Rally da Pecuária

 

É dada a largada

Enduro da pecuária brasileira vai percorrer 60 mil quilômetros

Adilson Rodrigues
adilson@revistaag.com.br

Enquanto redigia essas poucas linhas, pouco mais de um terço do trajeto do Rally da Pecuária já havia sido percorrido. As oito equipes largaram em 26 de abril e um mês e um dia depois, já estavam em Araguaína, no Tocantins, completando, então, seis estados. Mais cinco unidades da federação estão no roteiro, sendo o destino final Rio Branco/AC, no dia 18 de junho.

O Rally da Pecuária é uma iniciativa da Agroconsult, que neste ano contou com parceria da Sociedade Rural Brasileira (SRB), além do patrocínio da iniciativa privada. O interessante desse projeto é a oportunidade de se coletar dados in loco nas principais regiões produtoras do País.

Os 11 estados percorridos representam nada menos que 83% do rebanho de bovinos de corte, de onde advêm 90% da carne produzida no Brasil. Um ponto fraco é que as propriedades visitadas ainda não representam a realidade brasileira, estando um pouco acima do patamar.

As entrevistas mostraram pecuaristas que produziam 7@/ha no início do projeto, há cinco anos, e que em 2014 já haviam aumentado a produtividade para 9,5@/ha, enquanto a média nacional ainda não passa de 4@/ha.

“A dificuldade em responder o questionário é enorme. Cito o exemplo de um pecuarista, situado a 20 km de Campo Grande/ MS e dono de um plantel de 900 vacas. Ele não sabia o que era inseminação artificial. Só acreditei porque estava presente”, explica Maurício Nogueira, coordenador de Pecuária da Agroconsult.

Entretanto, nada que tire o mérito do trabalho, pois serve de termômetro do uso de tecnologia empregada, a qual se torna cada vez mais imperativa também na atividade pecuária. Uma pequena parcela da amostragem aponta uma tendência promissora: 8% já alcançam 18@/ha e outros 4,5% superam 26@/ha.

“Se tivéssemos dados como esses gerados pelo Rally da Pecuária, seria possível prever até o número de bezerros desmamados em 2015”, acredita Nogueira. Ele também espera que 5 milhões de cabeças bovinas sejam confinadas, estimativa que supera em 1 milhão de cabeças a previsão média da Associação Nacional de Confinadores.

O executivo pauta-se no grande interesse da pecuária extensiva pelo confinamento estratégico para promover o necessário acabamento de carcaça, além do fato de uma boa parcela de criadores já enviar bezerros desmamados entre oito e dez meses para o confinamento intensivo.

Pasto
Em relação às pastagens, o Rally da Safra indica que 5 milhões de hectares encontram-se degradados e outros 14 milhões estão em processo de degradação na região do Cerrado, que compreende os biomas Amazônia e Mata Atlântica. “Até 2016 ou início de 2017 projetamos um gasto de R$ 30 milhões na recuperação e reforma de pastagens”, calcula Nogueira. Os levantamentos também sugerem um maior investimento aplicado nas forrageiras: 4,7% dos entrevistados fazem adubação anual, 10% reformam e 13% corrigem e adubam por superfície.

Maurício Nogueira comemora que com esse projeto estão se criando premissas, inclusive, para cálculo do sequestro de carbono pela pastagem. “A cada cinco equivalentes-carbono que o boi emite, o pasto sequestra três, já considerando os números atuais da pecuária e o nível tecnológico empregado até o momento”, conclui. Segundo ele, no começo da década passada, 30% dos animais eram abatidos aos 36 meses e as carcaças pesavam 16,5@. Hoje, esse número caiu para 7% e as carcaças aumentaram para 18@. Agora, é esperar para ver o que o Rally 2015 vai exibir.


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