Política

SEM CHAPA ÚNICA

Depois de 22 anos, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) revive uma disputa eleitoral

Agora é pra valer! Mal terminava o ano de 2015 e uma disputa quente já se acirrava à presidência da ABCZ, entidade máxima representativa das raças zebuínas e que possui mais de 20 mil associados. Algo que não se via desde o embate vivenciado por Rômulo Kardec de Camargos e José Olavo Borges Mendes, na década de 1990. Anteriormente, havia apenas a inscrição de chapa única, a qual cabia aos associados endossar ou repudiar. De um lado está Frederico Cunha Mendes, candidato que representa a situação e conta com o apoio dos criadores do porte de Jonas Barcellos, Jovelino Carvalho Mineiro e Pedro Gustavo Novis, além do presidente atual, Luiz Cláudio Paranhos. Todos confirmados para estarem ao lado dele em um efetivo mandato.

Hoje, a ABCZ exerce importante papel junto ao governo e às demais entidades defensoras dos interesses dos pecuaristas e dos produtores rurais em geral. Foi ela quem solicitou a inserção da “Pecuária”, na nomenclatura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), também comandou os acalorados debates que envolveram o setor na Conferência Rio+20 e reforçou a defesa da carne brasileira em Anuga, perante ataques de pecuaristas e parlamentares europeus que tentavam denegrir a imagem do produto nacional. “A ABCZ participa ativamente das grandes lutas em defesa dos produtores. É um trabalho diário e que ainda precisa se consolidar, visto que os desafios atuais são muito maiores do que os de 20 ou 30 anos atrás”, lembra o criador Frederico Cunha Mendes, ou apenas Fred, como é chamado no meio rural, que tem o apoio de 15 dos 17 membros dos conselhos vigentes.


Arnaldinho Souza

Arnaldinho Souza – Maturidade e Experiência 63 anos
– Médico-veterinário pela UFMG
– Jurado na ABCZ desde 1983
– Consultor e selecionador de Nelore PO
– Mérito Pecuário ABCZ 2000 e Mérito Asocebu-Bolívia 2001
– Membro permanente do Conselho Deliberativo Técnico da ABCZ
– Participou de várias gestões entre 1980 e 2015


Fred Mendes

Fred Mendes –Disposição e Inovação 46 anos
– Medico-veterinário pela UFMG
– Pós-graduado em Reprodução Animal pela Universidade de Saskatchewan (Canadá)
– MBA em Gestão Empresarial pela FGV
– Pioneiro na ultrassonografia e transferência de embriões
– Selecionador de Nelore PO e empresário
– Participou de duas gestões da ABCZ


Dentro do Parque Fernando Costa, onde fica a sede da ABCZ, em Uberaba/ MG, assim como acontece na pecuária moderna, uma das grandes metas de Fred é fazer mais com menos, ou seja, desonerar o associado através de parcerias, patrocínios e, quando não for possível, agregar mais benefícios aos preços já estipulados nos serviços. Uma forma de conseguir tal objetivo seria a desburocratização do Serviço de Registro Genealógico, algo que já vem sendo realizado, conforme aponta Fred, que é diretor de Tecnologia da Informação da ABCZ e promoveu mudanças no sistema após estabelecer um canal de comunicação com os associados. De acordo com Fred, essas mudanças impactam diretamente o Sistema Produz, o software de gestão oficial da ABCZ, o qual possui interface com o Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ), que já roda avaliações genéticas próprias e intensificará o foco na avaliação de carcaça, uma necessidade da pecuária sustentável. O PMGZ já avaliou mais de 12 milhões de zebuínos.

Segundo o plano de governo de Fred, o Produz será ampliado para atender áreas extragenética bovina como adubação de pastagens, manejo, sanidade e nutrição. Iniciativa pioneira que transporá a barreira dos computares para os campos da Estância Orestes Prata Tibery, de 70 ha, onde serão oferecidos aos associados cursos gratuitos nessas linhas. Já com o amparo do corpo técnico do Colegiado de Jurados, conselheiros das entidades nacionais e regionais e também de ex-presidentes, Arnaldinho e Carlos Viacava, ressaltam que é preciso ir além, especialmente quando o assunto é o PMGZ. “Nos últimos três anos, a ABCZ empenhou-se em ressuscitar seu programa próprio, criado nos anos 1980. Felizmente o PMGZ, adormecido até recentemente, está sendo reativado, o que sem dúvida vem ao encontro, embora tardiamente, das tendências de mercado”, analisa Viacava.

Segundo ele, ao mesmo tempo em que desenvolve o PMGZ, a ABCZ deve prestigiar todos os demais programas e incentivar o debate das metodologias empregadas para melhorar o conhecimento geral sobre o tema. E quando ele diz programas, refere-se às iniciativas desenvolvidas pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), Conexão Delta G e até mesmo o Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip), concedido pelo Ministério da Agricultura a programas realmente melhoradores, entre outros projetos.

Em visita à redação da Revista AG, Fred rebateu a crítica dizendo que o PMGZ tem crescido nas últimas gestões e criado elementos como a Expogenética, em que todos os demais programas de avaliação genética podem mostrar seus diferenciais”, ressalta. O candidato disse que reformulou o programa, rodando as DEPs, agora, internamente e trabalhando as tendências genéticas, inserindo, por exemplo, os 3Ps na avaliação (Possibilidade de Prenhez Precoce)

Outro ponto levantado por Carlos Viacava seria em relação à mecânica do Registro Genealógico. “O gado Puro de Origem (PO) ou Livro Aberto (LA), que inclui animais de genealogia desconhecida ou parcialmente desconhecida, é aquele controlado pela ABCZ, mas a maioria do gado zebuíno existente no Brasil não está nessa condição”, salienta.

Viacava cita como exemplo o gado de origem indiana que, segundo ele, é desconhecido atualmente pela ABCZ, tanto que é chamado de “cara limpa”, por não ter a marca da entidade queimada na face. Parte desse gado também pode ser PO, com genealogia desconhecida, e outra parte é originada de diversos cruzamentos, como acontece com a maioria do gado PO, originou-se de cruzamentos absorventes de raças zebuínas com o gado existente no Brasil, antes dessas novas importações do gado indiano.

Para ele, é função da entidade dar atenção a todos esses rebanhos e oferecer assistência técnica, incluindo melhoramento genético, e com isso ampliar a área de atuação, conquistando, assim, mais representatividade e peso específico no cenário político institucional brasileiro. “Nossa proposta é aproximar a ABCZ desse enorme contingente de criadores, buscando melhorar a qualidade do gado e da carne brasileira”, conclui Viacava.

Questionado pela Revista AG sobre o assunto, Fred respondeu que, para a genética trazida da Índia, a ABCZ possui o Livro Especial de Importação - LEI (não é reconhecida a denominação Puro de Origem Importado – POI), no qual os animais podem ser registrados. Caso o criador tenha uma vaca indiana e queira acasalá-la com um touro PO, a progênie poderá também ser registrada como puro de origem.

No artigo 154 do Serviço de Registro Genealógico, consta que isso poderia ser feito para os animais nascidos até 31/12/2008, mas Fred garante que nada mudou e ainda complementa que não é contra o selo Ceip, pois entende que é um programa realmente melhorador, mas discorda da terminologia de raça empregada pelas propriedades filiadas a ele (Nelore Ceip), posto que não são animais registrados.

Polêmicas à parte, os dois candidatos, que poderão inscrever as suas respectivas chapas após a publicação do edital de convocação, feita geralmente no início de maio, enxergam como prioridade a necessidade de redução de custos aos associados e de estreitar as relações da associação com as demais entidades promocionais de raça e as representativas do setor como um todo.

No tocante a equilibrar dois extremos de seleção - “Critério de Pista” versus “Avaliações a Pasto” - a ABCZ já elabora um projeto junto às associações de raça para que entrem na pista de julgamento somente animais com TOP de no mínimo 50% nos programas de avaliação genética, uma iniciativa que pode ser continuada por ambas as chapas, afinal trata-se de uma exigência do mercado atual.

Para Arnaldinho, ainda é essencial fortalecer o elo entre os criadores e a associação. “Isso será feito através da valorização do trabalho do corpo técnico, do aprimoramento de todas as ferramentas de melhoramento e programas de avaliação das raças, e o fomento das atividades de criação, comercialização e promoção do zebu”, finaliza o candidato.


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