Especial Suplementação

SEM SAL A COISA VAI MAL

Pasto não é capaz de fornecer todos os nutrientes aos animais e tipo de água impacta suplementação

Fernando Nunes Antônio Carvalho*

Mesmo nos dias atuais, a nutrição correta dos animais é o maior desafio que os criadores brasileiros devem vencer, principalmente em relação à sazonalidade das forragens. O gado criado em gramíneas tropicais poderia produzir muito mais, não atingem metade do potencial para ganho de peso, independentemente da raça. E isso se dá porque as gramíneas tropicais não fornecem os nutrientes em quantidades suficientes.

Para que um bovino tenha saúde e seja produtivo, precisa ingerir quantidades adequadas de diversos nutrientes como:

Proteína - a “dieta ideal” é entre 10 e 12% de proteína bruta na matéria seca da dieta total, conforme a categoria animal. Quanto mais jovem, maior será a necessidade.

Quando há níveis adequados de nitrogênio oriundo da dieta, o metabolismo ruminal digere até 1,5 kg de matéria seca por hora, aumentando a ingestão após o fim de cada ciclo de pastoreio/ruminação.

Energia - precisa-se manter uma relação mais próxima possível de 1/7 de energia, ou seja, a cada 1 kg de proteína bruta ingerida, 7 kg de energia.

Minerais essenciais - são elementos inorgânicos fundamentais para o perfeito funcionamento do organismo de todos os seres vivos. A nutrição animal divide os minerais essenciais para os bovinos em dois grupos de igual importância:

►Macrominerais: Cálcio (Ca), Fósforo (P), Potássio (K), Magnésio (Mg), Sódio (Na), Enxofre (S) e Cloro (Cl); e
►Microminerais: Cobalto (Co), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Flúor (F), Iodo (I), Manganês (Mn), Selênio (Se) e Zinco (Zn).

Esses minerais são os que os criadores realmente devem estar sempre conferindo na dieta dos animais, pois sem eles não há como o animal utilizar a proteína e a energia para ser saudável e produtivo. O F é tóxico. Se um produto tiver 100 gramas de P, o ideal que tenha no máximo um grama de F.

Os minerais apresentam quatro funções básicas no organismo de um bovino.

►Estrutural - forma e mantém a rigidez do esqueleto (Ca, P e Mg).

►Fisiológica - serve como constituintes de componentes orgânicos (P e S), participa da síntese de hormônios (I), participa da contração muscular e de impulsos nervosos (Na e Ca), controla o balanço hídrico no organismo (Na, Cl e K), regula o balanço ácido-básico do organismo (Na, Cl e K) e participa do sistema imune (Cu, Zn, Se, eMn).

►Catalítica - Participa de diversas fases do metabolismo animal através dos sistemas enzimáticos (P, Mn, Se, Fe, Cu e Zn).

►Reguladora - Os minerais como Ca, Zn e I têm sido encontrados em processos de regulação da replicação do DNA e da diferenciação celular.

►As exigências de minerais em bovinos, segundo Mc Dowell, variam de acordo com: - herança genética; - nível de produção; - idade ; - ambiente onde é criado; e - tipo e composição da dieta.

Biodisponibilidade
A disponibilidade biológica pode ser definida como aquela porção de um mineral que pode ser usada pelo animal para atender suas necessidades metabólicas. O termo “biodisponibilidade” é definido como o grau de absorção de um nutriente ingerido de uma forma que possa ser utilizado pelo metabolismo de um animal normal. Portanto, o elemento mineral está disponível a nível tecidual, assim como a nível de dieta.

Valores de biodisponibilidade relativa são calculados para diversas formas de elementos minerais, relacionando sua resposta a uma fonte padrão do elemento com um valor de biodisponibilidade designado como “100”. Os valores de biodisponibilidade relativa resultante são úteis na formulação de dietas e na comparação de custos.

Além da biodisponibilidade do elemento mineral na fonte utilizada no suplemento, a absorção de íons minerais pelo bovino é dependente de vários fatores:

►níveis do elemento ingerido;
►idade, raça, sexo e estado fisiológico do animal;
►pH intestinal;
►condições ambientais;
►estado nutricional do animal (se está com deficiência ou não do elemento); e
►presença de antagonistas minerais ou outros nutrientes.

OBS.: Existem diferenças consideráveis na disponibilidade de um elemento mineral fornecido por diferentes formas. A análise química de um mineral no alimento, ou no suplemento mineral, não fornece informação 100% segura, é sugestiva sobre a disponibilidade do mineral para os animais. Deve ser sempre avaliada por um bom nutricionista.

Fibra - um importantíssimo componente da dieta dos ruminantes, pois é ela que mantém as condições de funcionamento ideais do rúmen.

Caso a dieta do animal não contenha os nutrientes descritos em níveis adequados, poderão ocorrer deficiências nutricionais que causam enormes prejuízos à pecuária brasileira e a seus produtores.

O suplemento mineral deve ser considerado como um complemento da dieta, que fornece os nutrientes deficientes nas pastagens durante todo o ano ou em um determinado período, para maximizar a capacidade de o animal manter-se saudável e produtivo, assim ele resiste melhor a doenças e se desenvolve melhor.

Águas - há tempos, muitos pecuaristas acreditam que os bovinos dessedentados com água salobre ou água dura não precisam receber mineralização no cocho, por essa supostamente já ser salgada. Entretanto, o gosto salgado não significa que ela realmente contenha os nutrientes necessários.

A água salobre não contém altos teores de sal (cloreto de sódio), como se acredita e, sim, de cloreto de cálcio e magnésio, que promovem outras reações no organismo. Esse composto químico torna-a pesada e aumenta fortemente a salinidade. E mesmo quando os minerais são fornecidos de maneira apropriada, no cocho, a procura do bovino por sódio fica deprimida pela presença dos sais de cálcio na água.

Entre os riscos mais comuns, o consumo de água dura pode causar deficiências momentâneas ou até mesmo permanentes na absorção de outros minerais essenciais para o organismo dos bovinos, como fósforo, enxofre, zinco, cobre, cobalto e potássio.

Suplementação mineral
A necessidade de suplementar e a quantidade de sal mineral utilizada dependem das metas a serem conseguidas de acordo com o planejamento proposto na propriedade, mas visa basicamente maximizar o consumo e a digestibilidade da forragem disponível. O tipo de suplementação que será adotada em uma propriedade depende:

►da qualidade e da quantidade da matéria seca ingerida pelo animal;
►da qualidade química e biológica e temperatura da água;
►da época do ano;
►da categoria animal;
►da idade do animal;
►do sexo;
►do estado fisiológico.
►do metabolismo animal e de sua herança genética;
► da infraestrutura adequada (cochos e bebedouros apropriados em quantidade, localização e dimensionamento).

Mão de obra treinada e conscientizada do trabalho a ser realizado diariamente, o que continua sendo um dos maiores gargalos para o sucesso de um programa de suplementação de bovinos.

Somente com uma suplementação adequada e estrategicamente diferenciada para cada época do ano, a pecuária brasileira poderá atingir produtividades apropriadas.O sucesso da atividade pecuária depende de três fatores:

►produtividade (kg de carne/ ha/ano, kg de bezerros desmamados/ ha /ano, kg de leite/ha/ano);
►relação custo/benefício do sistema de produção;
►preço de venda da produção anual.

Assim, na grande maioria das propriedades cujos bovinos são criados a pasto, a suplementação é necessária para a obtenção de níveis de produtividade que proporcionem ciclos zootécnicos mais curtos.

O grande desafio para técnicos e criadores é levar o animal a consumir o máximo possível da forragem de melhor qualidade em nutrientes e maior digestibilidade disponível e transformar isso em carne e leite no menor espaço de tempo possível, gerando renda e sustentabilidade ao sistema produtivo.

Deve-se ter sempre em mente que a produção dos bovinos criados a pasto está extremamente ligada ao valor nutritivo e digestível da pastagem e a qualidade da água, que pode ser expresso através de análises laboratoriais:

►proteína;
►energia;
►fibra (FDN e FDA);
►vitaminas; e
►água.

Essa produção também está relacionada com a quantidade diária de pasto consumida voluntariamente pelo animal, que é calculada pela quantidade ingerida de matéria seca de forrageira em função do peso vivo ou metabólico do animal. Quanto maior o percentual ingerido, melhor a aceitação da forragem pelo animal, logo, maior a quantidade de nutrientes ingeridos. Assim, pode-se afirmar que a produção de bovinos a pasto vai depender, e muito, da pressão de pastejo adotada.

Como demonstra o gráfico acima, o grande desafio a ser vencido na pecuária brasileira é diminuir a diferença da ingestão da matéria seca entre o período das águas, que pode variar de 2,8 a 2,4% do PV (peso vivo do animal) e o período da seca, que pode variar de 1,7 a 2,0% do PV, dependendo do tipo de gramínea, o que provocaria um ganho adicional de 18% na oferta de carne ao abate, uma diminuição de 2,4 meses no IEP (intervalo entre partos) e um aumento de 9,2% na produção de leite. Para que isso se consiga, será fundamental o investimento em suplementação.

Métodos de mineralizar

O consumo à vontade é a maneira mais comum de oferecer minerais aos bovinos sob pastejo. O sal comum é o veículo usado para dar palatabilidade à mistura mineral, ao mesmo tempo que também funciona como regulador de consumo, normalmente sendo usado de 30 a 40% na mistura final.

O método mais eficiente de fornecer minerais para bovinos é através de suplementos minerais combinados com concentrados, com os quais se assegura maior exatidão na quantidade a ser ingerida diariamente. Porém, para bovinos em pastejo, nem sempre isso é possível, sendo mais utilizado para bovinos de leite ou através do uso de misturas múltiplas para gado de corte, que vem aumentado nos últimos anos, principalmente na época da seca.

A administração direta de minerais pode ser feita através da água, misturas minerais, blocos, dosificações orais, preparações ruminais e injeções.

Define-se como suplemento mineral quando o mesmo possuir na sua composição macrominerais e/ou microminerais, podendo apresentar, no produto final, um valor menor que 42% de equivalente proteico e/ou proteína bruta. Os complexos minerais podem ser divididos em dois grupos, macrominerais e microminerais, também conhecido por “minerais traços”, com ureia, proteico e proteico- -energético.

Macrominerais são essenciais para os bovinos são aqueles exigi - dos em maiores quantidades (gramas/ dia) e presentes no tecido animal em altas concentrações. São eles Ca, P, Na, Cl, K, Mg e S.

Microminerais são aqueles exigidos em pequenas quantidades (miligrama/dia) e, geralmente, presentes no tecido animal em concentrações menores, mas são igualmente importantes para o metabolismo animal. São eles Co, Cu, I, Fe, Mn, Se e Zn. É coloquialmente chamado pelo mercado de “linha branca”. O suplemento mineral com ureia possui na sua composição macrominerais e/ou microminerais e, no mínimo, 42% de equivalente proteico. É coloquialmente chamado pelo mercado de “sal ureado”.

Considera-se o suplemento mineral proteico quando possuir na sua formulação macrominerais e/ ou microminerais e pelo menos 20% de proteína bruta (PB) e na ingestão diária do bovino fornecer, no mínimo, 30 g de proteína bruta (PB) por 100 kg de peso corporal. É chamado pelo mercado de “sal proteinado” e/ou “misturas múltiplas”.

Já o suplemento mineral proteico- energético possui na sua composição macrominerais e/ou microminerais e pelo menos 20% de proteína bruta, e na ingestão diária do bovino, fornecer, no mínimo, 30 g de proteína bruta e 100 g de nutrientes digestíveis totais (NDT) por 100 kg de peso corporal.

Para animais criados a pasto, quanto ao consumo, os suplementos podem ser classificados como de baixo consumo (até 0,1% do peso vivo do animal = PV), médio consumo (cerca de 0,25% do PV), alto consumo (acima de 0,35% do PV) e altíssimo consumo ( acima de 0,5% do PV). É coloquialmente chamado pelo mercado de “misturas múltiplas”.

Quanto à forma de uso, os suplementos minerais podem ser prontos para uso e para misturar. O suplemento pronto para uso é aquele que se apresentar pronto para ser fornecido ao animal, conforme recomendação da empresa fabricante. Já o suplemento para misturar é aquele que deverá ser misturado ao cloreto de sódio (sal comum) ou a outros ingredientes como farelos ou grãos, para ser fornecido ao animal.

O consumo desequilibrado de minerais pelos bovinos causa deficiências momentâneas ou mesmo permanentes de minerais essenciais, que poderão se tornar se grandes gargalos para a produção zootécnica de bovinos criados nas regiões atingidas. Para o técnico, o controle de quanto e o que o animal ingere por dia pode mudar radicalmente os índices produtivos e reprodutivos dos rebanhos atingidos.

A viabilidade econômica de uma atividade é assegurada pela sua capacidade de gerar lucro. Quanto maior for a capacidade produtiva, menor será o custo da produção. Capacidade produtiva é o número de arrobas produzidas por ha/ano e, assim, o preço de venda aliado a um menor custo de produção (despesa total dividida pela capacidade produtiva) resultará em um maior lucro do produtor, que deve ser sempre a meta a ser atingida para que a atividade perpetue.

Para a verificação do quanto vale a pena a suplementação do rebanho, deve ser feita uma análise custo x benefício e o retorno do investimento em programas de suplementação mineral ocorre de duas maneiras: uma direta e outra indireta. O efeito direto é no aumento da produção de carne e de leite, da eficiência e da reprodutiva precocidade sexual e de abate.

Porém, o maior ganho é indireto e quase sempre imperceptível para o criador, que é o aumento da capacidade de resistência às doenças pelos animais, pois se sabe hoje que minerais com Zn, Se, Cu e Mn são essenciais para o funcionamento do sistema imunológico. São inúmeros os motivos que fazem da suplementação uma prática de manejo vencedora.

Apesar de as pastagens apresentarem um menor teor de minerais durante a estação seca (verão), tem sido observado que deficiências minerais específicas são mais severas na estação chuvosa (inverno), quando o ganho de peso é estimulado pela boa disponibilidade de proteína e energia, elevando os requerimentos minerais, pois são as metaloenzimas, ou seja, as enzimas que necessitam do componente mineral em sua estruturas.

Embora muitos criadores vejam a suplementação mineral como um “grande custo”, ela é fundamental para a pecuária moderna, comenta Fernando Carvalho

Suplementar na seca

Nessa época, as deficiências minerais nas pastagens se acentuam, mas o grande fator nutricional limitante é o Nitrogênio (N). Como os pastos estão maduros e secos, com baixo valor nutricional, o consumo de forragem é menor do que na época das águas, pois há um maior teor de fibra, diminuindo a digestibilidade e menores teores de proteína, minerais e energia. Assim, a atividade da microbiota ruminal cai sensivelmente.

Então, a capacidade de o rúmen fermentar e digerir a forragem fica comprometida e o tempo que o alimento permanece no rúmen fica maior. Logo, o animal deve-se ter uma atenção especial no suplemento mineral nessa época do ano, pois além dos minerais essenciais, as misturas devem conter fontes de nitrogênio e energia que estimulem a multiplicação dos micro-organismos ruminais e, assim, aumentem a digestão da forragem de baixa qualidade e, como consequência, o seu maior consumo.

O uso de misturas múltiplas com proteína, energia e minerais na época da seca têm mostrado resultados satisfatórios, evitando a perda de peso, característica dos animais não suplementados nessa época crítica do ano. E dependendo da oferta de pasto, até obtendo ganhos satisfatórios.

Suplementar nas águas

Com um manejo de pastagens correto e uma suplementação tecnicamente adequada, a pecuária brasileira é competitiva e economicamente viável.

Contudo, deve-se ter em mente que, mesmo no melhor período dos pastos nas águas, as pastagens tropicais não possuem os minerais em quantidades suficientes para as reais necessidades dos bovinos. É necessário se ter uma atenção especial ao suplemento mineral nessa época do ano, pois quando o pasto está verde há uma tendência do consumo de minerais no cocho cair. Muitos pensam que os animais estão comendo menos porque não precisam ou até diminuem a oferta de sal nos cochos, pois acham que o animal está sendo saciado pelos pastos verdes. Aí é onde está o grande equívoco, porque é justamente nessa época que o animal mais precisa ser suplementado com minerais, pois com a maior disponibilidade de proteína, energia e maior digestibilidade das pastagens verdes, o animal consome de 40 a 50% mais matéria seca, aumentando muito o seu metabolismo, quando muitas enzimas dependem dos minerais para serem ativadas. Por isso, mobiliza todos os minerais essenciais de suas reservas orgânicas que devem ser re - compostas continua e rapidamente nesse período, para que não prejudiquem esse aumento de metabolismo (ganho compensatório).

A suplementação de energia e de proteína também tem sido usada com maior ênfase na época das águas, pois se sabe que na época das chuvas há um desbalanço nutricional nas pastagens e, dessa forma, esse aumento súbito e desbalanceado de oferta de proteína e energia causa uma grande perda de nutrientes, pois o sistema de produção de energia e proteína pela microbiota ruminal é mais rápido do que a capacidade do animal em aproveitá-las.

O prato do bovino

Um cocho de qualidade é a ferramenta fundamental para uma boa suplementação mineral. Pode ser considerado o “prato do boi”, portanto, deve-se estar muito atento a ele e o seu manejo inadequado é um dos maiores problemas da suplementação mineral da pecuária no Brasil.

Aspectos característicos do comportamento dos bovinos como dominância, aversão a atoleiros e barro e hábitos na alimentação devem ser levados em consideração na construção de cochos.

Cobertura - qualquer material, desde que evite ao máximo a entrada de água. Deve ter uma aba de 1,50 m de cada lado. O beiral dois metros de altura (ponta de cobertura ao solo).

Localização - o cocho deve estar localizado próximo à aguada, no sentido das correntes de vento e ser de fácil acesso aos animais. Os bovinos têm o hábito de lamber o sal após beberem água e depois vão pastar.

Quando o cocho está próximo ao bebedouro, o consumo de suplemento mineral se dá de uma forma correta e uniforme. Quando a distância é maior que 500 m o consumo é insuficiente e irregular. Quando a distância é maior que mil metros, o programa de suplementação mineral é um desastre.

Proteção - na cabeceira do cocho, pelo menos no sentido das correntes de vento, colocar um protetor (madeira ou folha de zinco), evitando a entrada de água.

Calçamento - compacto, cascalhado ou cimentado, ao redor do cocho, para evitar empoçamento e água e atolamento dos animais.

Depósito para minerais - sob a cobertura, instalar um depósito (tábuas) que permita o estoque de quantidades do suplemento mineral necessário para o consumo de alguns dias. Essa medida visa facilitar a reposição no cocho.

Tamanho - o comprimento deve ser de acordo com o tipo de suplementação. Para a “linha branca”, pelo menos 5 cm por animal. Para os ureados, mineral com ureia, cerca de 10 cm; as “misturas múltiplas” de baixo consumo, 15 cm; de médio consumo. 30 cm; e de alto consumo; 50 cm.

*Fernando Carvalho é médico-veterinário, produtor rural e autor do livro “A História da Suplementação Mineral no Brasil” (2013) fernandoancarvalho@uol.com.br


LEMBRE-SE DA “LEI DO MÍNIMO”

Em 1840, Justus Von Liebig, professor de Química e cientista alemão, foi o primeiro cientista a publicar um trabalho científico que demonstrava a importância do potássio e dos fosfatos para o solo e sugeriu a criação dos fertilizantes artificiais. Mas o seu maior legado foi a Lei de Liebig, também conhecida por Lei do Mínimo, que estabelece que o desenvolvimento e a sobrevivência de uma espécie são determinados por um requisito mínimo em relação a qualquer fator nutricional e o crescimento de qualquer organismo vivo ficará limitado por aquele(s) nutriente(s) faltoso(s) ou deficitário(s), mesmo que todos os outros elementos ou fatores estejam presentes.

Muitos criadores e “nutricionistas”, por não conhecerem e/ou não respeitarem a lei do mínimo, ainda hoje, cometem grandes equívocos em seus manejos nutricionais e na elaboração de dieta. Prof. Liebig explicava sua lei com uma analogia de um barril de água, no qual o nível de água significa o potencial produtivo. A lateral de um barril, que perde água, serve para ilustrar que o nutriente mais limitante dita a produção. Neste exemplo, o fósforo é o elemento mais limitante, já que é a madeira mais curta, os outros nutrientes não serão limitantes até que mais fósforo seja administrado.

Vários fatores determinam a quantidade de minerais exigida pelos animais, como:
►tipo de exploração (gado de cria, de corte ou de leite);
►nível de produção;
►idade;
►teor e forma química dos elementos nos ingredientes;
►inter-relações com outros minerais;
►consumo da mistura mineral;
►raça e adaptação animal ao meio ambiente onde é criado. Apesar de as pastagens apresentarem um menor teor de minerais durante a estação seca (verão), tem sido observado que deficiências minerais específicas são mais severas na estação chuvosa (inverno), quando o ganho de peso é estimulado pela boa disponibilidade de proteína e energia, elevando os requerimentos minerais.


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