Escolha do Leitor

 

RETROCRUZAMENTO

Sistema de acasalamento pode ganhar força ao explorar o máximo da heterose

Antônio Carlos Olabarriaga Cabistani*

Não basta ter o maior rebanho bovino comercial do mundo, o Brasil necessita focar no controle sanitário e no aumento da produtividade e da qualidade de carne para satisfazer os novos mercados estrangeiros que estão abrindo suas portas.

O controle sanitário deve ser programado, ter estratégias e ser fiscalizado pela equipe técnica, a fim de ser cumprido à risca. Já a produtividade e a qualificação da carne dependem de o produtor encarar a atividade de forma empresarial, executando programas de reprodução, seleção genética e cruzamento com orientação científica.

A reprodução é o elemento zootécnico mais importante da produtividade, pois o sucesso ou fracasso irá definir o desfrute numérico do rebanho, também porque é através dele que conseguimos implantar o melhoramento genético com maior ou menor velocidade, dependendo do método escolhido. Um exemplo prático seria escolher entre o entoure mais lento e a inseminação artificial mais veloz.

A seleção é o método utilizado nas bases genéticas para fixar as características desejadas e expurgar as indesejáveis no decorrer das gerações avaliadas. Deve ser realizada de forma individual e independente em cada raça, sejam elas zebuínas, britânicas ou continentais, buscando sempre a maior produtividade e funcionalidade em seu meio ambiente.

Quanto maior o número de animais envolvidos melhor será a pressão de seleção exercida e, consequentemente, melhores serão os resultados obtidos, independentemente das raças que estejam sendo trabalhadas.

Quando essa seleção é feita no mesmo ambiente onde os frutos do cruzamento serão criados, o resultado será superior, pois os animais gerados estarão em harmonia e conforto com o nosso meio ambiente. Está aí o porquê da importância de utilização de bases genéticas selecionadas em nosso ambiente, no cruzamento.

O cruzamento em bovinos de corte classifica-se conforme a finalidade:

a) cruzamento industrial (terminal); b) cruzamento para formação de uma nova raça (Brangus, Braford); c) cruzamento para formação de uma nova variedade; d) cruzamento alternado (criss-cross); e) cruzamento triple-cross, quadri-cross etc... (compostas) .,

Para que tenhamos sucesso, é imprescindível o entendimento de conceitos científicos básicos sobre as raças de corte. Não há a intenção de promover esta ou aquela raça e sim utilizar as diferenças para ganhar com elas. As raças europeias têm, geralmente, alto potencial genético para características de produção, como crescimento e reprodução, entretanto, faltam-lhes resistência ao estresse dos trópicos, especialmente aos ataques de endo e ectoparasitas e ao estresse térmico. As raças europeias classificam- -se entre britânicas e continentais.

As britânicas são associadas a uma intensidade metabólica veloz e uma carne de excelente sabor, influenciada pela quantidade de gordura intramuscular (marmoreio) e gordura subcutânea (acabamento), cor e maciez, propriedades organolépticas que garantem a qualidade na carne. Geralmente, os animais com essa linha sanguínea possuem peso adulto mais baixos que as raças europeias continentais. Já as continentais são frutos de uma seleção realizada em sua origem, que foi feita para tração e com menos ênfase em outras características de produção. Essa seleção levou esses indivíduos a apresentarem maior massa muscular, com baixa taxa de gordura na carcaça comparado com os indivíduos britânicos, e seu peso adulto é bem mais elevado e com alta taxa metabólica. Essa combinação resulta em altas necessidades nutricionais de manutenção. As raças continentais são conhecidas por seu alto rendimento de carcaça e por essa se apresentar magra.

Segundo Antônio Cabistani, hoje tem de pensar em um bom uso para a fêmea meio sangue Angus X Nelore.

As raças tropicais estão bem adaptadas para sobreviver em sistema de pastejo tropical e contam com uma resistência elevada ao estresses característicos da região e é esse o seu maior potencial genético. Porém, apresenta menor potencial para características de produção, se compararmos ao potencial genético de produção das europeias.

Heterose ou vigor híbrido é a expressão superior da média dos indivíduos filhos do cruzamento comparados com a média dos filhos da raça pura em características de interesse como puberdade, fertilidade, ganho de peso e qualidade de carne, entre outras.

Quando buscamos características de reprodução e sobrevivência com produtividade e qualidade de carne, o cruzamento passa a ser a solução. Por esse motivo, a heterose torna-se uma ferramenta crucial, pois o ganho adicional proporcionado nos cruzados será maior que a produtividade de qualquer raça- -base e é muito desejável manter a heterose elevada em um rebanho comercial.

Quanto maior a diferença na frequência gênica, maior será a heterose no animal cruzado; quanto maior a distância entre as frequências de genes (filogeneticamente distantes), maior será o vigor híbrido.

No cruzamento, quanto mais heterose e complementariedade entre as raças utilizadas, melhor; quanto mais simples sua operacionalidade, melhor; e quando utilizarmos indivíduos selecionados para produção com adaptação em condições climáticas e nutricionais nativas, o resultado do cruzamento será muito superior ao ser contraposto ao uso de indivíduos selecionados em clima e condição nutricional diferentes do brasileiro. O nome científico disso é “Interação do Genótipo com o meio ambiente”. No passado houve muitas tentativas de cruzamentos, todas frustradas por não atenderem as expectativas de qualidade de carne ou de adaptabilidade e, por consequência, por não responderem com a produtividade desejada. Isso ocorreu porque só o indivíduo adaptado é produtivo.

Hoje o cruzamento entre Angus e zebuínos é uma realidade de sucesso. Agora, temos de pensar em uma opção de utilização para essa fêmea Brangus 1/2, pois necessitamos aumentar nosso rebanho de matrizes e produzir um maior volume de carne de qualidade para os mercados interno e externo.

Como já apresentado anteriormente aqui na Revista AG (edição de setembro de 2014), existe a opção de fazermos um retrocruzamento entre Brangus 1/2 X Braford 3/8 fixado produzindo o denominado “careta brasileiro”. Observe, nas tabelas, alguns resultados de campo obtidos com o retrocruzamento no Centro-Oeste brasileiro.

Observamos diferenças de resultados entre as fazendas avaliadas, provavelmente devido às diferenças de manejo, à composição nutricional das pastagens (alimentação) e à genética envolvida no cruzamento. Porém, fica clara a superioridade de resultado obtido com o cruzamento e maior ainda com o careta brasileiro (Brangus 1/2 sangue X Braford 3/8). Isso confirma que utilizar fêmea Brangus meio-sangue como matriz é uma ótima opção para aumentar a produtividade. Futuramente, outras avaliações serão realizadas em diferentes estágios de desenvolvimento desse cruzamento para identificar outros desempenhos.

*Antônio Cabistani é diretor da CORT Genética Brasil - atendimento@ cortgeneticabrasil.com

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