Caprinovinocultura

 

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Iniciativas desenvolvidas junto a produtores destacam o uso de tecnologias e a gestão empresarial para promover qualidade e inovação

A valorização da carne de cordeiro e da lã favorece a prospecção de negócios na cadeia produtiva da ovinocultura. As possibilidades são muitas em um segmento que ainda carece de organização, mas que encontra condições para desenvolver estratégias de crescimento. É diante desse desafio que trabalham produtores, gestores, técnicos, pesquisadores e empreendedores comprometidos com a rentabilidade do setor no Rio Grande do Sul.

Os resultados das iniciativas desenvolvidas nos últimos anos são promissores. A partir do cronograma desenvolvido em projetos coordenados pelo Programa Juntos Para Competir, em que atuam Farsul, Senar/RS e Sebrae/RS, as potencialidades de negócios para os criadores de ovinos se tornaram ainda mais vantajosas.

Com um rebanho de cerca de 4 milhões de cabeças, o estado detém o maior plantel do Brasil. Os bons preços pagos aos produtores também favorecem o ambiente para investimentos. No mês de abril, segundo a Emater, o quilo vivo do cordeiro variou entre R$ 5 e R$ 6.

O coordenador estadual da carteira de projetos da ovinocultura junto ao Sebrae, Roberto Grecellé, observa que todo o trabalho até então realizado parte de pressupostos relevantes, tais como o respeito à cultura gaúcha. As ações, atualmente, envolvem 490 propriedades rurais divididas em diferentes grupos.

A valorização da carne de cordeiro e da lã favorecem a prospecção de negócios

Como se trata de um esforço coletivo de qualificação da produção, os trabalhos têm diretrizes para qualificar tecnicamente os sistemas, aprofundando os aspectos de gerenciamento com o objetivo de agregar valor na busca da organização dos processos de comercialização. “Dito de outra forma, ao valorizar a carne ou a lã, por exemplo, a renda do negócio é maior. Por sua vez, a satisfação dos empreendedores e de seus clientes deve estar no foco de resultados que serão benefícios gerais para todos, desde o trabalhador nas fazendas, até um chef que executa uma receita com o melhor pernil do mercado”, avalia Grecellé.

Ao longo de 2015, apenas em cursos técnicos acompanhados pelo Senar, foram mais de 100 horas/aulas de capacitações, como manejo de recursos forrageiros para ovinos, terminação de cordeiros, tosquia Tally-hi, manejo reprodutivo e outros. Ao Sebrae, coube ações como diagnóstico da propriedade rural; consultorias tecnológicas (reprodução, sanidade, alimentação e produção pecuária) e específicas em ovinocultura (desmame, gestação e pré- -encarneiramento); aplicação do “Índice de Sustentabilidade da Empresa Rural”; mais de 20 dias de campo; e roteiro de visitas com produtores, com foco em programas de controle estratégico da verminose.

Diagnóstico da propriedade e consultorias tecnológicas fazem parte do trabalho do Sebrae junto a criadores

Resultados na prática
Um bom exemplo de resultado destas ações pode ser avaliado na propriedade do produtor do município de Santa Maria, Gilberto Ilha Pozzobom. Ele alcançou um diferencial de mercado graças a uma consultoria que possibilita o acompanhamento técnico e gerencial de seus rebanhos. O atendimento realizado por médicos veterinários, consultores credenciados pelo Sebrae, ocorre em três momentos: antes do período reprodutivo do rebanho (avaliação reprodutiva e do estado de saúde dos animais pré-acasalamento), durante a gestação (identificação dos animais prenhes e organização da parição) e no desmame (avaliação e organização dos lotes de cordeiros produzidos).

Com isso, a eficiência reprodutiva do rebanho é elevada em quantidade e qualidade. Pozzobom teve aumento de 100 para 130 cordeiros nascentes ao ano com as mesmas 90 matrizes. “Aproximadamente 40% de seus animais têm partos duplos. Isso significa que ele consegue cobrir vazios de mercado, reduzindo muito a sazonalidade, já que o mais comum é ter cordeiros para comercializar no final do ano, entre novembro e janeiro”, destaca Grecellé.

Seguindo a lógica econômica de que o agronegócio é um dos setores que consegue se manter em crescimento, mesmo com as turbulências do cenário instável brasileiro, os projetos com foco na ovinocultura permanecem na agenda este ano. “Deveremos ter a realização de pesquisa do perfil do consumidor de carne ovina e dos hábitos de consumo dessa proteína em cinco importantes centros de compra do estado. Também deveremos consolidar uma análise de competitividade das pequenas indústrias da cadeia da carne ovina com identificação de fatores de sucesso da atividade frigorífica”, relata o coordenador do Sebrae.

Entre as consultorias especializadas, deverão ocorrer algumas para as indústrias frigoríficas (gestão, qualificação e agregação de valor), bem como estímulos para formas alternativas de consumo. “Poderemos, por exemplo, contar com a criatividade dos chefs de cozinha. E também devemos ter ações para melhor explorar o potencial das compras governamentais, uma vez que há um tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas”, diz o gestor.


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