Genética

Uma bioeconomia

Avaliação genética do Programa Nelore Brasil terá referencial financeiro

Thell Castro

O Índice Bioeconômico será integrado à avaliação genética dos rebanhos das mais de 300 fazendas participantes do Programa Nelore Brasil. De forma pioneira, a ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores) incorpora, para uso regular e permanente, um índice de avaliação genética que contempla especialmente os aspectos econômicos e o lucro para o produtor. O lançamento oficial do Índice será promovido em Ribeirão Preto (SP) no tradicional seminário da Entidade, juntamente com o Sumário de Touros, no dia 13 de maio de 2016.

O Índice Bioeconômico foi aprovado de forma conjunta pela diretoria e pelo Grupo de Trabalho Consultivo da ANCP em dezembro de 2015. Os estudos que levaram à criação do índice foram realizados durante mais de dois anos e se basearam em uma fazenda-padrão localizada na região Centro- Oeste do Brasil. Entre as variáveis mais destacadas estão: precocidade, fertilidade e ganho de peso, além de características de carcaça, como a área de olho de lombo (AOL), altamente relacionada com o rendimento na hora do abate.

O presidente da ANCP, Prof. Raysildo B. Lôbo, ressalta que a “avaliação genética no Brasil está assumindo novos patamares a partir de um índice econômico variável, que acompanhará as alterações constantes que ocorrem nos sistemas produtivos brasileiros”. Ele acrescenta que o desenvolvimento do índice foi pautado na identificação das características e ponderadores que contemplam os aspectos econômico-financeiros da produção pecuária de corte no Brasil.

“Dessa forma, além de simplificar a comparação entre os animais, o índice propiciará aos associados da ANCP, participantes do Programa Nelore Brasil, o atendimento a seus clientes com uma oferta de produtos de alta qualidade genética, que irão maximizar a lucratividade de seus rebanhos”, explica Lobo.

Segundo o criador Carlos Viacava, vice-presidente da ANCP, o Índice Bioeconômico representa um avanço em relação ao índice tradicional por ter sido construído com base em informações econômicas e financeiras de uma propriedade agrícola representativa da média das fazendas de pecuária, cujo sistema de produção envolve o ciclo completo: cria, recria e engorda.

“As DEPs (Diferenças Esperadas de Progênie) consideradas no Índice foram escolhidas após dois anos de pesquisas a respeito da influência de cada característica sobre os resultados econômicos de uma fazenda dedicada ao ciclo completo. Dessa forma, o comprador de reprodutores ou matrizes poderá decidir sua aquisição com base em informações sobre os resultados econômicos esperados”, esclarece Viacava. As diversas DEPs continuarão a ser divulgadas, permitindo também ao comprador escolher os animais portadores de características que atendam melhor as suas necessidades. “Mais leite, mais fertilidade ou mais precocidade, por exemplo”, cita o criador, que chama a atenção para o progresso gerado pelo Índice. “É mais um avanço nos trabalhos da ANCP, sempre na vanguarda do melhoramento genético”, resume.

Fundamentação

Em artigo intitulado “Índices de Seleção: uma ferramenta para uma seleção harmônica”, o Prof. Raysildo Lôbo, juntamente com outros pesquisadores (Fernando Baldi, Luis Gustavo Figueredo, Cláudio Magnabosco, Luiz Antonio Bezerra e Carina Faria), apresentou a utilização de modelos bioeconômicos como ferramentas de captação da complexidade dos sistemas de produção.

De acordo com o artigo, os modelos bioeconômicos podem ser definidos como uma programação matemática composta por um conjunto de equações de lucro, que permite uma descrição completa dos fenômenos biológicos e econômicos entre as características e o cenário produtivo do sistema analisado. A metodologia baseia- -se em sistemas de análise econômica e produtiva que correlacionam os custos, as receitas, os dados biológicos e a caracterização caracterização dos recursos físicos e de manejo de propriedades reais ou simuladas.

Uma vez definidos claramente os objetivos de seleção do sistema, seja pela sua influência sobre os ingressos ou pela sua incidência sobre os custos do sistema, deve ser modelado um sistema de produção que represente o que se poderia esperar como um sistema típico em um horizonte de 5 a 7 anos, sobre o entendimento que a melhora genética realizada hoje terá seu efeito acumulado em alguns anos.

Finalmente, sobre esse sistema são estimados os valores econômicos com a modificação de uma unidade em uma das características identificadas como objetivos de seleção, mantendo as demais constantes. Ao se incrementar uma unidade em cada uma das características do objetivo, obtém-se uma nova margem para cada característica. Ao se subtrair o valor da margem bruta do sistema base, se logra uma margem bruta incremental que pode ser definida como o benefício por adicionar uma unidade da característica “x”, mantendo constantes as demais características de interesse.

O trabalho aponta como exemplo a seguinte hipótese: se o peso aos 450 dias de idade dos animais é incrementado em uma unidade, a mudança unitária dessa característica determina uma mudança nos requerimentos dos animais, que é ajustado com um incremento do consumo. Como consequência, a demanda animal é ajustada aos novos requerimentos, uma vez que a área total do sistema produtivo se mantém constante.

Contudo, o lucro por animal aumenta, pois deverá obter um maior peso dos animais aos 450 dias de idade. Dessa forma, os pesquisadores concluem que o valor econômico considera a margem extra, obtida pelo aumento em desempenho da característica descontando o custo extra de produção necessário para atingir o novo patamar na característica.

Raysildo Lôbo ressalta que a avaliação genética no Brasil está assumindo novos patamares

Nelore Brasil

O Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), criado em abril de 1988, passou a se chamar Programa Nelore Brasil em 2003. Foi idealizado por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, liderados pelo Prof. Raysildo B. Lôbo, com a colaboração do zootecnista Cláudio Magnabosco e dos criadores Cláudio Sabino Carvalho (in memoriam), da Fazenda Santa Maria (Naviraí/MS), e Newton Camargo Araújo, da Fazenda Europa (Uberaba/MG), que colocaram os dados de seus rebanhos à disposição para o desenvolvimento de pesquisas com DEPs e melhoramento genético animal.

O Programa Nelore Brasil foi pioneiro em utilizar o Modelo Animal nas Avaliações Genéticas, gerando DEPs para efeito direto e materno a partir de 1993. A primeira Avaliação Genética de Touros, Matrizes e Animais Jovens foi publicada, em formato de sumário, em 1995, utilizando dados de 27 rebanhos, com sete características, sendo seis de crescimento e uma de fertilidade.

Atualmente, o programa disponibiliza DEPs para 28 características de interesse para a pecuária de corte, além do índice MGT (Mérito Genético Total) para a raça Nelore, utilizando dados de mais de 300 rebanhos. Em 2014, o Programa Nelore Brasil disponibilizou as DEPs Genômicas, com a incorporação dos marcadores moleculares Clarifide 2.0. Ao todo, são 22 características genômicas.


Warning: getimagesize(/revistas/ag/imagens/id_405/genetica_1.jpg) [function.getimagesize]: failed to open stream: No such file or directory in /home/storage/a/fb/47/edcentaurus/public_html/edcentaurus/application/controllers/AgController.php on line 441