Mercado

Quem aguenta mais: o frigorífico ou o pecuarista?

Oano de 2016 está sendo marcado pelo aumento do faturamento das expor tações com carne bovina. Segundo - levantamento da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) as exportações de carne bovina registraram em fevereiro um faturamento de US$ 490 milhões, resultantes da venda de 127 mil toneladas de carne. Comparado ao mês de janeiro, houve um incremento de 30% em valor e 27% em volume. Já no acumulado dos dois primeiros meses do ano foram exportadas 226 mil toneladas, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a renda no acumulado foi de US$ 866 milhões, pequena queda de 2% em relação a 2015. No geral, o mês de fevereiro registrou um aumento de 9% em faturamento e de 25% em volume quando comparado ao mesmo período de 2015.

Os três primeiros colocados no ranking brasileiro de faturamento com a importa- ção de carne bovina do mês de fevereiro são Hong Kong, com 33,9 mil toneladas e resultando em US$ 119,2 milhões, seguido da União Europeia (10,3 mil toneladas, gerando US$ 62,5 milhões) e Egito (17,9 mil toneladas e US$ 54,9 milhões).

eladas e US$ 54,9 milhões). A carne in natura segue na liderança de faturamento das categorias mais exportadas em fevereiro, seguida da industrializada, dos miúdos, das tripas e das salgadas.

miúdos, das tripas e das salgadas. Esse cenário apresentado só reafirma a previsão de crescimento das exportações da carne bovina brasileira feita no começo do ano. As reaberturas de mercados antes embargados, juntamente com as aberturas de novos nichos, ambos realizados no ano passado, estão favorecendo essa situação. A tendência é que as exportações continuem em alta durante o decorrer do ano.

miúdos, das tripas e das salgadas. Esse cenário apresentado só reafirma a previsão de crescimento das exportações da carne bovina brasileira feita no começo do ano. As reaberturas de mercados antes embargados, juntamente com as aberturas de novos nichos, ambos realizados no ano passado, estão favorecendo essa situação. A tendência é que as exportações continuem em alta durante o decorrer do ano.

Outro fator que colabora para o aumento das exportações é o atual preço do dólar dentro do Brasil que pela atual conjuntura da economia e da política nacionais não possui previsão de queda efetiva. Isso tem gerado maior competitividade da carne brasileira no mercado global, pois ela é mais vantajosa financeiramente para os países importadores, como podemos observar na tabela Boi Gordo no Mundo.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), através de seu último levantamento trimestral de abate de bovinos divulgado em março deste ano, revelou que o ano de 2015 teve queda de 9,6% no número total de bovinos abatidos frente ao ano de 2014. Foram 30,64 milhões de animais em 2015 contra 33,91 milhões em 2014. Em termos de produção de carcaças, o ano de 2015 teve consequente redução de 7,1% frente a 2014, totalizando 7,49 milhões de toneladas contra 8,06 milhões de toneladas. A queda de produção seria mais brusca se não fosse o maior peso médio das carcaças dos bovinos abatidos em 2015 que foi de 244,5 kg frente ao peso médio de 237,8 kg obtido em 2014, resultando em um aumento de 2,8%.

Desde o primeiro semestre do ano passado o Estado do Paraná vem somando esforços para que seja reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A principal vantagem desse novo status seria a possibilidade da exportação de carne para novos nichos de mercado internacionais. Por outro lado, ainda há resistência por parte de alguns pecuaristas, principalmente dos invernistas, pois as fronteiras serão fechadas e nenhum animal vindo de outro estado, exceto de Santa Catarina, poderá adentrar as terras paranaenses.

Segundo informações levantadas na primeira quinzena de março deste ano com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a vacinação contra febre aftosa está confirmada para o primeiro semestre de 2016. Porém, ainda está indefinida para o segundo; portanto, há chances de o estado conseguir o título ainda este ano, apesar das dificuldades encontradas.

O mercado de reposição segue estável, apesar de um pequeno aumento médio de preços em algumas praças no período de 16/02 a 15/03/2016 frente ao período de 18/01 a 15/02/2016. O Estado de Goiás apresentou aumento nominal de 5%; o Estado do Mato Grosso do Sul, de 4,9%; e o Estado de Mato Grosso, de 1,3%. Dentre as praças apresentadas pela tabela da Média do preço da desmama, onde se pode observar os preços praticados da segunda quinzena de fevereiro à primeira quinzena de março, apenas o Estado de São Paulo teve retração de preço, da ordem de 0,7%, na comparação dos períodos citados anteriormente.

O gráfico sobre Relação de troca mé- dia do boi gordo com bezerro e com boi magro confirma a situação de estabilidade dos preços, tanto da arroba, quanto da reposição. Não houve diferenças significativas no período apresentado, comparado aos 30 dias anteriores. As relações de troca ainda continuam desfavoráveis aos invernistas, que têm vivenciado o encurtamento de sua margem nos últimos tempos. Existe resistência por parte deles em aceitar qualquer tipo de aumento nos preços da reposição, fazendo com que os movimentos das negociações sejam baixos nos últimos dias.

Segundo dados da Scot Consultoria, as margens dos frigoríficos tiveram redução de 10 pontos percentuais desde o início do ano e fechou fevereiro em 14,7%. Diante desse cenário, houve uma forte pressão na redução dos preços pagos pela arroba em busca da retomada da mesma. Para conseguir tal feito, no começo de março, os frigoríficos de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás reduziram bruscamente a oferta de compra para derrubar os preços, estratégia também adotada em 2015. As três estratégias mais comuns para recuperar a margem são aumentar o preço de venda, reduzir os custos operacionais da indústria e abaixar o preço de compra. Evidentemente, a terceira alternativa foi adotada, porém, com resultados não tão satisfatórios.

Conforme podemos observar no gráfico da Evolução do preço da arroba do boi gordo, os preços foram derrubados em três das quatro praças citadas na primeira quinzena de março, sendo que após a derrubada os preços se mantiveram estáveis. De acordo com dados da Scot Consultoria, a queda média foi de 1,4% no valor da arroba; contudo, não foi o suficiente para que os frigoríficos recuperassem margem.

O que está ocorrendo é uma queda de braço entre as indústrias e os pecuaristas, pois quem detém o produto é o pecuarista, que agora é favorecido pelas chuvas e consegue manter os animais no pasto. Além disso, os preços elevados da reposição forçam os invernistas a reterem os bois gordos em busca de preços mais vantajosos influenciados pelo fato de conseguirem maior amortização do ágio da compra abatendo esses mesmos animais mais pesados.

Diante desse cenário e dos fatos concretos apresentados, a tendência é que os preços continuem firmes e que possa até ocorrer uma recuperação nas praças onde houve as derrubadas de preços. Tudo isso ainda é sustentado pela falta de animais terminados e pela desvalorização do real frente ao dólar, estimulando as exporta- ções, apesar da instabilidade econômica e política que resultou na perda do poder de compra da população. De fato, analisando o mercado de maneira geral, só podemos inferir que, se houver alguma mudança efetiva, ela poderá vir a ocorrer na época seca do ano, quando as pastagens não se encontrarem mais em boas condições.

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar Boviplan Consultoria