Rally da Pecuária

 

Caminhos da produtividade

Expedição percorreu 63 mil quilômetros nos principais estados produtores de proteína vermelha para discutir tendências de mercado, cenários e iniciativas

Realizado pela Agroconsult. em parceria com a Sociedade Rural Brasileira, o Rally da Pecuária, levantamento técnico privado sobre as condições da bovinocultura no Brasil, tem como objetivo realizar uma avaliação completa, in loco, das áreas de cria, recria, engorda e confinamento espalhados pelo Brasil.

Ao todo, seis equipes técnicas avaliaram a quantidade de animais confinados, os índices zootécnicos das propriedades visitadas, a oferta de animais de reposição, expectativa do volume de gado para abate e verificando as condições das pastagens, colhendo amostras e avaliações aleatórias de 340 pastos diferentes. Nas quatro edições anteriores do Rally da Pecuária, foram avaliadas e amostradas 1.175 pastagens.

Sobre a situação dos pastos, o coordenador do Rally, Maurício Palma Nogueira, explica que, entre 50% e 80% das áreas nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, apresentam sinais de degradação, porém, apenas 4% estão efetivamente em estado crítico.

“Classificamos os pastos em cinco níveis de qualidade. O pior nível é o que classificamos como degradado, quando não há mais stand de plantas suficiente para recuperação, ou seja, o pasto deve ser reformado. Quanto antes o produtor interferir nesse processo, menor será o custo e o risco ambiental”, explica Nogueira.

No momento em que estiveram em campo, técnicos do Rally detectaram também maior volume de pasto por animal em comparação ao ano passado. De acordo com Nogueira, choveu na maior parte das regiões pecuárias, o que favorece a rebrota do pasto e a disponibilidade de capim. “Verificamos que a sobra de massa de pasto não consumido em 2015 é muito maior do que se esperava, em torno de 10% da matéria seca”.

O Rally é planejado para visitar regiões com a maior densidade de bovinos, de acordo com imagens geradas pela Agrosatélite, empresa da Agroconsult. Os 11 estados visitados respondem por mais de 83% do rebanho bovino e 90% da produção nacional de carne. Os técnicos entrevistaram 106 produtores.

Os criadores entrevistados revelam que, do total de 1,04 milhão de hectares de pastagens, 45 mil hectares são voltados à integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Também há intenção de começar novos projetos de ILPF em 36,8 mil hectares nos próximos anos. Já sob o ponto de vista dos agricultores, a integração é vantajosa e há planos de investimento nesse sistema.

“A integração com pecuária está presente ou nos planos de 50% das fazendas que responderam questionários do Rally da Safra 2015, ou seja, 380 produtores de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraná. Os mesmos agricultores indicam que 35,6% dos animais serão terminados em confinamento”, complementa André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult.

Confinamento segue em ascensão no Brasil

A auditoria feita pelos profissionais do Rally aponta que o total deve chegar a 5,19 milhões de cabeças, crescimento de 520 mil animais em relação ao ano passado. Segundo a pesquisa, melhores perspectivas de preços pagos aos produtores e menor custo de produção com a dieta resultarão no aumento do número de animais confinados este ano.

Mesmo com essa expansão, a intenção é de confinar 5,74 milhões de cabeças, conforme apurado durante a expedição. O número só não será ainda maior porque os grandes confinamentos estão com dificuldades em originar bois magros para terminar no cocho.

Em relação ao abate, a estimativa é um aumento de 245 mil cabeças, comparado com o ano passado, dado que pode influenciar na pressão dos preços pagos ao produtor. A produção de carne, no entanto, deverá ficar praticamente estável (aumento de 0,6%), gerando 58 mil toneladas a mais que em 2014.


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