Sobrevoando

 

Desintegração

Toninho Carancho - carancho@revistaag.com.br

Muito tem se falado da integração lavoura-pecuária e também da variante lavoura-pecuária-floresta.

Essas relações entre culturas anuais e o boi (ou a vaca) estão com tudo para realmente ser a grande chave para o aumento da eficiência no campo, principalmente para o lado do pecuarista.

Muitas dessas integrações são feitas com o dono do campo e do gado arrendando parte dos pastos para terceiros fazerem os plantios de soja, milho, arroz, batata, etc. Assim, esses talhões são ocupados por uma cultura de alta produtividade, que por sua vez exige altos investimentos dos lavouristas, que têm de ser muito profissionais para conseguir pagar o arrendamento e ainda ter um bom resultado financeiro.

Normalmente, o pecuarista e dono da terra recebe adiantado e não se preocupa com nada nesse período do contrato, na média uns seis meses, mais ou menos de outubro a março ou novembro a abril. É uma barbada. Aluga uma pastagem velha e degradada e recebe um campo adubado e muitas vezes com a pastagem já plantada. É o céu!

Mas, sempre tem um “porém”. Acontece que nesse período o pecuarista não é mais o cara que manda nesse campo, ele fica a mercê do plantador e algumas coisas não tão parecidas com o céu têm acontecido, tipo:
1) O arrendador pede para o dono do campo assinar vários papéis para o banco, a fim de conseguir financiamentos. Pode não ser uma boa ideia;
2) O arrendador quer entrar antes no campo para dessecar a pastagem e plantar e o gado do pecuarista não tem para onde ir;
3) O pecuarista obriga-se a vender parte do gado antecipadamente por valores não tão bons quanto ele gostaria. E como muitos fazem isso, o valor, por super oferta, tende a cair mais ainda;
4) Na hora de colher a lavoura, às vezes pode acontecer de o ciclo da cultura atrasar (por motivos climáticos) ou também o produtor achar que o valor não está bom e adiar por alguns dias a colheita por motivos econômicos. E atrasando a colheita, retarda o plantio da pastagem, que adia o engorde do gado, que acaba gerando menos dinheiro para o dono da terra;
5) O convívio com o arrendador e seus funcionários pode não ser dos melhores e acabar complicando o dia a dia da fazenda, além de, normalmente, o pessoal da agricultura não entender bem porque uma porteira tem de estar fechada e por que não passar com o trator por cima dela...

Todos esses problemas podem ser acrescidos de vários outros e você pode completar a lista. Nessas minhas sobrevoadas por aí, o que tenho visto é que muitos pecuaristas estão entusiasmados com o dinheiro entrando do arrendamento e investindo em gado para abate.

Mas o criador, aquele cara que tem as vacas e os bezerros, esse sim precisa ficar esperto para a integração, que pode ser realmente uma maravilha, não se transformando em transtorno e em ganho ilusório. Com os valores da pecuária em alta, acho interessante fazer mais cálculos ou afinar mais a conversa com os plantadores para que esse convívio seja positivo para todos, duradouro, sustentável (em todos os sentidos, agronomicamente, financeiramente, amigavelmente) e que não acabe em desintegração.


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