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Boia farta o ano todo

O manejo correto do solo e do pasto se traduz em ganho de peso dos animais

Beth Melo

O Brasil é o maior produtor mundial de sementes forrageiras tropicais, um mercado estimado em R$ 1,2 bilhão, de acordo com dados da Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), além de possuir 197 milhões de hectares de pastagens (IBGE). No entanto, mais de 70% encontram- se degradados, o que resulta em baixa lotação animal. A alternativa para recuperar o solo, melhorar a qualidade da pastagem e elevar a produtividade por área é a adubação, aliada a tecnologias como, por exemplo, a integração lavoura-pecuária.

Segundo o zootecnista Adilson de Paula Almeida Aguiar, professor das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), para cada propriedade, em uma região específica, existe uma “janela de trabalho”, ou seja, um mês para começar e um para terminar o programa.

Aguiar orienta o produtor a escolher, medir e mapear a área a ser corrigida e adubada nos próximos 12 meses (no último mês de chuvas regulares na região) e enviar as amostras do solo para a análise. “O planejamento e a execução do programa são divididos em correção (calagem, gessagem, fosfatagem e potassagem) e adubação com fósforo (P), enxofre (S), potássio (K), micronutrientes e nitrogênio (N)”, diz.

Conforme explica, a partir dos resultados das análises, avaliam-se as opções de fontes de fertilizantes (adubação química, orgânica e organoquímica), os métodos de aplicação (manual, por tração animal, trator, avião e ainda se foliar ou fertirrigação), e, por fim, são considerados os resultados técnicos e econômicos e o impacto ambiental.

Também é possível optar pelos biofertilizantes que, segundo Aguiar, melhoram a capacidade de troca de cátions (CTC) do solo, corrigem o alumínio e diminuem a necessidade de calcário, entre uma série de outras vantagens.

“As desvantagens desses fertilizantes estão relacionadas a sua baixa concentração de minerais, portanto, seu uso fica limitado ao local de produção e, geralmente, em pequenas propriedades”, comenta.

O professor da Fazu explica que a correção e a adubação poderão ser anuais, como nos sistemas intensivos, ou esporádicas, a cada dois a cinco anos, apenas como reposição. Outro especialista, o pesquisador Gessi Ceccon, da Embrapa Agropecuária Oeste, reforça que, especialmente, no caso de integração lavoura-pecuária é imperativo realizar análise de solo para acertar na correção e adubação.

Semente forrageira

Aguiar chama atenção para a qualidade das sementes e afirma que o preço desse insumo representa entre 5% e 15%, somente, dos custos finais no plantio da pastagem. Um lote de sementes reúne três atributos: genético, físico e fisiológico. O genético é garantido pela empresa fornecedora, sob fiscalização de órgãos competentes. O físico é determinado pela pureza e refere-se à quantidade potencial de sementes de plantas invasoras, ovos de insetos e esporos de fungos. Já o fisiológico é determinado pela porcentagem de germinação.

No mercado, há duas opções de sementes: convencionais e peletizadas, mas, para o pesquisador, independente da escolha do produtor, o importante é priorizar o maior grau de pureza, acima de 90%, e germinação, a fim de evitar pragas e doenças no pasto. De acordo com o pesquisador, a peletização aumenta o volume da semente, mas diminui o número de sementes por peso. “Isso é ruim, do ponto de vista de quantidade, mas é bom em relação à uniformização e à opção de proteção, com a presença de fungicida e inseticida”, avalia.

A melhor opção é utilizar sementes oriundas de empresas idôneas, que trazem impresso no rótulo o teor de pureza e vigor. “Sementes de fornecedores desconhecidos podem disseminar plantas invasoras, apresentar baixa germinação e não trazer os benefícios esperados no pasto ou na integração”, reforça Daniel de Castro Rodrigues, da Coan Consultoria.

Escolha da forrageira

Rodrigues afirma que não existe o capim ideal, entretanto, há aquele melhor para um tipo de solo, clima e manejo. Ele afirma que as gramíneas do gênero Panicum (Tanzânia e Mombaça), Cynodon (Tifton e Coast Cross) são mais exigentes no quesito de fertilidade de solo, no entanto, são mais produtivas e de melhor qualidade. As Brachiarias são menos exigentes em fertilidade e também mais indicadas para pastejo no outono e no inverno. Já o capim Andropogon adapta-se muito bem em terrenos de difícil mecanização, além de rebrotar muito rápido no início da estação das chuvas.

Para o analista da Coan, em sistemas intensivos, com alto uso de fertilizantes, deve-se dar preferência ao gênero Panicum, mas nada impede o uso de outros capins como as Brachiarias. “Nossa recomendação é avaliar características da área, o nível de adubação empregado, a categoria animal e o desempenho esperado. Na maioria das situações, mais de uma espécie de planta forrageira pode ser indicada.

Rodrigues garante que gramíneas tropicais respondem muito bem à aplicação de fertilizantes. “Caso não sejam aplicadas as técnicas adequadas e quando se utilizam gramíneas do gênero Panicum, o problema de competição tende a se agravar no consórcio com milho. “Reduções significativas em produtividade do grão, além de dificuldades para colher, são comuns em sistemas consorciados mal conduzidos”, observa. “Uma boa opção é a escolha de híbridos de milho com inserção de espiga mais alta, a redução no espaçamento entre as linhas e colher o cereal assim que atingir o ponto de umidade adequado.”

Plantio na integração

Gessi Ceccon afirma que a semente forrageira deve ser incorporada ao solo a uma profundidade de 2 a 4 cm, mas pode ser a lanço, quando o milho é cultivado no espaçamento de 45 a 50 cm. “É importante utilizar uma população média de cinco plantas de milho e dez de braquiária por metro quadrado”, recomenda.

Já Rodrigues considera ideais equipamentos que plantam a semente de capim antes do milho ou máquinas com uma segunda caixa para sementes miúdas.

Apesar do plantio simultâneo das culturas (milho e pastagem), o consultor afirma que existe uma diferença entre a emergência das plantas, de 5 a 7 dias para o milho e de 7 a 10 dias para a pastagem.

“A antecipação da adubação de cobertura, visando ao rápido crescimento do milho e ocasionando o sombreamento da pastagem, é uma estratégia que deve ser considerada. Além disso, o uso de herbicidas seletivos em subdosagens, para ‘segurar’ o capim, é uma técnica interessante, pois permite que o milho cresça e reduza competição”, enfatiza. No entanto, ele alerta que essa técnica deve ser feita sob orientação agronômica, pois excesso ou quantidade reduzida do herbicida seletivo pode matar a pastagem ou aumentar a competição.

Maurício Köpp indica o uso de forrageiras C-3 no inverno e C-4 no verão

Quando os processos são feitos de maneira correta, respeitando a profundidade de semeadura para cada tipo de semente, Rodrigues afirma que o espaçamento permite a melhor cobertura do solo pela pastagem e a colheita do grão no momento correto. As diferenças de produtividade do milho consorciado e do “solteiro” não são significantes.

Há uma redução de 2 a 3 sacas de milho por hectare. Por outro lado, há um ganho de 4 a 6 arrobas no animal . Essa é a conta a ser feita, não se esquecendo aqui de todos os benefícios associados à cobertura do solo, aprofundamento do sistema radicular e supressão de pragas e doenças nas áreas onde lavoura e pastagem estão em rotação”, ensina Rodrigues.

Plantas invasoras

Para o controle de daninhas, o professor Aguiar sugere um criterioso programa contemplando os seguintes métodos: preventivo (para evitar a introdução de plantas invasoras através de sementes de forrageiras de baixa porcentagem de pureza, máquinas, veículos, implementos e animais); cultural (execução de todas as práticas específicas de manejo para que a cultura tenha vigor e capacidade de competir com as invasoras, escolhendo forrageiras adaptadas, além de preparar e corrigir o solo, realizar o manejo correto do pastejo, controlar insetos-pragas e doenças e fazer adubações de manutenção); fogo (nunca deve ser usado, pelos prejuízos que causa e por questões legais); físico (método menos eficaz, que inclui arrancar, roçar, quebrar); e químico (uso de herbicidas específicos, método de controle mais eficaz e o de maior relação custo/benefício no médio e longo prazos).

“A base de um programa de controle de plantas invasoras da pastagem deveria ser a associação entre os métodos preventivo, cultural e químico”, resume o professor da Fazu.

Sistema Voisin

Um sistema que também ganha evidência é o Pastoreio Racional Voisin (PRV), manejo que se baseia nos princípios naturais do complexo solo-planta- -animal, “Consideramos que os macro e os microrganismos são a base do solo e responsáveis pelo aumento da fertilidade”, lembra o professor Luiz Carlos Pinheiro Machado, ex-presidente da Embrapa e atual presidente do Instituto André Voisin.

O sistema dispensa aração da terra e não precisa de adubação, o que resulta em grande economia de insumos e mão de obra, segundo Machado, que destaca como benefícios a melhoria da fertilidade do solo, o que contribui para o ganho de peso dos animais. “A média proporcionada pelo PRV é de 600 a 800 gramas/dia, mas temos exemplos de até 1,5 kg/dia”, garante.

Para ele, o maior benefício do sistema é ambiental, pois cada grama de matéria orgânica sequestra o equivalente a 3,67 gramas de carbono atmosférico. Entre os benefícios de ordem física, ele cita uma pesquisa de mestrado, segundo a qual, em 18 meses, o solo descompactou 75%.

Integração

Também tem havido o crescimento dos sistemas integrados, no qual as gramíneas forrageiras vêm se destacando bastante, engordando boi na safrinha, fazendo palhada para plantio direto ou ajudando a reduzir a população de nematoides e fungos de solos. Seja para silagem ou para a produção de grãos, a integração com pastagem resulta em benefícios diretos e indiretos para todo o sistema de produção, relata Daniel Rodrigues, da Coan. “O plantio consorciado (milho + pastagem) e o plantio solteiro alcançam produtividades semelhantes, porém, os resultados agronômicos associados ao cultivo consorciado traduzem-se em maior retorno financeiro”, pondera.

A vantagem do milho em relação às outras culturas quanto à consorciação é o porte elevado, a facilidade de colheita e a capacidade de rápido sombreamento da pastagem. O leque de opções para o produtor é grande: silagem/pastagem, grão/ pastagem, silagem de grão úmido/pastagem, soja/pastagem, soja/milheto, e assim por diante. No entanto, a integração exige investimentos em maquinário, mão de obra qualificada, gestão e planejamento.

Segundo Ceccon, da Embrapa, a melhor época para introduzir as forrageiras na integração é durante a semeadura das culturas anuais, como milho e soja, preferencialmente com milho, por ter a tecnologia dominada. “Nas regiões em que predomina a sucessão de culturas com soja e milho safrinha, a melhor época de implantação de uma forrageira, solteira ou em consórcio, é em fevereiro/março, na semeadura do milho safrinha, quando ainda há umidade suficiente para o desenvolvimento das plantas”, indica.

“Em fevereiro, quando o produtor colhe a soja, precisa decidir se vai semear forrageira solteira, para pastejo a partir de abril/maio, ou se vai cultivar o milho consorciado com braquiária para colheita, entre julho e agosto, quando colocará os animais para pastejo até o fim de setembro”, explica Ceccon.

“Outra possibilidade é colher o milho para alimentar o gado, na forma de silagem de grãos úmidos ou ração, o que ajudará no ganho de peso, principalmente na fase final de engorda”, diz o pesquisador, que considera cerca de 30 a 40 dias de confinamento suficientes para acabamento dos animais. Ele acrescenta que, nessa ocasião, o produtor deverá decidir se vai retornar com soja ou continuar com pasto na área em que era lavoura.

Trevo-branco precisa de atenção especial, pois é dominante e o excesso no consumo

Manejo

Ceccon chama a atenção para o manejo. No caso de uma população muito alta de braquiária, ele diz que é necessário aplicar herbicida para reduzir o crescimento até a colheita do milho.

Para maximizar os benefícios da ILP, é preciso estabelecer a taxa de lotação de animais, que depende da oferta de pasto, além de definir se vai comprar, vender ou confinar animais. “Em média, recomenda- -se de 3 a 6 UA/hectare, de maio a setembro, dependendo da espécie forrageira”, aponta. A presença dos animais na lavoura vai até agosto/setembro, quando o gado precisa ser retirado para dessecação da braquiária de dez a vinte dias depois, e após a dessecação é importante esperar mais dez a vinte dias para semeadura da soja, lembra.

Plano alimentar

Aguiar cita duas técnicas de monitoramento do crescimento e da produção de forragem em uma pastagem: a direta e a indireta. Na direta, a mais consagrada mundialmente, tanto na pesquisa quanto no campo, é a “Técnica do Quadrado”. A forragem é cortada e pesada e uma subamostra é coletada para desidratação e cálculo do conteúdo de matéria seca (% de MS) para então serem feitos os cálculos das massas de forragem pré e pós-pastejo (kg de MS/ha), da forragem acumulada (kg de MS/ha) e da taxa de acúmulo de forragem (kg de MS/ha/dia), do consumo pelos animais (em kg/cabeça ou por unidade animal/dia ou em % do peso corporal animal) e também da eficiência de utilização das forragens disponíveis e acumuladas.

Dentre a técnica indireta, a mais reconhecida é a “Medição da Altura” do pasto com régua ou trena, mas, segundo Aguiar, o mais confiável é o prato medidor ascendente. As medidas de altura são também tomadas no pré e no pós-pastejo e com base nelas determinam-se as alturas pré e pós-pastejo (cm), a taxa de expansão do pasto (cm/dia) e a densidade da massa de forragem (kg de MS/ha/cm).

O professor sugere, primeiro, realizar as duas técnicas juntas, o que é denominado por “Técnica da Dupla Amostragem”, para que a indireta (medida da altura) seja calibrada com base na direta (corte e pesagem da forragem). “Depois que a calibração é feita, pode-se adotar apenas a medida de altura.”

Pressão de pastejo

Para que a pressão de pastejo seja ótima, Aguiar recomenda pesar os animais do rebanho, de cada piquete ou módulo, para calcular as taxas de lotação. A frequência de pesagens pode ser mensal (sistemas intensivos) ou variar a cada 3 ou 6 meses (ao final de cada estação do ano) a depender do tamanho do rebanho, mão de obra disponível e infraestrutura.

“É preciso monitorar a produção da pastagem através das técnicas de medição (direta e indireta) para calcular a capacidade de suporte”, indica. “Com base nos resultados, são realizadas medidas de ajustes: vende-se, compra-se, antecipa-se ou retarda-se a comercialização de animais; aduba mais, menos ou para de adubar; irriga ou não irriga; conserva-se o excedente de forragem ou suplementa-se o rebanho; suplementa mais, menos ou para de suplementar; acelera ou encurta o ciclo de pastoreio; roça o pasto que perdeu qualidade ou realiza mais de uma dessas medidas em conjunto”, detalha o professor, que mostra no quadro abaixo como ajustar a pressão de pastejo.

De acordo com Aguiar, os principais ganhos obtidos com o manejo correto do pastejo são acúmulo de mais forragem, maior teor de proteína, menor teor de fibra e, portanto, maior digestibilidade da forrageira e redução das perdas de forragem por tombamento ou na touceira, o que melhora a capacidade de suporte de 37 a 43%.

“Além disso, os animais de recria e de engorda, em condições de manejo do pastejo correto, consomem mais forragem de melhor qualidade (aumentos entre 10 e 43%) e apresentam maior desempenho em ganho de peso (entre 28% e 319%) e, em consequência da maior capacidade de suporte e da melhor performance animal, a produtividade por hectare de carne aumenta de 7 a 119%”, exemplifica.

Degradação do pasto

Aguiar informa que as metodologias atualmente usadas para classificar a degradação da pastagem podem ser divididas em qualitativas e quantitativas. Na qualitativa, o processo de degradação é classificado em três estádios. No primeiro, a espécie mais consumida pelos animais, sob o estresse do pastejo pesado, ou sob outro fator qualquer, perde vigor, e reduz o seu crescimento. No segundo, a forrageira mais consumida começa a desaparecer e outras menos apreciadas pelos animais iniciam o domínio da área. Já no terceiro, ocorre a invasão da pastagem por plantas invasoras. Nesses três estádios, ocorrem prejuízos na composição e na disponibilidade de forragem produzida na pastagem.

E no Sul?

Maurício Marini Köpp, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (Bagé/RS), afirma que existe uma particularidade relativa ao clima, com dois períodos anuais distintos: inverno frio e úmido e verão quente e seco, ou seja, dois períodos de transição entre pastagens de inverno e verão, que são a primavera e o outono. “No inverno, deve-se utilizar forrageiras C-3, que toleram temperaturas mais baixas, e, no verão, espécies C-4, adaptadas a climas mais quentes, escolhendo as que apresentem boa sucessão para evitar períodos de ‘vazio forrageiro’ na primavera e no outono”, orienta.

Consórcio milho-braquiária tem conquistado a preferência dos pecuaristas na ILP

De acordo com Köpp, de maneira geral, as pastagens nativas do Sul apresentam qualidade superior a outras pastagens de clima tropical, no entanto, ele recomenda, se necessário, utilizar sal mineral proteinado para melhorar o consumo e o ganho de peso do gado.

Também no Sul, utiliza-se trevo-branco, azevém e aveia, que exigem cuidados em relação ao manejo, que já se iniciam na programação anual do produtor. “Além do planejamento, o produtor deve ter cuidado com as fases de implementação da pastagem, considerando o que havia antes da semeadura da espécie, sistema e época adequada de plantio, densidade, qualidade das sementes, fertilização e manejo animal”, enumera. Outro ponto importante, de acordo com Köpp, é a fase de utilização do pasto, monitorando e respeitando a altura de resíduo para pastejo contínuo, assim como a entrada e a saída dos animais em manejos rotacionados.

No caso do azevém, o pesquisador lembra que, se o produtor desejar contar com ressemeadura natural, um período de diferimento deve ser planejado. Com relação ao trevo-branco, além de todas as recomendações citadas, ele diz que é necessário realizar a inoculação das sementes.

Além disso, ele afirma que pode ocorrer dominância do trevo-branco, relacionado às práticas de manejo adotadas, bem como a fatores ambientais favoráveis à espécie. “Uma elevada quantidade de trevo-branco na alimentação animal pode ocasionar problemas de timpanismo, que pode até causar a morte de animais”, alerta.

De acordo com Köpp, a altura máxima de pastejo depende das espécies que compõem a pastagem. “Vários fatores devem ser considerados, como tipo de pastagem, que pode ser cultivada ou nativa, e sistema de pastejo, contínuo ou rotacionado”, ressalta.

“Por exemplo, estudos indicam que em uma pastagem nativa específica, sob sistema de pastejo contínuo, a oferta de 8% de MS em relação ao peso animal, na primavera, passando para 12% nas demais estações do ano, propiciou maior desempenho animal, já em outros casos, esses valores podem ser bem diferentes”, cita.

Uma recomendação genérica de altura e pressão de pastejo deve considerar fatores fisiológicos de cada espécie, ou seja, o manejo da pastagem deve ser monitorado para que a carga animal não seja muito alta a ponto de prejudicar as espécies forrageiras do sistema, e nem tão baixa que propicie a dominância de determinadas espécies.


LANÇAMENTOS ESTÃO POR VIR

A demanda do mercado das principais espécies de gramíneas forrageiras é estimada em 50 mil toneladas, das quais 40 mil são para o mercado interno e 10 mil, para exportação, segundo a Unipasto.

A entidade responde por 60% das vendas de sementes forrageiras no mercado interno e por mais de 90% no externo através de parceria com a Embrapa e, juntas, lançarão em 2016 dois novos híbridos de forte impacto no mercado devido ao seu elevado valor nutricional e à resistência à Mahanarva spp, principal cigarrinha que afeta as pastagens brasileiras. “Até o momento, não existe nenhuma cultivar com resistência a essa praga”, afirma Marcos Roveri José, gerente executivo da entidade.


Produtor aposta na integração lavoura-pecuária

A Fazenda Cinco Marcos, em Janiópolis/PR, realiza o sistema de criação extensivo de gado de corte. Há mais de 20 anos, o médico Celso Pallu desenvolve a atividade em 200 alqueires. Até há poucos anos, fazia o ciclo completo com gado Nelore, depois, passou a arrendar algumas áreas para o plantio de soja e, posteriormente, retornou apenas com o ciclo de cria.

Há dois anos, ele e o filho, Marcel Pallu, que também é médico, decidiram plantar 60 alqueires de soja e Brachiaria ruziziensis como cobertura de solo e pastagem de inverno. “Após algumas culturas de soja em um lote, o mesmo retorna para pastagem e abre-se outro para lavoura”, explica.

Quanto à adubação, a Fazenda Cinco Marcos faz o básico. Antes do plantio das áreas exclusivas de pasto, realiza análise da terra, corrige com calcário e planta a semente com supersimples (fósforo) e, às vezes, quando necessário, aplica ureia (nitrogênio).

“Com a ILP estamos cultivando a soja, melhorando o valor nutricional da terra e não diminuímos o rebanho”, comenta.


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