Brasil de A a Z

 

A importância da extensão rural

William Koury Filho, é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

A informação tem de chegar ao campo!

Amigos agropecuaristas, que momento vivemos no setor! A atividade pecuária de corte anda bem e o futuro é ainda mais promissor. Mesmo com todo o mau humor no cenário político e financeiro, a agropecuária segue firme e forte sustentando boa parte da balança comercial do país.

As perspectivas para o agronegócio são ótimas. A população mundial em 2050 deverá chegar em 9,5 bilhões de habitantes. Esse povo precisará comer! Nesse cenário, se focarmos na pecuária de corte, o consumo de carne deverá aumentar em 58% e o Brasil “está com a faca e o queijo na mão” para atender essa demanda com qualidade e baixos custos de produção. E isso tudo com responsabilidade socioambiental.

A pecuária do País realmente apresenta números impressionantes, algo em torno de 7 milhões de empregos diretos e, mesmo com um mercado interno fortíssimo, em que cada cidadão consome cerca de 40 kg de carne bovina/ ano, somos os maiores exportadores do mundo. Em 2014, geramos oito bilhões de dólares em exportações.

Para que sejamos cada vez mais competitivos, podemos e precisamos melhorar os índices zootécnicos médios de produção no País. Para tanto, informação é fundamental.

Infelizmente, tenho visto um sistema falho dentro da comunidade acadêmica e em instituições de pesquisa para contratação de novos professores ou pesquisadores, em que os concursos não valorizam a experiência de campo. Outro ponto complicado é que, embora tenhamos observado mudanças, o professor/pesquisador que se envolve com a iniciativa privada é mal visto pelos colegas. Como mudar isso? Como fazer com que a informação chegue ao setor produtivo e, antes disso, como investir em pesquisas que realmente sejam relevantes para o Brasil?

Precisamos de profissionais dentro do Ministério, das instituições de pesquisa e das entidades classistas que realmente conheçam o País, vivenciem a atividade na prática e, para isso, temos de valorizar e investir em ações e profissionais que façam com que a informação chegue ao produtor.

Profissionais com boa formação, capacidade de transmitir conhecimento e que não tenham medo de sujar a botina devem ser mais valorizados. Escrevo a coluna deste mês inspirado no evento em que estou aqui em Rio Branco, no Acre, chamado “Dia de Mercado da Pecuária de Corte”.

Promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), esse evento teve como objetivo difundir as análises técnicas e econômicas identificadas pelo Projeto Campo Futuro, integrando-as com informações de mercado. O investimento e o esforço da CNA e da Faeac em levar professores e consultores de expressão justifica-se pela capacitação dos produtores rurais da região, para que os mesmos estejam melhor preparados para enfrentar as adversidades do seu negócio, reduzindo os riscos e melhorando a gestão da empresa rural.

Parabéns CNA e Faeac pela iniciativa e espero ver políticas públicas dando mais importância ao trabalho de extensão, pois disposição e vocação são características inerentes ao produtor brasileiro, verdadeiros guerreiros que, mesmo sem maiores incentivos, colocam nossa pecuária como uma das mais fortes do planeta.