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Estamos fazendo direito?

Vacinação é proteção, porém, se o procedimento for mal conduzido, pode gerar grandes prejuízos aos pecuaristas

Roberto Nunes Filho

A sanidade é um dos pilares mais importantes na rotina de uma propriedade. Afinal, animais debilitados geram prejuízo. Nesse contexto, a vacinação exerce um papel estratégico para os negócios, cujos processos devem ser sempre planejados e aperfeiçoados. O objetivo de vacinar o rebanho é prevenir a ocorrência e a disseminação de doenças, mantendo-o saudável e minimizando perdas econômicas. O grande desafio de qualquer fazenda, no entanto, é não fazer da própria vacinação uma fonte de prejuízos.

Um processo inadequado, além de manter os animais expostos a sérias doenças, também impacta na receita do produtor no instante do abate. Atualmente, o que se vê nos frigoríficos são grandes quantidades de carne descartadas por causa de falhas no procedimento. É na hora da toalete da carcaça que fica claro o tamanho da perda.

A legislação brasileira, com base no artigo 157 do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), estabelece que partes de carcaças ou órgãos atingidos por abcessos ou lesões devem ser removidos, assim como áreas que sejam acidentalmente atingidas por pus.

Alguns estudos realizados no Brasil mostram o tamanho dessa perda. O projeto “Na Medida”, fruto de uma parceira entre a Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), constatou que as perdas com reação vacinal podem chegar a 6,5 kg por animal, o que corresponde a um prejuízo em torno de R$ 70 por animal, considerando o atual valor da arroba.

Reação vacinal no animal vivo, na carcaça e após o toalete

Sobre a pesquisa, finalizada em 2014, o coordenador do projeto e professor da Unesp, Roberto de Oliveira Roça, conta que foram avaliados 1.012 bovinos, divididos em 19 abates. “Os resultados foram analisados de forma coletiva, com apresentação dos valores totais de cada lote avaliado. Ao calcular as perdas, o resultado da reação vacinal alcançou o valor máximo de 6,5 kg por animal, considerando 1,65% de lesões em relação ao peso vivo pré-jejum”, esclarece o especialista. “Isso indica que há necessidade de informação e treinamento da prática de vacinação na propriedade rural para que as perdas sejam reduzidas.”

Tipos de reações

As principais reações causadas pelas vacinas em bovinos é a formação de abscessos (inchaço gerado pelo acúmulo de pus) ou de granulomas nos locais de aplicação, popularmente conhecido como caroço. Os abscessos são formados pelo uso de seringas e agulhas sujas, que introduzem bactérias no local.

“Já os granulomas são uma resposta inflamatória do organismo contra alguns componentes da vacina ou pela aplicação incorreta”, explica o professor da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Cairo Henrique Sousa de Oliveira. “As vacinas oleosas, que é o caso da vacina contra febre aftosa, tendem a causar maior formação de granulomas, pois esse componente oleoso, tecnicamente conhecido como adjuvante, é usado para potencializar a vacina e pode provocar pequenas reações locais. Quando a via de aplicação é subcutânea (embaixo da pele), caso a agulha seja introduzida em pequenas partes da musculatura superficial durante a aplicação, a reação inflamatória é maior e favorece sua formação”, complementa.

O organismo do animal também pode agir negativamente. Alguns animais podem apresentar reação mais intensa contra alguns componentes das vacinas e isso contribui para a geração de resposta inflamatória. “Mas isso é menos comum, pois é uma característica isolada de pouquíssimos indivíduos”, observa Oliveira.

A qualidade do produto é outro fator causador das reações. Por isso, o produtor deve observar o prazo de validade e a forma de conservação da vacina. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) fiscaliza a produção e a liberação de lotes de vacinas produzidas no Brasil de forma rigorosa e criteriosa, assim, o produto legalmente produzido atualmente apresenta boa qualidade. “Porém, o tipo do adjuvante oleoso utilizado pode resultar em um produto que reaja, podendo existir diferenças entre vacinas produzidas entre as indústrias, fato que precisa ser controlado dentro do processo de produção”, complementa o especialista.

Cuidados prévios

As palavras-chaves para um manejo de vacinação racional, que garanta uma imunização eficiente, são planejamento e boas práticas. Antes de realizar a vacinação, o professor da UFG orienta que produtor deve planejar a quantidade do produto a ser comprado (devido às perdas durante o procedimento, recomenda- -se comprar 3% a mais de doses que o número de bovinos esperados), o dia da vacinação (evitar chuva, pois isso dificulta o manejo e aumenta acidentes no curral) e o treinamento ou a reciclagem do aplicador da vacina.

Outros problemas que podem prejudicar o rebanho e, consequentemente, atrapalhar o ganho do pecuarista, são as condições estruturais do curral. “Tábuas frouxas e piso encharcado podem aumentar o risco de contusões em função de escorregões e quedas”, alerta Roça, da Unesp. A recomendação é que os pecuaristas percorram o caminho por onde os animais serão conduzidos, verificando se há pregos salientes, pedras, buracos, tábuas soltas e quinas que possam prejudicar o andamento do manejo e causar danos aos animais.

O delegado do Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS), João Júnior, acrescenta ainda que o curral deve ser limpo para evitar potenciais riscos. “Por isso, essa inspeção estrutural prévia deve acontecer para que não haja danos ao rebanho e nem ao processo”, afirma Júnior.

Feito todo esse planejamento e preparo prévio do ambiente, chega o momento de atentar às vacinas – principal motivação de toda essa mobilização. Nessa etapa, é importante adquirir os produtos de revendedores idôneos e verificar as instruções de uso, bem como a data de validade do produto. De acordo com a pesquisadora em sanidade animal da Embrapa Gado de Corte, Vanessa Felipe de Souza, a temperatura de conservação deve ser respeitada, sob pena da perda de qualidade e de eventuais falhas de proteção, sendo que a maioria dos produtos deve ser conservada em ambiente refrigerado, entre 2°C e 8°C, e não devem ser congeladas.

Forma correta da aplicação de vacina por via subcutânea na região da tábua do pescoço do animal

“A forma mais indicada de transportar as vacinas é em caixa térmica, contendo a proporção de três partes de gelo para uma parte de frascos. É recomendável vedar a tampa com fita adesiva e, em caso de trajetos longos, é preciso repor o gelo derretido. E, ao chegar ao destino, esses produtos devem ir imediatamente para conservação, sendo que o recomendado é destinar uma geladeira exclusiva para armazenar as vacinas”, esclarece a pesquisadora.

Em complemento, Oliveira, da UFG, alerta para que as vacinas nunca sejam colocadas na porta da geladeira, pois a variação de temperatura nesse local é grande e influencia na qualidade. “Uma vacinação realizada de forma adequada reduz bastante a ocorrência de reações prepaindesejáveis que podem gerar prejuízo econômico para o produtor e para o País.”

Como aplicar?

Uma vacinação eficiente também deve prezar pela correta condução dos animais do pasto para o curral. Em outras palavras, os preceitos de bem-estar devem ser respeitados. Afinal, animais submetidos a atividades desgastantes, como longas caminhadas ou viagens, necessitam descansar antes da “agulhada”, pois é preciso que estejam em boas condições para responderem imunologicamente. Escolher os momentos de menor temperatura do dia também pode influenciar de forma positiva o comportamento do gado.

“O manejo do animal deve garantir o menor estresse possível, sem atropelo, pouco barulho, sem uso de violência e gritos e de preferência sem o uso de cachorros”, ressalta Vanessa, da Embrapa. Animais mais estressados e cansados respondem menos às vacinas e estarão menos protegidos. O mesmo acontece com aqueles que estão com fome e sede. “Por isso, se o pasto for muito longe do curral, os bovinos devem ser conduzidos no dia anterior para piquetes mais próximos”, acrescenta Oliveira.

O próximo passo é realizar a separação dos animais em pequenos lotes, considerando o porte de cada um, sendo que a recomendação é que somente animais sadios sejam vacinados, uma vez que os debilitados tendem a não responder à aplicação. Outro ponto importante e, muitas vezes negligenciado, é a contenção dos animais durante os trabalhos. “É fato que uma prática de contenção adequada diminui o risco de quebra de agulhas, refluxo, perda de doses e acidentes”, observa Vanessa.

Feito tudo isso (planejamento, compra adequada, conservação das vacinas, ajuste da estrutura e movimentação do rebanho), a aplicação do produto requer atenção e precisão. O local indicado para aplicação das vacinas é a tábua do pescoço, seja no músculo (intramuscular) ou embaixo da pele (subcutânea). O ponto em que a vacina será aplicada, justamente com a característica de viscosidade (oleosa ou aquosa), determinará o tamanho da agulha a ser usada. Como exemplo, para vacinas oleosas, podem ser utilizadas agulhas de calibres 10 x 15 ou 15 x 15 (em aplicação subcutânea) e 30 x 15 ou 40 x 15 via intramuscular. A melhor forma de aplicação é puxando a pele do animal e introduzindo a agulha de cima para baixo.

A higiene e o estado dos equipamentos são fundamentais nesse processo. “Para a vacinação, os materiais utilizados devem estar limpos e esterilizados. Para isso, recomenda-se a lavagem da pistola de aplicação e agulhas com água e detergente neutro. Em seguida, elas devem ser fervidas durante pelo menos 15 minutos em um recipiente com água”, descreve Oliveira. “Caso o número de agulhas seja insuficiente, o produtor pode levar um recipiente e um ebulidor para o curral e ir fervendo as agulhas durante a vacinação.”

Para evitar reações vacinais, também é indicado trocar de agulha com frequência, por exemplo, a cada 10 animais ou recarga, e a pistola ou seringa deve ser mantida dentro da caixa de isopor com gelo durante a espera. Ao final dos trabalhos, os materiais são guardados limpos e secos. “Vale lembrar ainda que não devem ser utilizadas agulhas tortas, enferrujadas, com pontas rombudas, aparência de sujas ou que tenham caído no chão, bem como as aplicações não podem ser feitas em regiões do animal com barro ou esterco. O mesmo vale para os restos de vacinas, que precisam ser destruídos, pois a introdução repetida de agulhas no frasco predispõe à contaminação do produto e pode provocar abscessos”, destaca a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte.

Outro ponto fundamental nesse processo é manter a temperatura da vacina durante a vacinação. Assim, as vacinas devem ser mantidas em uma caixa de isopor contendo gelo. Oliveira recomenda o uso de duas pistolas, pois, enquanto uma estiver em uso, a outra deve ser recarregada e mantida dentro da caixa, juntamente com os frascos de vacina. “O ideal é usar gelo reciclável (que são frascos contendo líquido congelado), porque evita o acúmulo de água no interior da caixa, o que leva a maior contaminação.”

De modo geral, não é necessário nenhum cuidado especial após a vacinação, a não ser medidas de conforto e bem- -estar animal, para minimizar a possibilidade de problemas. Como a vacinação é um processo estressante para o rebanho, vale depois da aplicação colocar os animais em uma área com boa oferta de água, alimento e sombra. Quanto melhor o organismo estiver, melhor ele vai responder à vacina.

Os animais apenas devem ser observados quanto à ocorrência de reações excessivas, que começam a ser notadas cerca de dez dias após a vacinação. A formação de feridas pode resultar na ocorrência de miíases (bicheira). E, em alguns casos, é necessária a drenagem cirúrgica dos abscessos.

Calendário sanitário

No Brasil, existem doenças que possuem a vacinação como um procedimento obrigatório, como é o caso da febre aftosa. É uma doença importante por representar uma barreira comercial e a ocorrência de um foco no País resulta em prejuízos na ordem de bilhões de dólares, assim como ocorreu em 2005, quando foi registrado o último foco da doença por aqui.

“Outra doença importante é a brucelose, que provoca problemas reprodutivos nos animais, como aborto, retenção de placenta e pode afetar o homem, sendo considerada uma zoonose. É obrigatória a vacinação de todas as fêmeas bovinas e bubalinas com idade entre três e oito meses com a vacina B-19. Além da vacinação, o animal tem de ser marcado a fogo na face esquerda com um “V” seguido do último algarismo do ano de vacinação, por exemplo, V6 para animais vacinados em 2016”, orienta Cairo Oliveira, professor da UFG.

“Por último, temos a raiva, que também é uma zoonose e é uma doença altamente letal, em que praticamente 100% dos animais acometidos morrem. A vacinação é obrigatória apenas nas regiões ou municípios considerados de alto risco para a doença. O pecuarista deve procurar o serviço de defesa agropecuária estadual e verificar a obrigatoriedade ou não da vacinação. São imunizados os animais a partir dos três meses de idade.”

Essas são as três doenças em que o produtor precisa ter mais atenção por conta da obrigatoriedade. Por outro lado, existem diversas outras doenças que acometem o rebanho bovino e que possuem vacinas disponíveis, entre elas as clostridioses, leptospirose, diarreia viral bovina (BVD), rinotraqueite infecciosa bovina (IBR), paratifo dos bezerros e mastite. “As clostridioses, cujas principais são o botulismo e o carbúnculo sintomático (manqueira), ocorrem com frequência em todas as regiões brasileiras e estão entre as vacinas mais comercializadas no País”, informa Oliveira.

Vale ressaltar que a decisão sobre a utilização de vacinas (não obrigatórias) e o período mais favorável para a sua aplicação deve estar embasados em quesitos como ocorrência das doenças na região, histórico da propriedade, tipo de exploração, sexo e idade dos animais. “De acordo com médico-veterinário, cada pecuarista deve estabelecer um calendário particular de controle sanitário do rebanho. Além disso, para medidas de ação compulsória com sanções previstas em lei, como aplicação de vacina contra brucelose nas fêmeas jovens e febre aftosa, todos os criadores devem estar atentos para essas datas, procurando o agente de Defesa Sanitária Animal de sua região para dirimir dúvidas”, alerta Vanessa.

Segundo Oliveira, professor da UFG, não é possível estabelecer um calendário de vacinação para todas as doenças, pois existem casos em que a vacinação acontecerá de acordo com o sistema produtivo, não estando relacionada a uma determinada época do ano. “Por exemplo, na vacinação contra IBR e BVD, as vacas devem ser vacinadas antes da entrada na estação de monta para evitar os problemas reprodutivos. Contra diarreia dos bezerros, as vacas devem ser vacinadas no terço final de gestação para proteger os bezerros logo após o nascimento pela ingestão do colostro. Já para problemas respiratórios em confinamentos, os animais devem ser vacinados antes da entrada dos lotes. Esses exemplos mostram que para uma vacinação de sucesso é imprescindível a orientação de um profissional capacitado.”

Vale destacar que, atualmente, o produtor tem à disposição diversas opções de vacinas polivalentes que podem otimizar a dinâmica do calendário sanitário, como é o caso das clostridioses e doenças respiratórias e reprodutivas. “A principal vantagem das vacinas polivalentes está relacionada ao fato de que em uma única aplicação é possível promover imunização contra vários agentes, representando também uma vantagem econômica. Por outro lado, a principal desvantagem está relacionada ao fato de que a imunidade gerada por uma vacina monovalente é, geralmente, superior à da polivalente”, analisa o professor.

A pesquisadora da Embrapa também aprova o uso das vacinas polivalentes, mas alerta para a necessidade de o produtor conhecer exatamente quais são os problemas da fazenda e na região. “Por isso, é preciso um bom apoio técnico para determinar quais são as reais necessidades.”

Capacitação

Não existe um cálculo exato para o número de peões necessários para um procedimento de vacinação. No entanto, Oliveira recomenda que haja um funcionário para operar a pescoceira e a porta dianteira do brete, outro para operar as portas traseiras e, por fim, mais um colaborador responsável pela aplicação.

“Caso seja realizada a aplicação de mais de uma vacina ou de outros medicamentos concomitantemente, é necessário mais um aplicador que deve se posicionar do outro lado, aplicando cada vacina em um lado do pescoço do animal. Para manejar os animais dos pastos até o curral e dentro do mesmo, outros peões são necessários para agilizar o processo de vacinação.”

A capacitação dos funcionários também deve ser vista como prioridade pelo produtor, visto que falhas no manejo das vacinas e dos animais é prejuízo na certa. Os funcionários devem estar conscientizados sobre a importância das boas práticas de manejo e vacinação para evitar a realização de procedimentos sem os mínimos cuidados. As orientações são no sentido da condução dos animais com calma, sem gritaria, agressões e superlotação. Os peões necessitam ser orientados quanto à realização da vacinação no brete de contenção e sobre a forma correta de aplicação. Os treinamentos tanto podem ser dentro das fazendas como por meio de agências de extensão rural.

Se não quiser aplicar “água” no animal, a vacina aftosa tem de ser conservada entre 2º e 8ºC

Algumas vacinas requerem equipamentos de proteção, conhecidos como EPI (Equipamentos de Proteção Individual), como é o caso da vacinação contra brucelose. “A vacina contra brucelose é uma vacina viva e o contato com a pele lesionada, olhos e outras mucosas provoca a doença no homem, caracterizada por febre e inflamação dos testículos (orquite). Dessa forma, o funcionário tem de utilizar luvas, óculos de proteção e uma camisa de manga comprida, lembrando que essa vacinação apenas pode ser realizada por um vacinador treinado e autorizado por um médico-veterinário, que é o profissional responsável pela vacinação”, explica Oliveira.

Botulismo e carbúnculo sintomático (manqueira), ocorrem com frequência em todas as regiões, informa Cairo Oliveira

Quarentena: uma aliada

A quarentena pode ser planejada sempre quando o produtor adquirir um animal ou um lote de animais. Esses devem ser colocados em um pasto isolado e serem observados quanto à manifestação de alguma enfermidade.

Esse período também pode ser utilizado para realizar exames e aplicar vermífugos, vacinas e outros medicamentos. Esse procedimento é indicado porque o produtor pode comprar um animal aparentemente sadio, mas que está no período de incubação de uma determinada enfermidade. A introdução direta no rebanho pode provocar surtos.

“Atualmente, estamos diante de surtos de tripanossomose em Goiás, que pode ter ocorrido por negligenciamento da quarentena. Alguns produtores compraram vacas leiteiras provenientes de rebanhos infectados de Minas Gerais e introduziram esses animais nos plantéis sem nenhum cuidado, trazendo o Tripanossoma vivax (agente causador da tripanossomose bovina) ao rebanho, o que tem resultado na ocorrência de surtos da enfermidade na região”, alerta Oliveira.

“Outra verdade inconveniente é o fato da resistência que o parasito vem apresentando à única droga legalmente disponível no País: o diaceturato de diminazene. Isso aumenta ainda mais o desafio na hora de se estabelecer medidas de controle da doença.”

Com outro medicamento, o Isometamidium, a situação é a mesma. Ainda são poucos, mas já existem casos que relatam resistência do parasito ao tratamento. “Dessa forma, a simples disponibilização do Isometamidium para o produtor pode nos levar a uma posição ainda mais preocupante. Imaginem se chegar o dia em que o Trypanosoma for resistente às duas drogas. A pecuária nacional estará em perigo.

Então, nesse momento, o acompanhamento personalizado por um médico-veterinário capacitado seria a atitude mais segura para os produtores rurais que já possuem a doença em seu rebanho e, também, para aqueles que querem se prevenir dela. Só esse profissional possui habilidades para selecionar o diagnóstico adequado, conhecer a situação epidemiológica do local e indicar os procedimentos mais adequados.”

Calendário básico de vacinação para bovinos de corte no Brasil

Fonte: Cairo Henrique Sousa de Oliveira - Professor da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG)

1 - Bovinos e bubalinos de todas as idades em maio e até os 24 meses em novembro (de acordo com o calendário oficial do serviço de defesa agropecuária).

2 - Bovinos e bubalinos a partir dos 3 meses de idade.

3 - Bezerras de 3 a 8 meses de idade.

4 - Na vacinação contra clostridioses, pode-se optar por uma vacina polivalente (botulismo + manqueira + outras clostridoses) ou monovalentes. No caso de vacinas monovalentes contra manqueira, apenas animais com até 24 meses necessitam ser vacinados. Em primovacinados, reforço após 30 dias.