Mercado

 

Carne fortalecida

A pecuária nacional continua avançando e o emprego de tecnologias vem transformando o setor, aumentando a produtividade e reduzindo a área necessária para a produção de carne bovina. Atualmente, é observado um aumento na utilização de um conjunto de ações que objetiva aumentar a competividade do setor de maneira sustentável. As propriedades adotam cada vez mais as chamadas boas práticas agrícolas, cuidando da fertilização das pastagens, da nutrição e da sanidade do rebanho, investindo em melhoramento genético e implantando o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta.

O Brasil tem potencial como grande produtor de alimentos; assim, boas perspectivas abrem- -se para o País como potencial exportador, visto que há um forte aumento da demanda, com o crescimento populacional mundial advindo principalmente da Ásia. Frente a esse aumento na demanda mundial por alimentos, o Brasil precisa estar fortalecido, alinhando a produção a ganhos de eficiência e produtividade, gerando riquezas ao País sem comprometer a natureza.

Não podemos esquecer que o setor agropecuário enfrentou muitos desafios e obteve muitas conquistas ao longo dos últimos anos. Recentes medidas anunciadas pelo governo foram vistas com satisfação. Lançou um plano de ações para desenvolver o setor, cujo objetivo é a modernização e desburocratização da atividade econômica. As medidas são voltadas para o suporte estratégico, a sustentabilidade econômica da Defesa Agropecuária e para as metas de qualidade e avaliação periódica do plano. Tais ações garantirão qualidade, distribuição e acesso nacional a produtos agropecuários, que beneficiarão pequenos, médios e grandes produtores. Com relação ao Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), a meta do governo é erradicar a doença em todo o País ainda em 2015.

Apesar da retração econômica, o segmento da carne bovina permanece fortalecido. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações atingiram US$ 447 milhões em abril. Os três maiores importadores neste período foram Hong Kong, com 23.859,00 toneladas, seguido da Rússia, com 22.065,88 toneladas, e a União Europeia, com 8.744,00 toneladas.

Enquanto escrevíamos este artigo, o Primeiro Ministro chinês, em reunião com a presidente do Brasil, anunciou a liberação de nove plantas frigoríficas para exportação para a China. Essa exportação estava suspensa desde o anúncio do caso de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), supostamente ocorrido no Brasil. A liberação dessas plantas e de outras que estão em processo de inspeção certamente alavancará, no médio prazo, as exportações de carne para aquele país.

A reabertura das exportações para Arábia Saudita, África do Sul e Iraque também contribuirá para o aumento das exportações no segundo semestre. Ainda em junho, teremos nova visita técnica saudita com vistas ao fim do embargo e ao início do processo de habilitação de estabelecimentos.

A conquista de novos mercados, como o asiático e o mercado americano, possibilitará a recuperação da retração ocorrida nas exportações. A abertura do mercado norte-americano para a carne bovina in natura já está na última etapa. A expectativa é de que o anúncio oficial da abertura seja realizado durante a visita de Dilma Rousseff aos EUA, que começará em 30 de junho.

No entanto, no mercado doméstico, a inflação tem colaborado para a queda no consumo de carne bovina. Os preços um tanto salgados têm mantido o consumidor mais distante das compras. A alta nos preços da carne também é resultado da menor oferta de animais para abate.

O quadro “Boi Gordo no Mundo” apresenta o valor médio da arroba do boi gordo no período compreendido entre os dias 14 de abril e 13 de maio de 2015 no Brasil, na Argentina, na Austrália e nos Estados Unidos. Houve valorização da arroba no Brasil e nos Estados Unidos, quando comparado com o período anterior; já na Argentina e na Austrália, houve queda de 1,15% e 14,66% no valor da arroba, respectivamente. A Austrália enfrenta no momento um grande desafio, que é a falta de chuvas, o que vem comprometendo muito a produção do país.

O gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF” para o período analisado, compreendido entre os dias 16/04 e 13/05, mostra evolução dos tes regiões. A primeira quinzena de maio registrou queda nos preços da arroba em quase todas as praças pesquisadas. No estado de São Paulo, a pressão baixista fez o preço da arroba cair, sendo registradas negociações a R$ 149,50 (à vista).

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 16/04 a 13/05/2015, observamos que a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,29%.

baixa oferta de animais e as exportações permanecem reforçando a valorização do preço do bezerro. Das oito praças pesquisadas no período de 16/04 a 13/05/2015, apenas o RS registrou queda, com preço caindo para R$ 1.106,47/ cab. Já no PA, o preço do bezerro manteve- se estável, a R$ 1.000,00/cab. Em São Paulo, o preço médio do bezerro passou a ser negociado a R$ 1.300,00/ cab; em MG, subiu para R$ 1.073,53/cab; no MS, R$ 1.300,00/cab; no MT, avançou para R$ 1.150,00/cab; no PR, registrou R$ 1.280,00/cab; e em GO, R$ 1.250,00/cab.

Já para o boi magro, a alta foi geral no período de 16/04 a 13/05/2015. A média da categoria foi negociada em SP a R$ 1.965,88/cab; em MG, a R$ 1.707,06/cab; em GO, a R$ 1.948,24/ cab; no MS, a R$ 1.950,59/cab; no MT, a R$ 1.742,94/cab; no PA, a R$ 1.542,94/ cab; no PR, passou a valer R$ 1.927,65/ cab; e no RS, R$ 1.760,00/cab.

Os índices médios de relação de troca (gráfico) entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 1,91. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,24, não sofrendo alterações significativas.

Apesar da insegurança quanto ao futuro da economia do país, a perspectiva é de crescimento para o setor da carne bovina, podendo chegar a um crescimento de até 10,7%, se comparado com 2014, de acordo com levantamento do Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ainda segundo a entidade, o valor bruto da produção pecuária deve atingir cerca de R$ 173,5 bilhões, aumento de 2,4% no faturamento em comparação ao ano passado, cuja movimentação foi de R$ 169,4 bilhões.

Contudo, o cenário econômico ainda permanece difícil e mais do que nunca requer uma atitude cautelosa por parte do produtor. Uma das principais dificuldades é comprar animais de reposição, pois a categoria está valorizada e os preços alcançam patamares elevados. Essa valorização é resultante do maior abate de matrizes que tem acontecido desde 2005. Portanto, é preciso saber a hora certa de comprar e vender. O foco continua sendo na aplicação de novas tecnologias e mudanças na gestão das propriedades, sendo que o planejamento é essencial em tempos incertos.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria


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