de lavoura, vem ganhando destaque ano após ano no confinamento”, destaca o gerente de projetos.

Na estratificação das intenções, a Região Médio-Norte mantém sua posição de maior expectativa de confinamento, com 150,68 mil cabeças, seguida de perto pelo Sudeste – 146,71 mil e do Centro Sul – com 142,36 mil cabeças.


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