Confinador

COMBINAÇÃO FAZ A DIFERENÇA

Efeitos de bioflavonoides e amilase sob o desempenho de bovinos de corte terminados em confinamento

João R. R. Dórea e Tiago Sabella Acedo

O uso de aditivos nutricionais para incrementar o desempenho animal tem sido cada vez mais demandado na produção de bovinos de corte. Com o uso desses aditivos, objetiva-se aumentar a produtividade animal e sua eficiência alimentar. Desse modo, é possível produzir maior quantidade de carne com melhor uso de recursos alimentares. Tal fato torna o processo produtivo mais sustentável e alinhado com as necessidades socioambientais.

Os bioflavonoides são substâncias existentes em plantas e têm efeitos benéficos na nutrição animal. O uso desses compostos alia ciência e produção sustentável, uma vez que os bioflavonoides podem substituir o uso de antibióticos para fins nutricionais e não têm restrições mercadológicas, sendo aceitos por qualquer país importador da carne brasileira. Dessa maneira, esses compostos têm sido utilizados para modular a fermentação ruminal, com o objetivo de otimizar esse processo, aumentando a produção de propionato no rúmen e promovendo maior eficiência energética ao animal.

É válido salientar que existem na natureza inúmeros compostos classificados como bioflavonoides e seus efeitos são variados. Ou seja, nem todo bioflavonoide tem as características necessárias para modular a fermentação ruminal. Para tanto, o composto deve ter capacidade bactericida e/ou bacteriostática para controlar o crescimento de um grupo de micro-organismos específicos, os gram positivos. Assim, controlando o crescimento desses micro-organismos, o desenvolvimento de outros grupos é priorizado, incrementando a produção de propionato, principal fonte de energia para o ruminante.

Além do uso de aditivos moduladores da fermentação ruminal, como os bioflavonoides, o uso de enzimas em dietas para ruminantes é amplamente discutido, tendo em vista seu potencial em aumentar a digestibilidade dos alimentos e, consequentemente, promover ganhos produtivos.

As enzimas são proteínas que auxiliam na digestão dos alimentos melhorando seu aproveitamento. Um dos ingredientes utilizados em grande quantidade na dieta de animais em confinamento é o milho, fonte de amido, que é altamente energético. A amilase é uma enzima que atua na quebra do amido em açúcares prontamente disponíveis para serem utilizados pelos micro- -organismos ruminais e pelo animal, melhorando sua utilização e eficiência e diminuindo as perdas de amido/ milho nas fezes.

Os bovinos de corte em confinamento recebem uma dieta balanceada e altamente energética para que os animais apresentem alto desempenho em termos de ganho de peso. Nessas condições, todos os nutrientes que compõem a dieta dos animais devem ser de alta qualidade nutricional e oferecidos em quantidades compatíveis com o desempenho desejado. Nesse contexto, os minerais e as vitaminas devem estar presentes em quantidades corretas e serem de fontes mais biodisponíveis, como é o caso dos Carbo-Amino-Fosfoquelatos e das vitaminas no conceito OVN (Optimum Vitamin Nutrition).

Os Carbo-Amino-Fosfoquelatos são comprovadamente fontes de minerais mais biodisponíveis que os minerais na forma inorgânica (sulfatos ou óxidos). Assim, os animais tratados com fontes de melhor qualidade nutricional apresentam desempenhos superiores.

O mesmo ocorre quando os animais recebem em suas dietas níveis adequados de vitaminas, como os propostos pelo OVN. O conceito de suplementação de vitaminas OVN foi estabelecido com base em anos de pesquisa, e é um inovador instrumento que traz níveis vitamínicos na dieta capazes de garantir um bom funcionamento do organismo animal, promovendo maior saúde, menor incidência de patologias, maiores níveis de produtividade e melhora na qualidade do produto final (carne).

Para avaliar o impacto da união de todas essas tecnologias, foi realizado o maior experimento com bovinos de corte em confinamento já conduzido em universidades brasileiras, através de uma parceria público-privada entre USP/ Esalq e a DSM.

A USP/Esalq é uma das universidades de maior expressão na América Latina na área de Ciências Agrárias, sendo reconhecida internacionalmente pela qualidade dos trabalhos de ensino, pesquisa e extensão realizados. O experimento realizado nas instalações do Departamento de Zootecnia da USP/Esalq ocorreu entre os dias 21 de novembro de 2014 e 24 de fevereiro de 2015. Esse trabalho foi coordenado pelo prof. Flávio Augusto Portela Santos, professor titular da instituição, e conduzido por seus orientados de mestrado, Murilo Meschiatti, e de graduação, Lucas Pellarin.

Foram utilizados 300 bovinos de corte, da raça Nelore, machos inteiros, mantidos em sistema de confinamento, distribuídos em 50 baias. Os animais receberam dieta demonstrada no gráfico 1.

Os aditivos foram adicionados à dieta padrão citada anteriormente, e avaliada quanto aos parâmetros de: consumo de matéria seca, ganho de peso, eficiência alimentar, rendimento de carcaça, peso de carcaça quente, entre outros.

Os tratamentos avaliados no experimento foram:

1. dieta padrão + monensina;

2. dieta padrão + blend de bioflavonoides;

3. Dieta padrão + blend de bioflavonoides + monensina;

4. Dieta padrão + blend de bioflavonoides + amilase;

5. Dieta padrão + blend de bioflavonoides + amilase + protease.

A adaptação dos animais foi realizada diminuindo a proporção de bagaço de cana in natura (BIN) da dieta, até que a mesma alcançasse o nível de BIN final (8,5%). Dessa maneira, dos dias 1 a 5 da adaptação, ela continha 25% de BIN; dos dias 6 a 10, a dieta passou para 20% de BIN; dos dias 11 a 15, passou para 15% de BIN; e a partir do dia 16, ficou com o nível de BIN igual à dieta final (8,5%), conforme gráfico 2.

Após 28 dias de experimento, foi realizada a primeira pesagem, com objetivo de mensurar o impacto dos aditivos no desempenho animal, consumo de matéria seca (CMS) e eficiência alimentar (EA) no período de adaptação.

A inclusão do blend de bioflavonoides na dieta aumentou o ganho de peso diário (GPD) em 14,5%, e o CMS, em 6,8%, quando comparado à dieta com monensina durante a fase de adaptação. Quando de bioflavonoides, o GPD aumentou 23,3% e a eficiência alimentar, 12,4%, em comparação com a monensina, durante a adaptação dos animais. Não gerou benefício em GPD a associação dos bioflavonoides com a monensina em comparação à dieta somente com monensina (gráfico 3). Além desses incrementos produtivos obtidos pelos bioflavonoides e pela amilase, um outro ponto que deve ser destacado é o aumento do CMS durante a fase de adaptação, que é um fator determinante do desempenho dos animais ao longo do período de confinamento.

O resultado do experimento conduzido na USP/Esalq manteve- -se pelos 90 dias de confinamento, ou seja, a resposta positiva ocorreu durante a fase de adaptação e permaneceu ao longo do experimento inteiro, conforme observa-se na tabela 1. Durante todo o período experimental, quando a amilase foi combinada com os bioflavonoides, o GPD foi superior a todos os tratamentos, com exceção da dieta com os bioflavonoides somente. A combinação bioflavonoides e amilase foi responsável por produzir 12,2 kg a mais de carcaça em relação ao tratamento controle (monensina) – tabela 1.

Considerando que o preço recebido pelos animais no dia do abate foi de R$ 144/@, a dieta com bioflavonoides e amilase incrementou a receita na venda dos animais em R$ 117 por animal no período de 90 dias (12,2 kg a mais de carcaça produzidos/ animal). Esses ganhos econômicos são extremamente significativos e certamente podem aumentar a rentabilidade do confinador brasileiro. É importante frisar que animais com maiores taxas de ganho de peso permanecem menos tempo no confinamento, o que implica em redução dos custos da arroba produzida, devido à menor quantidade de alimento ofertado no período de confinamento. Esse fator combinado com aumento no GMD eleva ainda mais a lucratividade do negócio.

A combinação dos bioflavonoides e amilase produziu mais carcaça, logo mais carne e mais dinheiro ao confinador. Os ganhos obtidos com essa combinação são capazes de incrementar mais lucratividade ao negócio, de maneira sustentável, prática e eficiente.

*João Dórea é engenheiroagrônomo e estudante de pósdoutorado na University of Wisconsin-Madison **Tiago Sabella é zootecnista e gerente de Inovação e Ciência Aplicada Latam DSM-Tortuga


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