Top 100

 

Propulsores de genética

O projeto Top 100, idealizado pela Revista AG, Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha e BeefPoint, pretende levar ao conhecimento público quem são os maiores vendedores de touros do Brasil

Erick Henrique
erick@revistaag.com.br

Uma indagação paira no mercado de reprodução bovina: quem são e onde estão os maiores negociadores de touros do País? Essa pergunta será respondida após a computação dos dados do TOP 100 – Os maiores Vendedores de Touros do Brasil. Os idealizadores do projeto (Revista AG, Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha e BeefPoint) vão arregaçar as mangas e levantar essa informação para o mercado através de uma pesquisa realizada junto aos selecionadores localizados de Norte a Sul do território nacional.

O resultado será conhecido na edição de junho da Revista AG. Entretanto, a contagem será dividida em dois grupos distintos, TOP 50 Zebu e Top 50 Taurinos. Neste último, estarão enquadradas também as raças sintéticas e adaptadas. Essa é uma preocupação válida.

A razão de não se optar por uma listagem única com todas as raças é porque, mesclando taurinos e zebuínos, teria-se possivelmente uma relação com grande predominância de vendedores de reprodutores bos indicus, em virtude da grande influência que possuem no Brasil e do maior porte desses rebanhos, segregando, assim, os bos taurus a um segundo plano.

Porém, para desvendarmos as sumidades do setor, foi iniciada em março a coleta de informações para o levantamento, que se dará por adesão voluntária dos vendedores de touros através de consulta aberta na Internet. O questionário foi disponibilizada no site http://www.assessoriaagropecuaria. com.br/questionário-top 100 e nas redes sociais dos envolvidos na parceria para que os pecuaristas possam responder com seu nome, nome da fazenda, número de touros vendidos por raça, quantidade comercializada em leilão, venda direta na propriedade e se participa de programa de melhoramento genético.

Assim que o projeto foi lançado, no mês de fevereiro, as associações de raça foram comunicadas e ajudarão na checagem e validação das informações fornecidas pelos participantes que sejam associados a essas entidades, com apoio dos controles feitos no Serviço de Registro Genealógico. A apuração já acontece neste mês de abril.

O critério fundamental do TOP 100 será o volume de reprodutores vendidos por ano. Para os produtores que trabalham com mais de uma raça, algo costumeiro para os criadores de raças europeias e sintéticas, será considerado o somatório das diferentes raças comercializadas.

Para os produtores de touros, o levantamento será uma ferramenta de promoção do trabalho e do fortalecimento de suas marcas, especialmente para aqueles que não promovem leilões e acabam sendo menos visualizados no mercado. Para as raças de bovinos, será um bom “Raio X” da representatividade de cada grupo genético na pecuária brasileira.

Bons exemplos

Longe dos holofotes do agronegócio, uma fazenda no município de Terenos, no Mato Grosso do Sul, é especializada na comercialização de touros. Por anos, a propriedade disponibiliza mais de mil reprodutores com idade entre 20 e 23 meses, prontos para cobrir a vacada na estação de monta.

Segundo a propriedade, em 2014, comercializavam-se os reprodutores por uma média de R$ 10 mil. Já no último ano, o valor chegou a R$ 12.000, aumento de 20%. A demanda aquecida pela genética da fazenda não se restringiu apenas ao Estado. Houve negociações para os estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Pará, Acre, Amazonas e Roraima.

Outra fazenda, no mesmo município, também teve sua comercialização aquecida: com 60% dos touros disponíveis sendo adquiridos antes mesmo da estação de monta chegar. De acordo com o gerente da propriedade, o bom desempenho e melhoramento genético dos touros chamou a atenção dos criadores, que impulsionaram as vendas, em 2015.

Esses dois casos são apenas uma modesta demonstração de um universo pouco explorado na pecuária brasileira. Agora, cabe a todos aos pecuaristas que fizeram acontecer no último ano, não somente com o intuído de vender seus animais, mas também com o nobre propósito de semear genética de qualidade para todas as regiões do País, participar da pesquisa aberta e torcer para figurar entre os Top 100.

Importância do reprodutor

Não podemos esquecer do protagonista dessa história, o touro, o grande responsável pela genética dos animais produzidos no território brasileiro, pois, apesar do grande crescimento da Inseminação Artificial no País, 90% dos bezerros gerados são produtos de monta natural. Portanto, o impacto que os reprodutores têm na pecuária nacional é de primeira grandeza.

A eficiência reprodutiva dos rebanhos, o desempenho e a produtividade dos animais na recria e na engorda, o ganho de peso e a conversão alimentar nos confinamentos, a idade e o peso ao abate e a qualidade do produto final (carne) são invariavelmente afetados pela qualificação do animal.

Pode soar como exagero, mas o reprodutor é um insumo que afeta todas as etapas de uma exploração pecuária, desde o nascimento do bezerro até a quantidade e qualidade da carne produzida e que chega às gôndolas dos supermercados, boutiques de carnes, açougues e churrascarias.