Sobrevoando

 

Dólar

Toninho Carancho - carancho@revistaag.com.br

Agora em meados de outubro, em meio à temporada de vendas de touros, estive sobrevoando a Região da Fronteira Oeste gaúcha, Uruguaiana, Dom Pedrito, Bagé, Santana do Livramento, São Gabriel e Alegrete (não necessariamente nessa ordem. Digo isso porque o pessoal é bairrista, barbaridade, e não quero confusão pro meu lado!). Em todos os leilões, o que se viu foram valores muito bons, tanto para touros quanto para os ventres, e algumas vezes preços realmente altos, demonstrando o excelente período pelo qual passa a pecuária, destoando diametralmente da grande maioria dos negócios no Brasil.

Que bom que estamos neste ramo! Neste ano, ainda de vacas gordas, temos de aproveitar a onda para fazer bons investimentos e também reforçar o caixa da fazenda.

Em um desses remates, em Santana do Livramento, onde acabei ficando por mais de um dia, conheci gente nova, pecuaristas com campos no Brasil e também no Uruguai, pessoal muito interessante que me contou sobre algumas diferenças da criação de gado e curiosidades entre um país e outro.

Como já comentei em outras colunas, os leilões são ótimos lugares para fazer este tal de networking, que nada mais é do que conhecer gente nova, almoçar com uns, jantar com outros, reforçar relacionamentos e gerar novos negócios. No meu caso, gerar mais informações, conhecimento e histórias para contar aqui neste espaço.

Pois, dessa feita, estava eu com tempo de sobra, coisa que raríssimas vezes, infelizmente, eu tenho, e aconteceu de um remate ser em uma tarde e o outro ser no final da tarde do dia seguinte. Vi- -me com tempo sobrando, de toda uma manhã, mais o almoço e um pedaço da tarde, e me desesperei. O que é que eu vou fazer nesse tempo todo? Ir na Siñeriz (loja muito boa e grande com todo o tipo de produto, que fica em Rivera, cidade que faz divisa com Livramento, do outro lado da rua) e acabar gastando uma grana? Passear na cidade a esmo? Já estava vendo que ia marchar mesmo, fazer o quê? Mas, eis que surge uma alma iluminada, vinda do tal networking feito naquela hora mesmo, que me convidou para ir a um remate em Tacuarembó, a uns 100 quilômetros de Livramento, onde ele queria comprar um touro Red Angus. Era tudo que eu estava precisando. Saímos pela manhã e chegamos lá antes do meio dia. Local de remates muito bom, agradável, em um clima de fazenda (estância), pessoal cordial e campeiro. Olhamos toda a tourada, excepcional, tanto da fazenda que estava promovendo o remate (Red Angus) quanto dos convidados que trouxeram Brangus, Braford, Polled Hereford (mocho) e Hereford (com chifres). Os Hereford com chifre são realmente animais muito lindos. Estão em desuso no Brasil, mas são muito bons, com muita carne e tamanho. Enfim, tivemos um almoço ótimo, com dois tipos de arroz carreteiro, regado a Coca, cerveja e whisky, conforme o gosto do freguês, e depois presenciamos um remate bastante bom, com venda de todos os touros a preços interessantes. Esse meu conhecido (de alma iluminada) acabou comprando o touro mais caro do leilão, por US$ 7.000,00. Aí que veio a minha surpresa e confesso minha total ignorância no tema, no Uruguai, e talvez também na Argentina, os remates são todos em dólares americanos. O dólar manda! Fiquei surpreso. Não estamos acostumados com isso por aqui. Todos no Uruguai sabem quanto custam as coisas em dólares. Está tudo indexado, inclusive os touros.

Quer comprar um bom touro no Uruguai? Reserva pelo menos uns US$ 5.000,00.


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