Ovinos/Caprinos

  

Produção avança no PARANÁ

Interesse de produtores aumenta e projetos específicos ajudam a desenvolver a atividade

Denise Saueressig denise@revistaag.com.br

A ovinocultura vem mostrando que iniciativas individuais são propulsoras de crescimento quando existe o incentivo do consumo e o interesse de criadores. No Paraná, alguns exemplos comprovam que a organização e a união da cadeia produtiva trazem resultados positivos e projeção de crescimento para a atividade.

Na região conhecida como Norte Pioneiro, produtores vêm recebendo apoio de um projeto liderado por professores e estudantes dos cursos de Veterinária e Agronomia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Campus de Bandeirantes. O trabalho, que iniciou em maio do ano passado, atende criadores nos municípios de Cambará, Andirá, Bandeirantes, Barra do Jacaré e Santo Antônio da Platina.

Dos criadores assistidos, 16 são fixos do programa, mas outros também já receberam assistência. Segundo o coordenador do projeto, o veterinário e professor Petrônio Pinheiro Porto, no período de existência da iniciativa, importantes resultados foram alcançados, como a melhoria do padrão genético dos animais por meio do repasse, a baixo custo, de reprodutores da raça White Dorper. Questões de manejo reprodutivo, sanitário e nutricional, além de noções de sustentabilidade e bem-estar animal também vêm colaborando para incrementar a rentabilidade da atividade.

Além dos professores e alunos da universidade, o projeto que é financiado pelo Programa de Extensão Universitária (Proext) do Governo Federal, envolveu agentes locais nos municípios de atuação, como técnicos da Emater, dos sindicatos rurais e das prefeituras.

Uma das dificuldades que ainda existem na região é a produção em escala insuficiente para o planejamento de ações de comercialização. “Queremos que o produtor entenda a ovinocultura como atividade principal e não como uma opção de momento”, ressalta Porto. O professor diz que um dos problemas que ainda ocorre é que alguns produtores investem no setor motivados pelos preços da carne de cordeiro, mas esquecem de prestar atenção a questões básicas da criação. “Temos casos de um produtor que perdeu 34 animais em dois meses”, cita. “Pretendo estimular os criadores a procurarem as cooperativas, onde podem encontrar a necessária assessoria, atuar em conjunto com outros produtores e destinar os animais para o abate formal”, acrescenta.

Mesmo que os recursos do Proext tenham duração de um ano, os produtores pedem a continuidade das ações de assistência e capacitação. Para isso, pretendem bancar os gastos com o combustível que a equipe da universidade terá para o deslocamento até as propriedades. “Já conquistamos avanços interessantes, mas sabemos que é um trabalho de longo prazo e com muitos desafios”, assinala Porto.

Interesse em genética

Além dos limites das propriedades, o aquecimento do mercado também é percebido nas feiras e exposições realizadas no Paraná. Durante a ExpoLondrina, que aconteceu em abril, a inscrição de ovinos e caprinos dobrou em comparação com o evento do ano passado. “Tivemos em torno de 600 animais nesta edição, sendo que 380 foram de pista”, destaca o veterinário e criador Luiz Fernando da Cunha Filho, diretor de Ovinocaprinocultura da Sociedade Rural do Paraná. No total, 120 animais, entre matrizes e reprodutores, foram comercializados durante a exposição. A média por exemplar ficou em R$ 2 mil. “As vendas continuaram depois do término da feira. Sabemos que existe um mercado ávido, principalmente por matrizes para a formação de rebanhos. O estado sempre foi forte em produzir genética de qualidade, e hoje conseguimos ver claramente essa demanda por reprodutores”, declara.

Veterinário e criador Luiz Fernando da Cunha Filho: demanda é crescente por matrizes para a formação de rebanhos

Uma das razões para o incremento da atividade vem da própria estrutura fundiária do estado, analisa Cunha, que é criador de ovinos há 31 anos. “As terras mais caras e de maior extensão foram preenchidas por culturas como a soja, o eucalipto e a cana-de-açúcar. Agora, a ocupação que ainda é possível está em pequenas propriedades, normalmente em regiões de abrangência de cooperativas, com características propícias para a ovinocultura”, observa.

O diretor da Sociedade Rural do Paraná cita como exemplo o projeto do Cordeiro Castrolanda, que trabalha desde o manejo e aspectos genéticos do rebanho, até a comercialização da carne. Na Cooperativa Castrolanda, cerca de 30 associados atuam na atividade.

O interesse na ovinocultura parte de novos empreendedores e também de produtores que atuam com outras culturas ou criação de gado. Nos últimos anos, o incremento nos preços do cordeiro colaboraram para esse movimento. Atualmente, o quilo vivo é comercializado no estado por valores entre R$ 6,50 e R$ 7,50.

De acordo com números oficiais, o Paraná tem um rebanho de ovinos de cerca de 700 mil cabeças. “Acreditamos que esse número está abaixo da realidade e que o estado tenha um efetivo de aproximadamente 1 milhão de cabeças”, afirma o veterinário.

Com poucas unidades frigoríficas que trabalham com o abate de ovinos, a comercialização é considerada um gargalo importante para o maior desenvolvimento da atividade. A mão de obra também é um desafio. “Existe carência de técnicos que possam auxiliar o produtor em um correto planejamento da atividade”, analisa Cunha.

O leite de ovelha também vem chamando a atenção de produtores no estado, tanto que durante a ExpoLondrina foi realizado o 1º Seminário Paranaense de Ovinocultura Leiteira. “É uma atividade bem nova, mas estamos investindo em conhecimento”, relata o criador. Ao mesmo tempo, alguns produtores já contam com animais de raças voltadas ao leite em suas propriedades, onde trabalham com a matéria- -prima de forma artesanal.


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