Caprinovinocultura

 

Venda facilitada

Projeto no Mato Grosso do Sul ajuda a gerar escala para a comercialização de cordeiros

Denise Saueressig
denise@revistaag.com.br

Criadores e empresários da ovinocultura costumam dizer que uma das principais dificuldades enfrentadas pelo setor é a pouca oferta de animais disponíveis para o abate. Algumas vezes, a escala é tão pequena que inviabiliza o transporte da carga entre a propriedade e o frigorífico.

No Mato Grosso do Sul, uma iniciativa proposta pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul) vem ajudando a facilitar a negociação entre produtores com animais para vender e indústrias interessadas em comprar. Por meio da Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA), os criadores reúnem em um mesmo local os cordeiros disponíveis para a comercialização. Dessa forma, não importa se determinado produtor tem poucos animais para a venda, porque os mesmos serão parte integrante de uma carga maior.

O médico-veterinário da Famasul, Horácio Tinoco, conta que a ideia do projeto surgiu depois de encontros com produtores que mencionavam a dificuldade de comercialização como o maior entrave para o crescimento da atividade. “Conversamos com representantes da Asmaco (Associação Sulmatogrossense de Criadores de Ovinos) e debatemos propostas que poderiam ser positivas para minimizar esse gargalo”, relata.

A ideia da PDOA foi apresentada na Câmara Setorial de Ovinocultura e tomou forma com o apoio da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Ministério da Agricultura e Secretarias da Fazenda e da Produção.

Ovinos que passam pela PDOA são pesados, registrados e avaliados por inspeção veterinária

O primeiro embarque de animais por meio da PDOA aconteceu em maio de 2013 e, até o mês passado, aproximadamente 1,5 mil cordeiros foram comercializados com o apoio do projeto. Os abates vêm sendo realizados, principalmente, em unidades frigoríficas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo.

A estrutura foi montada na propriedade do criador Luiz Roberto Silveira Maia, a 20 quilômetros de Campo Grande. Presidente da Asmaco, o produtor considera a iniciativa fundamental para ajudar a organizar a cadeia produtiva e estimular aqueles que trabalham no setor. “Muita gente desiste da ovinocultura porque não consegue efetivar a venda de animais. Acredito que com a PDOA estamos colaborando para reduzir esses casos de desistência”, salienta.

Horácio Tinoco, veterinário da Famasul: projeto auxilia na padronização dos animais enviados à indústria

Segundo ele, em torno de 10 produtores estão participando com mais frequência do PDOA. O preço médio de comercialização do quilo vivo do cordeiro tem ficado em cerca de R$ 6 no estado.

Padronização
Ao chegarem à área de descanso, os ovinos são registrados, pesados e inspecionados por um médico-veterinário. Se há algum problema sanitário com um animal, o mesmo é separado do restante do rebanho e o criador responsável é comunicado sobre a situação. A Secretaria da Fazenda também faz o controle da nota fiscal e da Guia de Trânsito Animal (GTA).

Pela legislação, os ovinos só podem permanecer no local por até três dias. Nesse período, a indústria interessada em adquirir o lote providencia o transporte até a unidade frigorífica. “A indústria informa o perfil de animal que precisa e deposita o valor da compra diretamente na conta do criador, sem intermediários. Assim, aquele produtor que está vendendo cinco ovinos recebe o mesmo que aquele que está vendendo 20 animais”, informa Tinoco.

Uma das grandes vantagens do sistema, observa o veterinário da Famasul, é que os abates viabilizados por meio da PDOA têm a garantia de que serão realizados em frigoríficos com inspeção municipal, estadual ou federal. “Isso significa a diminuição dos abates clandestinos, que são um sério problema para o setor”, constata. Outra consequência positiva do projeto é a orientação veterinária que os criadores recebem e que auxilia no manejo e na padronização dos animais que serão enviados para as indústrias.

A ovinocultura ainda é considerada uma atividade recente no Mato Grosso do Sul. O rebanho local é de aproximadamente 450 mil cabeças. Mas, as possibilidades do mercado e a grande demanda pela carne de cordeiro fazem com que as perspectivas para o crescimento da atividade sejam positivas. Para tratar das necessidades e dos desafios do setor, cerca de 20 produtores do estado participam de um Grupo de Troca de Experiências (GTE). “A reunião é realizada uma vez por mês, em propriedades diferentes. É o momento em que os criadores aprendem uns com os outros”, conclui Tinoco.


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