Sala de Ordenha

 

Preços em queda e custos em alta

C onsiderando a média nacional, o preço do leite ao produtor subiu 1,3% no pagamento de agosto, que remunera a produção de julho. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$ 0,978 por litro.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro, valores nominais

Apesar da alta de 10,5% desde fevereiro deste ano, o preço médio vigente é 1,8% menor na comparação com o mesmo período do ano passado, em valores nominais. Em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI, a queda é de 8,6% neste ano, em relação a 2014.

Para o curto prazo, a expectativa é de manutenção dos preços do leite ao produtor, com o movimento de baixa ganhando força a partir de outubro. Alguns laticínios já falam em ligeira queda em setembro, com a produção aumentando.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em julho, a produção, considerando a média nacional, aumentou 3,6%, frente a junho.

Nas demais regiões, a situação das pastagens piorou com a seca. Os preços do milho e do farelo subiram. Esses dois fatores, associados ao início da pressão de baixa sobre o preço do leite, podem diminuir os investimentos por parte do produtor e refletir na produção.

Para o pagamento de outubro (produção de setembro) a pressão de baixa aumenta, ganhando força no pagamento de novembro (produção de outubro), com o peso do início da safra no Brasil Central e na Região Sudeste.

No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as indústrias, os preços estão em queda desde a segunda quinzena de junho. Esse cenário corrobora com a pressão de baixa no mercado doméstico.

Do lado dos custos de produção da pecuária leiteira, esses subiram em agosto. O Índice Scot Consultoria de Custo de Produção da atividade aumentou 1% no mês, na comparação com julho último.

Os insumos com maior correlação com o dólar, como os fertilizantes e os suplementos minerais puxaram as altas do custo, assim como os alimentos concentrados, em especial o milho e o farelo de soja.

Na comparação anual, o custo de produção da pecuária leiteira teve alta de 6,4%. A expectativa é de que os preços desses insumos continuem pesando mais no bolso do pecuarista no curto e no médio prazos. Com o preço do leite começando a cair na fazenda, a margem do produtor deverá se estreitar nos próximo meses.

BALANÇA DE LÁCTEOS
Em 2015, de janeiro a agosto, a balança comercial brasileira de lácteos acumula déficit de US$ 95,42 milhões. Foram US$ 179,62 milhões em exportação contra US$ 275,04 milhões das importações, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No caso do leite em pó, principal produto da balança, a receita com as exportações totalizou US$160,75 milhões neste período. Ao mesmo tempo, os gastos com as importações de leite em pó somaram US$ 172,56 milhões. O saldo da balança para esse produto ficou em US$ 11,81 milhões negativos no período analisado.

As quedas nos preços dos lácteos no mercado internacional aumentaram a competitividade do produto importado, mesmo com o dólar valorizado. O volume médio mensal de leite em pó importado pelo Brasil aumentou 16,4% em 2015, frente a 2014.

Com relação às importações, os principais fornecedores de leite em pó para o Brasil foram o Uruguai e a Argentina, com 59,3% e 38,8% do total, nessa ordem.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria


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