Mercado

 

Otimismo

O agronegócio é um importante setor para a economia brasileira, pois representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), além de gerar inúmeros empregos no setor. O País é um dos grandes produtores e exportadores de alimentos do mundo, ocupando o ranking de maior exportador de carne bovina. Assim, o setor mostra força diante de um cenário econômico ainda enfraquecido. Visando atender a crescente demanda mundial por alimentos, o agronegócio brasileiro tem se destacado em produtividade e sustentabilidade, principalmente o setor pecuário, que utiliza cada vez menos espaço físico no campo, graças à adoção de novas e eficientes tecnologias.

Para intensificar a produção pecuária, não há outro caminho senão a união do uso de tecnologias e a prática da gestão. O Brasil ocupa um lugar privilegiado como grande exportador de carne bovina, mas ainda precisa avançar em produtividade. Estratégias como o investimento na qualidade genética do rebanho, o uso de tecnologia na integração lavoura-pecuária-floresta, o manejo e a recuperação de pastagens, dentre outras práticas, são fundamentais para manter o país em posição de destaque no mundo.

Entretanto, o investimento em tecnologias ainda não é uma realidade para todos os produtores e a capacidade gerencial de muitas propriedades ainda é deficiente. Não há como gerenciar uma propriedade com base em modelos arcaicos. Vivemos um mercado competitivo e globalizado, portanto, uma gestão eficiente aliada a tecnologias é fundamental para o controle e o sucesso da atividade.

Na tomada de decisão, o produtor deverá estar a par de todas as informações que envolvem a atividade. Nesta hora, os números ajudarão a tomar a decisão mais correta. Diante de um cenário econômico instável, a gestão eficiente diminui riscos e auxilia na economia e no aumento da lucratividade da atividade. Embora a chegada das novas tecnologias e inovações no campo tenha mudado o perfil do pecuarista, ainda existem muitos produtores que desconsideram a importância de gerir o negócio de maneira profissional, desconhecendo muitas vezes o real custo de produção e a rentabilidade da atividade. Muitos podem se questionar se a atividade é rentável ou gera prejuízos, mas sem um controle rigoroso das contas, com mensuração adequada e acompanhamento dos dados, seguindo um planejamento previamente estabelecido, é impossível dizer se a atividade fecha de forma positiva ou negativa no final da produção.

A economia também não tem sido favorável para o mercado interno, cujo consumo permanece lento. O aumento da queda do poder de compra e os preços mais altos da carne têm feito o consumidor buscar outras opções de proteínas mais baratas. Se o mercado interno segue patinando, o externo continua aquecido. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as exportações de carne bovina somaram US$ 505 milhões em julho e atingiram o maior faturamento do ano. O mês de julho apresentou crescimento, tanto em faturamento quanto em volume, quando comparado ao mês anterior.

Outro fator importante de crescimento do volume de carne exportada é a conquista de novos mercados e a recuperação de alguns outros que o país havia perdido. Um dos grandes recém-conquistados pelo Brasil foram os Estados Unidos, referência quanto às exigências rigorosas no sistema de controle. Segundo a Abiec, o Brasil recebeu em agosto uma missão dos Estados Unidos que teve como objetivo vistoriar os frigoríficos brasileiros, sendo que essa visita faz parte das etapas para liberação dos embarques de carne brasileira in natura para aquele país.

Outro mercado importante é o da China, cuja expectativa é de que se firme permanentemente como o maior comprador da carne bovina brasileira. Atualmente, o Brasil tem oito plantas habilitadas a exportar carne in natura para os chineses e mais nove aguardando. A Abiec informa que, no mês de julho, foram enviadas mais de 11 mil toneladas de carne à grande potência asiática, registrando um faturamento de US$ 57 milhões. Após a missão ao Japão, realizada no início de julho, ficou acertado que o governo nipônico enviará técnicos ao Brasil para vistoriar laboratórios, frigoríficos e fazendas, objetivando acelerar a liberação da entrada da carne bovina brasileira termoprocessada. Questões adicionais de encefalopatia bovina espongiforme (BSE) relativas à Material de Risco (MRE) foram entregues pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Outros documentos pendentes foram encaminhados no final de julho. Após a análise de todo esse material, os japoneses deverão propor uma data para a vinda da missão.

Mianmar também abriu as importações para carne bovina in natura tupiniquim. O país asiático tem 60 milhões de habitantes e o consumo médio de carnes chega a 40 quilos per capita.

O quadro “Boi Gordo no Mundo” apresenta o valor médio da arroba do boi gordo no período compreendido entre 13 de julho e 12 de agosto de 2015, para os principais países produtores: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Entre os países citados, o preço da arroba valorizou apenas na Austrália e na Argentina. No Brasil, houve desvalorização devido à variação cambial, cujo dólar chegou a ser cotado entre 3,29 e 3,49 no período analisado.

O gráfico “Evolução do Preço da Arroba do Boi Gordo” analisa a evolução do preço em alguns estados brasileiros. Houve retração no preço da arroba em várias praças pesquisadas. Em São Paulo, o valor médio da arroba era negociado a R$ 148,00; em Minas Gerais, a média da arroba estava em R$ 138,00; em Goiânia, R$ 139,00; e no Mato Grosso do Sul, R$ 143,00. Já para o período de 13/07 a 12/08, o preço médio da arroba passou a ser negociado a R$ 142,95, R$ 135,26, R$ 130,74 e R$ 136,49, respectivamente, para os estados acima citados. A tendência baixista dos preços da arroba está relacionada com a baixa no consumo de carne bovina pela população, que diante de preços mais elevados optam por proteínas mais baratas.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por estado, no período de 13/07 a 12/08/2015, observamos que a média da diferença paga aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,10%.

O baixo consumo da carne bovina tem influenciado na queda do preço do bezerro e do boi magro nas principais praças produtoras. Das oito praças pesquisadas no período de 13/07 e 12/08/2015, apenas no MT o bezerro valorizou, passando a valer R$ 1.183,91/ cab. Em SP, foi cotado, em média, a R$ 1.265,65/cab; em MG, a R$ 1.038,26/ cab; já em GO, caiu para R$ 1.220,87/ cab; no MS, R$ 1.242,61/cab; no PA, R$ 991,30/cab; no PR, R$ 1.240,00/ cab; e no RS, R$ 1.073,38/cab.

O boi magro apresenta preços “frouxos”, registrando baixa para algumas praças pesquisadas no período de 13/07 a 12/08/2015. A média da categoria foi negociada pelos paulistas a R$ 1.915,22/cab; em MG, passou a valer R$ 1.706,96/cab; em GO, R$ 1.878,70/cab; no MS, R$ 1.891,74/ cab; no MT, valorizou e passou a R$ 1.813,91/cab; no PA, a R$ 1.605,22/ cab; no PR, teve queda, sendo negociado a R$ 1.913,48/cab; e no RS, subiu para R$ 1.826,96/cab.

Os índices médios de relação de troca (gráfico) entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 1,89. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,19.

Apesar do momento de crise que atravessa o Brasil, a expectativa para o setor da carne bovina ainda permanece positiva. Para a Abiec, o Brasil será o maior produtor de carne bovina do mundo nos próximos cinco anos. Os principais concorrentes do País são Estados Unidos e Austrália. Porém, o segundo tem deficiências de recursos hídricos, enquanto os norte- -americanos consomem boa parte de sua produção. Para atender a grande demanda mundial por alimentos, principalmente por proteína de origem animal, o Brasil precisa atender todas as exigências dos importadores. A produção brasileira avançou muito graças ao uso das novas tecnologias disponíveis, assim como nos aspectos sanitários. No entanto, ainda é preciso investir em muito em segurança alimentar, sanidade animal, genética, manejo e alimentação, agregando maior valor ao produto.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria


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