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VOO DO ZANGÃO

Drones aterrissam na pecuária brasileira e o criador ganha mais um aliado para mapeamento e manejo da pastagem e do rebanho

Adilson Rodrigues adilson@revistaag.com.br

É um pássaro, é um avião? Não, e também não é um Ovni (objeto voador não identificado). Trata- -se do Veículo Aéreo Não-Tripulado (Vant) ou apenas drone, como são conhecidos mundialmente. O protótipo ganhou esse apelido devido ao zumbido que emite, muito parecido com um zangão, e é essa a tradução para o português.

Outra teoria para o nome data de 1935, quando o almirante norte- -americano William Stendler visitou a Inglaterra para acompanhar um treinamento de tiro a alvos controlados remotamente, modalidade batizada de Queen Bee (abelha rainha). Ao voltar aos EUA, designou o comandante Delman Farn para criar um projeto similar, posteriormente batizado de drone, em homenagem aos ingleses.

Diferenças à parte, o aeromodelismo que mais parecia com uma brincadeira de criança já promete movimentar gordas cifras de R$ 200 milhões. São dados extraoficiais compilados por Emerson Granemann, diretor da MundoGEO e idealizador da DroneShow - o primeiro evento voltado a essa tecnologia no Brasil -, após comparações com dados mundiais e trocas de informação com empresários brasileiros, associações de profissionais e análise em comunidades especializadas.

“Este aquecimento do mercado está provocando a criação de novos empregos, em um momento importante e de economia nacional fragilizada. Estima-se que, neste ano, sejam criados entre três e cinco mil postos de trabalho, ligados direta ou indiretamente à cadeia produtiva do setor, gerados por fabricantes, importadores, prestadores de serviços de mapeamento e monitoramento, além de pilotos profissionais”, espera Granemann.

A visão privilegiada das abelhas na polinização agora é o grande trunfo do pecuarista para mapear pastagens, monitorar gado nas propriedades mais extensivas e até manejá-lo. Uma rápida busca no Youtube já traz alguns bons exemplos de propriedades que utilizam o drone na condução dos lotes.

Segundo Ricardo Fonseca, sócio na Drone Images, a escolha do melhor modelo depende muito da necessidade e do tempo de voo, mas indica que um equipamento de bom custo-benefício teria preço médio de R$ 8.000,00, dependendo da cotação do dólar no dia da compra. Ele também chama a atenção à importância de o aparelho ser homologado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Quem não era fã de aeromodolismo conta com cursos de capacitação. Entretanto, uma dica fundamental seria em relação à área de alcance entre o receptor e o transmissor. “O drone tem autonomia de sinal de rádio de 2 km de raio e 2 km de altura, contados a partir do controle remoto. Em áreas urbanas, apenas 360 metros de altura são permitidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Anatel”, adverte Fonseca. Mas fique tranquilo, um sistema de segurança faz o veículo não tripulado retornar ao ponto de onde decolou a qualquer registro de perda de sinal ou indicação de carga de bateria insuficiente.

“Os três principais motivos que podem causar queda são bateria baixa, chuva e ventos acima de 25 km/h”, esclarece o sócio da Drone Images. “E apesar da aparência frágil, ele possui boa resistência a quedas de pequenas alturas”, garante o especialista. sinal de rádio de 2 km de raio e 2 km de altura, contados a partir do controle remoto. Em áreas urbanas, apenas 360 metros de altura são permitidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Anatel”, adverte Fonseca.

Mas fique tranquilo, um sistema de segurança faz o veículo não tripulado retornar ao ponto de onde decolou a qualquer registro de perda de sinal ou indicação de carga de bateria insuficiente. “Os três principais motivos que podem causar queda são bateria baixa, chuva e ventos acima de 25 km/h”, esclarece o sócio da Drone Images. “E apesar da aparência frágil, ele possui boa resistência a quedas de pequenas alturas”, garante o especialista.

Além do equipamento em si, a escolha do software pode influenciar na funcionalidade. Existem algumas opções no mercado, com diferenças específicas. Especialmente para o segmento pecuário, de acordo com o sócio da Drone Images, há o programa que faz a integração de imagens. Ainda existem outros, que assim como um smarthphone Android, IOS ou Windows Phone, conectam o dispositivo ao sistema de armazenamento em nuvem, onde as fotos em alta resolução podem ser salvas adequadamente.

OPÇÕES

O engenheiro-agrônomo Rodolfo Wartto Cyrineu, diretor-proprietário da Suporte Rural Consultoria (Brasil) e Agro- Kamba (Angola), lembra que há dois modelos vistos mais comumente no mercado, um que lembra um helicóptero com quatro ou oito hélices (quadricópteros ou octocópteros) e outro mais parecido a um planador, com apenas uma hélice com eixo horizontal. “A utilização vai de acordo com o objetivo do usuário”, assinala.

Os quadricópteros e octocópteros têm ganhado a preferência na realização de filmagens, devido à estabilidade e à relativa facilidade de controle, pois os sistemas de navegação proporcionam comodidade ao operador. Quanto àquele em formato de planador, o uso está mais ligado à aerofotogrametria, que consiste em realizar um voo por rota planejada, com o intuito de capturar fotos em pontos programados, a fim de se construir um mosaico que permita registrar uma determinada área de interesse.

“O planador tem ganhado muito espaço na agricultura, na captura de imagens das plantações e na realização de análises qualitativas e quantitativas”, aponta Cyrineu. As imagens capturadas durante o voo são processadas por um software específico, podendo ser acrescentados pontos de controle ao mapeamento. Isso é feito através da localização por GPS.

O engenheiro-agrônomo informa que, com o ortomosaico, é possível realizar diversos estudos. Entre eles pode-se destacar o cálculo de área do CAR (Cadastro Ambiental Rural); e o levantamento do tipo e do tamanho de vegetação existente na propriedade para determinação da APP (Área de Preservação Permanente) e Reserva Legal.

Também pode ajudar a especificar a topografia do local por classes de declividade; identificar falhas no plantio; computar porcentagens de ocupação do solo; realizar planejamentos para plantio e colheita; inclusive determinar áreas inexploradas de uma propriedade rural, informação importante no momento da compra de uma propriedade.

“O drone vem ganhando espaço nas atividades rurais, melhorando as tomadas de decisão do produtor e auxiliando no processo de maxi- Conjunto de drone quadricóptero e controle remoto mizar os resultados econômicos, sendo que, em pouco tempo, será uma tecnologia indispensável no setor rural”, aposta Cyrineu.

O potencial de venda é tão grande que tem atraído o interesse de empresas de outros setores. “A utilização de drones é um novo ciclo de tecnologia que invade o campo. A ferramenta possui uma grande versatilidade, já que pode desempenhar inúmeras funções na propriedade”, afirma Fernando Avona, gerente de Marketing da Premix, que anunciou parceria com a Drone Images.

Entre as funcionalidades mais comuns na pecuária, ele destaca o acompanhamento da pastagem, o remanejamento, a telemetria, a contagem e o manejo do rebanho, além da busca por animais perdidos.

Por ser um objeto voador, o aeromodelo também está sujeito à legislação da Anac, agência que regulamenta o setor e está normatizando as altitudes permitidas em perímetro urbano e rural, entre outras exigências. Confira no link www2.anac.gov.br/rpas. Na Anac, os drones são chamados de RPAs (sistemas de aeronaves remotamente pilotadas).

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