Mercado

 

Arroba cai com a chegada do inverno

As exportações de carne bovina brasileira continuam em alta no ano de 2016, favorecidas pela desvalorização do real frente ao dólar. O mês de abril obteve um faturamento de US$ 434 milhões, resultantes das mais de 112 mil toneladas enviadas para fora do território nacional, conforme dados apresentados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Os números registraram recuo de 5% em faturamento e um crescimento de 2% no volume exportado quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Dentre os principais importadores de carne brasileira em abril, Hong Kong segue na liderança, com um faturamento de US$ 91 milhões para um volume exportado de 26 mil toneladas. Isso representa um aumento de 3% em faturamento e de 11% em volume em relação a abril de 2015. Na segunda colocação está a China, seguida da União Europeia e do Egito, sendo que este último merece destaque, pois registrou aumentos de 77% em faturamento (US$44 milhões) e 85% em volume (14 mil toneladas) também frente a abril de 2015.

Ainda segundo a Abiec, no acumulado de janeiro a abril, o Brasil exportou 479 mil toneladas de carne bovina, que resultou em um faturamento de US$ 1,8 bilhão. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, houve um incremento de 12% em volume, enquanto que o faturamento acabou sendo semelhante.

Na categoria dos produtos exportados, a carne in natura no mês de abril seguiu na liderança, seguida da industrializada, dos miúdos, das tripas e das salgadas.

Como pode ser observado na tabela Boi Gordo no Mundo, o preço da arroba brasileira segue vantajosa no mercado global frente às outras praças apresentadas, mesmo com um aumento de 2,42% quando comparado aos 30 dias anteriores ao apresentado pela própria tabela.

A descapitalização da população devido às crises política e econômica enfrentadas em todo território nacional nos últimos meses mantém a carne de frango no topo das carnes mais consumidas no Brasil, que desde 2007 detém esse posto. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2015 foram consumidos, em média, 43 quilos de carne de frango por habitante, culminando em 1,1% de aumento quando comparado a 2014. A carne bovina segue atrás no consumo do brasileiro, com média anual de 32 kg por habitante, ou seja, 25% menor frente à carne de frango.

Conforme dados levantados pela Scot Consultoria, os preços dos cortes traseiros sofreram redução no atacado, enquanto que os cortes dianteiros sofreram ligeiro aumento desde o começo do ano. Portanto, conclui-se que existe uma busca da população por fontes de proteína animal mais baratas, evidenciada pelo maior consumo de carne de frango e pela procura dos cortes bovinos menos valorizados.

O Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), entidade que busca defender os interesses da cadeia da carne, entrou com um pedido no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no sentido de que este intervenha junto à Organização Mundial de Saúde (OMS) para que, na reunião do órgão que ocorrerá entre os dias 22 e 27 de maio em Paris, seja analisada a proposta de permissão de livre trânsito de bovinos de exposição e engorda, e não somente aqueles destinados ao abate, de áreas livres de febre aftosa com vacinação para áreas livre de febre aftosa sem vacinação.

Os principais beneficiários dessa medida seriam os estados de Santa Catarina, área já declarada livre de febre aftosa sem vacinação, e Paraná, que busca esse título e esbarra desde o ano passado no empecilho em ter que fechar suas fronteiras para os outros estados brasileiros, caso se concretize essa declaração.

O mercado do boi gordo sofreu baixa nas principais praças pecuárias, como previsto na edição passada, com a chegada do período seco do ano. Apenas o Estado do Rio Grande do Sul manteve- -se constante no período.

A queda de oferta e de qualidade das pastagens pressiona os pecuaristas a desovarem o baixo volume de bois existentes terminados, conforme observado a campo pela equipe de consultores da Boviplan Consultoria, que antes eram retidos em busca de melhores preços. Segundo os dados apresentados pelo gráfico sobre a evolução do preço da arroba do boi gordo de 18/04 a 13/05, os preços recuaram nas principais praças pecuárias, apesar de ainda haver resistência por parte dos pecuaristas em entregarem suas boiadas.

Esse fato freou uma queda ainda mais brusca dos preços, pois a margem dos frigoríficos ainda segue como uma das mais baixas registradas nos últimos anos, devido principalmente à falta de oferta de animais terminados, alavancando os preços de compra, somados à queda dos preços de venda no varejo pela lentidão do escoamento interno da produção. Segundo dados apresentados pela Scot Consultoria, no começo da segunda quinzena de abril, a margem estava em 10%, redução de 3% em relação ao começo do mesmo mês. Portanto, os frigoríficos estão exercendo uma pressão baixista no mercado para tentar recuperara sua margem de alguma forma.

Essa onda de retração dos preços pagos pela arroba do boi gordo também atingiu o mercado de reposição, que acabou acompanhando o fluxo baixista. O gráfico da média do preço da desmama de 18/04 a 13/05 mostra os preços praticados nas principais praças pecuárias.

Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná apresentaram, respectivamente, quedas de 1,08%, 1,74%, 2,59%, 1,90% e 0,12%, resultando em uma média de queda de 1,48%, frente aos 30 dias anteriores apresentados aos do gráfico do preço médio da desmama. No Estado do Pará não houve variação de preços, enquanto que somente nos estados do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul houve aumento de preços da ordem de 0,72% e 1,09%, também quando comparado ao mesmo período citado anteriormente.

Com a queda do preço da arroba, a relação de troca do boi gordo quando comparado à reposição também piorou, apesar de ter ocorrido queda do preço da reposição que acabou não sendo suficiente para evitar tal feito no período analisado. O gráfico sobre a relação de troca média mostra as relações alcançadas da segunda quinzena de abril à primeira quinzena de maio. Apenas a relação de troca do boi gordo com a desmama no Estado de São Paulo teve ligeira melhora da ordem de 0,35%. Nas demais praças analisadas, tanto a relação de troca do boi gordo comparado à desmama ou comparado ao boi magro tiveram retração. Dessa forma, os invernistas seguem sofrendo com a redução do seu poder de compra e consequentemente veem sua margem de lucro se estreitar.

Em vista das informações apresentadas, somando-se os fatos da crise econômica e política do País e com os animais terminados sendo ofertados agora na entrada da seca, é de se esperar um aumento do preço da arroba para o começo do segundo semestre, apesar do baixo escoamento de carne no mercado interno, que é amenizado pelas exportações que seguem em ritmos promissores. Portanto, o pecuarista precisa ter cautela para tomar alguma decisão de venda nesse momento delicado, pois sem o custo de produção da arroba em mãos, não é possível sentenciar a viabilidade de segurar os animais, caso haja condição favorável na propriedade, para vendê-los no final do inverno, quando haverá escassez de oferta de bois terminados.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar
Boviplan Consultoria


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