Ovinos/Caprinos

 

Mais diversidade

Interesse de criadores por animais naturalmente coloridos cresce com base nas demandas do mercado

Denise Saueressig denise@revistaag.com.br

A presença de animais com pelagem em diferentes tons de marrom, cinza e preto é cada vez mais frequente entre os rebanhos de ovinos. Essa diversidade ficou evidente durante a 38ª Expointer, feira realizada em Esteio/RS, entre os dias 29 de agosto e 6 de setembro.

No pavilhão de expositores e nas pistas de julgamento do Parque Assis Brasil, a quantidade de animais coloridos chamou a atenção de quem circulou pelo local.

As inscrições para a feira cresceram de 31 animais em 2014, para 47 exemplares este ano, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos (ABCONC). Com sede em Porto Alegre/RS e criada em 2006, a ABCONC conta com aproximadamente 100 associados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Desde o início do trabalho de organização e reunião de produtores, conquistas importantes foram alcançadas, como o registro dos animais junto ao Ministério da Agricultura e à Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Atualmente, a seleção de exemplares NC (naturalmente coloridos), como são identificados, envolve raças como Merino Australiano, Ideal, Corriedale, Romney Marsh, Texel e Ile de France. Na Expointer, como não se trata de uma raça específica, é realizado um supremo campeonato, para avaliar os melhores exemplares NC.

Animais com pelagens mais escuras estão historicamente presentes entre os rebanhos, como é percebido, por exemplo, entre as raças Crioula e Karakul, relata o médico veterinário Eduardo Amato Bernhard, diretor técnico da ABCONC. “De uma forma geral, são animais que, pelo processo de seleção natural, tornaram-se mais resistentes e passaram a chamar a atenção dos criadores”, observa.

A estimativa é de que entre 5 mil e 6 mil ovinos NC estejam em processo de seleção no País. A atenção a esses animais começou a mudar de foco com a valorização do artesanato e vestuário fabricado com a lã, e continuou com a preferência pelo pelego para uso em montaria de cavalos. Nesse caso, o favoritismo é pela peça na cor preta, mas segundo Bernhard, já foram identificados 26 tons de cores na pelagem desses exemplares. “Quanto mais exposto ao sol, mais claro fica o pelo”, explica o técnico.

Veterinário Eduardo Bernhard: valorização da lã e do pelego criou nicho de mercado interessante para criadores de animais naturalmente coloridos

Na confecção de peças de roupas, o apelo comercial fica por conta da beleza e da textura do fio que não passa por processo químico de tintura. “O quilo do fio da lã naturalmente colorida para confecção pode ser vendido por valores em torno de R$ 100. Já o quilo do fio fino da lã branca vale R$ 80”, compara Bernhard.

A simpatia pelo pelego preto tem basicamente dois motivos. Primeiro, pela estética da peça e, segundo, por ficar menos vulnerável à sujeira. Essa preferência acabou criando um nicho de mercado interessante para quem trabalha com os animais NC. Os valores do pelego são bastante variáveis, dependendo do fornecedor, do tamanho do produto e do processo, mas para se ter uma ideia, enquanto uma peça branca curtida é comercializada por cerca de R$ 80 ou R$ 100, um pelego preto pode valer em torno de R$ 400.

Projeção de crescimento

Segundo produtor do Brasil a registrar ovinos Texel pretos, o presidente da ABCONC, Maximiliano de Carvalho Neves da Fontoura, costumava manter na Cabanha Geribá, em Cachoeira do Sul/RS, matrizes coloridas da raça Karakul e outras provenientes de cruzamentos. Aos poucos, foi realizada a seleção com reprodutores Texel. Hoje, o plantel é formado por 100 matrizes brancas e 30 pretas, além de dois reprodutores pretos e oito brancos. “Meu objetivo é conseguir, nos próximos cinco anos, 50% do rebanho preto e 50% branco”, declara.

Criador Maximiliano Neves da Fontoura (em pé), presidente da ABCONC, é o segundo produtor do Brasil a registrar ovinos Texel pretos

A base da criação da Cabanha Geribá é voltada à genética e à comercialização de reprodutores. Cerca de 70% dos clientes são produtores de cordeiros para abate. Segundo Fontoura, a procura por ovinos coloridos se intensificou nos últimos anos, dificultando o atendimento da demanda em algumas épocas. As médias de venda de bons exemplares ficam em torno de R$ 2 mil e R$ 4 mil. No entanto, uma fêmea Texel preta PO chegou a ser comercializada por R$ 12 mil.

O diferencial da extrema rusticidade faz com que os ovinos NC sejam mais resistentes a problemas sanitários como a verminose e apresentem melhor resposta a uma oferta reduzida de pastagem. “São características que acompanham a evolução natural desses animais. Ao mesmo tempo, o trabalho de melhoramento genético vem se desenvolvendo de forma interessante nos últimos anos”, cita Fontoura.

Como presidente da ABCONC, o criador revela que pretende continuar trabalhando pelo crescimento do rebanho brasileiro, assim como pelo aumento da participação de produtores em exposições e eventos voltados ao setor.


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