Confinador

 

NOVOS CAMINHOS DA PECUÁRIA

Interconf discute novo posicionamento e lança campanha Orgulho de Ser Pecuarista

Juliana Villa Real

A Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) está com um novo posicionamento. A entidade mudou o estatuto para, além de confinamentos, abranger a pecuária intensiva. A entidade propõe-se a ser um agente de transformação e agregação de valor por meio de prioridades estabelecidas em comitês específicos e ser o elo entre os produtores e as demais entidades. Está em andamento um planejamento estratégico para as ações da associação, tomando, por exemplo, renomadas associações de outros países como Austrália, Estados Unidos e Uruguai, fazendo as adaptações ao mercado brasileiro e trazendo contribuições ao trabalho já realizado.

Até o final do ano serão realizados três workshops para que se possa contribuir com o novo posicionamento. O primeiro terá como objetivo a realização de um modelo de negócios; o segundo será o desenvolvimento de uma proposta de valor e, por último, a criação de um plano de trabalho e governança.

O diferencial é ter uma gestão clara e transparente, na qual os pecuaristas possam apresentar pleitos e saber o que está sendo feito em relação a cada questão. A pretensão é mudar um paradigma e trabalhar em plataformas juntamente com outras entidades representativas, como GTPS, Rede de Fomento à Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF - Embrapa), ABCZ e Abiec, entre outras.

A Assocon trabalha para defender os interesses dos associados e representá-los junto aos órgãos públicos e privados, além de incentivar o aumento contínuo da qualidade e da eficiência de produção, alinhando- se às demandas de mercado cada vez mais exigentes e antecipando oportunidades aos confinadores e, a partir de agora, para toda a pecuária intensiva, transformando os desafios do mercado em valiosas estratégias de crescimento.

Uma das primeiras atividades práticas da nova Assocon é a Campanha “Orgulho de Ser Pecuarista”, concebida para reunir histórias reais das lideranças que produzem a nova pecuária brasileira, produtiva e sustentável, por meio da intensificação.

Interconf reuniu pecuaristas e profissionais para discutir sistema intensivo de produção em Goiânia/GO

Pecuaristas de todo o Brasil foram entrevistados e terão os depoimentos divulgados nas mídias da Assocon, mostrando, assim, os heróis que estão se adaptando ao mundo tecnológico e à realidade do dia a dia, compartilhando o orgulho e a preocupação em produzir carne de qualidade por meio do manejo adequado, normas sanitárias e bem-estar animal.

Tais mudanças já foram sentidas na oitava edição da Conferência Internacional de Confinadores (Interconf), que aconteceu entre 15 e 17 de setembro, em Goiânia, sendo que, no último dia, foi realizado um Dia de Campo na Fazenda Ana Paula, em Nerópolis/GO. A conferência destacou várias etapas fundamentais da produção de sucesso em um confinamento, dentre elas as tecnologias para produção de silagem de milho de alta qualidade, a sanidade na terminação de bovinos e o impacto na qualidade de carne, além de nutrição animal na pecuária de ciclo curto.

Neste ano, a Interconf reuniu mais de 1.100 participantes – pecuaristas, empresários, indústrias, técnicos, consultores, estudantes e representantes de toda a cadeia produtiva e de todas as regiões do Brasil que, em três dias, debateram os caminhos da pecuária, da tecnologia, da qualidade de carne e de políticas públicas para o agronegócio. “Importante ressaltar que mesmo a instabilidade econômica não está impactando na motivação dos produtores brasileiros em investir no aumento da pecuária de corte”, ressalta Eduardo Moura, presidente da Assocon, organizadora da Interconf.

Para a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, “o Brasil é hoje o patinho feio dos emergentes”. Mesmo assim, ela confia na retomada no médio prazo e conceitua esse momento de construtivo. “O Brasil tem desafios internos a superar para voltar a ter a confiança dos mercados internacionais”.

A política agrícola e a sanidade animal também foram temas da Interconf. “A defesa sanitária não sofrerá cortes. Trata-se de uma área prioritária para o País e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tem na sanidade um pilar do sucesso das exportações brasileiras de carnes”, comentou Décio Coutinho, titular da Secretaria de Defesa Agropecuária.

O bem-estar animal também foi um dos pontos fortes da Interconf. Paulo Loureiro, líder do Programa Creating Connections, destacou os aspectos para reduzir o estresse no período de adaptação dos animais no confinamento. “A estrutura do confinamento pode ser um ambiente seguro e confortável para os animais. Basta que eles confiem nos tratadores e, para isso, os funcionários também têm de entendê-los. É preciso treinar os colaboradores das fazendas para aumentar a capacidade de observação e associar esse novo conhecimento com o gerenciamento de gado, a interação entre animal e pessoa, aumentando a interação entre o time de manejo, a fim de obter os resultados desejáveis”, assinalou o especialista.

Sucessão familiar

Passar o negócio de pai para filho ou escolher um sucessor é um tema cada vez mais recorrente na pecuária e não foi diferente em Goiânia/GO. “As empresas devem se preparar para o futuro. A sucessão acontece a partir da preparação desde a juventude. É importante começar a acompanhar a iniciativa dos pais, observar como fazem e porque fazem, os projetos e as iniciativas. É fundamental essa passagem de cultura e valores. A família tem de ter a consciência de preparar a próxima geração para gerir as etapas seguintes e garantir a continuidade do projeto”, disse Maria Teresa Roscoe, professora na Fundação Dom Cabral.

“A proposta da Interconf é auxiliar os pecuaristas a produzir mais e com maior qualidade, mostrando que o uso da tecnologia e a aquisição de insumos de boa qualidade favorecem a obtenção de uma maior rentabilidade do negócio, considerando a conjuntura econômica, sempre de olho no futuro. Para isso, a programação teve extenso conteúdo técnico sobre todas as fases da atividade, além de apresentar conceitos importantes sobre a gestão e o controle de dados das propriedades”, ressaltou Alberto Pessina, vice- -presidente da Assocon.

“Tivemos um excelente resultado em participação nesta edição. Os temas propostos que foram além do confinamento agradou a todos. Tratar das questões relacionadas à pecuária de corte em todas as etapas do ciclo produtivo, desde o nascimento até o abate dos animais, foi fundamental para embasar o tema proposto para esta edição: os novos caminhos da pecuária. A Assocon propõe unir a cadeia para que, assim, possamos fortalecer mais o setor e a Interconf deixou isso bem claro”, explicou Marcio Caparroz, diretor institucional da Assocon.

Público marcou presença na oitava edição da Interconf

Campanha

A 8ª Interconf também marcou o lançamento nacional da campanha “Orgulho de Ser Pecuarista”, cujo objetivo é mostrar para a sociedade que o compromisso dos produtores vai muito além do negócio. Pecuaristas renomados como Ricardo Merola, fundador e ex-presidente da Assocon (pelo protagonismo na cadeia e por ter fundado a entidade); Luiz Claudio Paranhos, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (quem recebeu o prêmio da ABCZ por sua longevidade e representatividade); e Fernando Saltão, diretor da JBS (pela promoção em abertura de novos mercados internacionais), representando a Abiec, foram homenageados pelo seu compromisso com a pecuária. “A Assocon projeta voos mais altos em defesa do setor e para integrar a cadeia da carne bovina”, destacou Eduardo Moura, presidente da entidade.

Pré-evento

No dia 14 de setembro, o Encontro da Pecuária Eficiente abriu as discussões sobre a cadeia da carne bovina reunindo cerca de 500 pecuaristas e técnicos. O tema central do evento foi a busca de produtividade na pecuária, objetivando lucros e o consequente aumento da oferta de carne bovina de qualidade.

Nessa mesma direção, Maurício Nogueira, diretor da Agroconsult, apresentou “um Raio-X na Produção Bovina do Centro-Oeste”, abordando indicadores da região, com destaque para sua importância, particularidades e características que tendem a impactar a pecuária dos próximos anos. “A pecuária vem se desenvolvendo rapidamente no Centro-Oeste, tanto no bioma amazônico como no cerrado. Essa é a região do País que vive a maior transformação e representa a vanguarda de todas as mudanças da pecuária”, comentou Maurício.

Leonardo Alencar, gerente executivo de Inteligência de Mercado de um frigorífico, mostrou projeções sobre “O Cenário para a Carne Bovina nos Próximos Anos”. “Hoje, o Brasil tem 24% de participação no mercado mundial de proteína vermelha. Temos condições reais de aumentar essa participação em pouco tempo. Há desafios, claro, pois há um nível maior de exigência. Nosso principal foco precisa ser a padronização. Para atingir esse objetivo, é necessário melhorar o trabalho de base, começando pela produtividade, passando por animais homogêneos e de boa genética”, disse.

“A pecuária brasileira precisa ser mais eficiente para garantir lucratividade a níveis similares às mais importantes atividades agrícolas. O Boi 7-7-7, que representa atingir 7 arrobas em cada período de vida do animal (cria, recria e engorda), visa à produção de um gado jovem, com maior peso, sinônimo de produtividade e rentabilidade, e menor pressão no meio ambiente, pois o boi fica menos tempo no pasto. O Boi 7-7-7 é um conceito absolutamente viável quanto à aplicabilidade. O pecuarista tem à disposição ferramentas que o auxiliam durante o processo produtivo por meio de suplementação estratégica”, explica Diede Loureiro, gerente da empresa promotora do conceito criado pela Apta.


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