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Carne segue contrária à crise

A crise econômica pela qual passa o Brasil é uma realidade, mas esta não é primeira e nem será a última enfrentada pelo país. Da mesma forma, o Brasil não é o único país a passar por problemas. Não queremos aqui minimizar os graves acontecimentos, mas negativismo é um atoleiro que só puxa para baixo e não faz sair do lugar. Só para recobrar a memória, em 2003, o cenário econômico também estava delicado, quando o país vivia a insegurança do início de um novo governo. Em 2008, tivemos a crise mundial, causando um grande impacto globalizado. A situação do Brasil com certeza é preocupante, todavia não é motivo para desespero, pois, como antes, o país sairá desta crise também.

Os sérios problemas enfrentados pelo país, como a recessão econômica, o aumento da inflação e a crise hídrica e energética, não significam que o Brasil não vá se reerguer e retornar aos tempos de bonança. Contudo, é preciso ter cautela para lidar com a situação. As dificuldades existem, só que o país tem capacidade para enfrentá-las e superar mais uma crise, voltando a crescer, com investimentos estrangeiros, controle da inflação e do câmbio, ou seja, continuar e ampliar as conquistas, como crédito facilitado, diminuição da taxa de desemprego, dentre outras.

Apesar do enfraquecimento da economia, a pecuária nacional parece não ter sido afetada. O setor tem se mantido forte nos momentos de recessão. O atual cenário pecuário não é preocupante e vem sendo sustentado pelo bom desempenho dos anos anteriores, somados à pouca oferta de animais e ao bom momento das exportações, principalmente devido à valorização do dólar frente ao real.

Entretanto, os maiores desafios para a pecuária continuam sendo a baixa produtividade por área e a concorrência com outras culturas. A produtividade brasileira está aquém do desejado. Atualmente, a média nacional de produção é de 120 kg de peso vivo por animal por hectare, quando o potencial chega a ser de 1.000 kg por hectare de peso vivo em áreas adubadas e não irrigadas. A pecuária também enfrenta outros entraves, como a falta de qualidade e o alto custo da mão de obra. Um dos desafios é a intensificação da recria e da engorda, pois o animal, após a desmama, ainda demora de 2 a 3 anos para ficar pronto para o abate. O objetivo é suplementar o animal, acelerando o processo de engorda e encurtando esse prazo para um ano.

No mercado interno de carne bovina, o aumento da inflação tem puxado o consumo para baixo, limitando o poder de compra. Assim, o consumidor tem optado por cortes mais baratos ou migrado para outras carnes, como frango ou suíno.

Apesar da desaceleração do mercado interno, as expectativas são de que o mercado da carne continue aquecido em 2015, impulsionado pelas exportações. O preço da arroba bovina no estado de São Paulo, uma das referências do mercado brasileiro, voltou a registrar recordes, chegando a ser negociado a R$ 150,00 (à vista). A diferença entre a oferta e a demanda vem sustentando o segmento.

Apesar de algumas incertezas, os produtores permanecem confiantes e esperam que os preços mantenham-se atrativos neste ano. Com relação à intenção de confinar, a perspectiva é positiva. Em pesquisa feita pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), junto aos seus associados, a expectativa é de crescimento de 7,65% em relação ao ano de 2014. No entanto, há uma preocupação por parte dos confinadores, referente à possível queda no consumo interno de carne bovina, para o segundo semestre, devido ao quadro desfavorável da economia. Portanto, todas as expectativas recaem sobre o mercado internacional e, embora as exportações estejam favorecidas, alguns mercados tiveram retração nas importações do produto brasileiro.

Outra dificuldade do setor é adquirir animais de reposição (bezerros e bois magros) com preço favorável, considerando que essas categorias têm atingindo patamares altos, sustentados pela baixa oferta de animais. Apesar de algumas dificuldades, podemos destacar como positivo o preço dos insumos, que têm se mantido favoráveis, fazendo com que muitos confinamentos adiantassem o ciclo de produção.

O quadro “Boi Gordo no Mundo” apresenta o valor médio da categoria no Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Esse valor sofreu uma queda nos três primeiros países em relação ao mês anterior, só se mantendo firme nos Estado Unidos.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) foi registrado um faturamento de US$ 481 milhões nas exportações em março, com embarques de mais de 116 mil toneladas. Mas, se compararmos o primeiro trimestre de 2015 com o do ano passado, houve uma queda de 17,58% nas exportações. Apesar disso, espera-se que haja recuperação nesse segmento, com o aumento das exportações para mercados importantes como China e Arábia Saudita e a abertura do mercado para os Estados Unidos. Recentemente, o Brasil voltou a exportar para Iraque e África do Sul.

Ainda de acordo com a Abiec, já foi aceito pela China o protocolo sanitário brasileiro, o qual falta apenas ser assinado pelas autoridades responsáveis. A visita de representantes da Arábia Saudita no início do mês de abril também foi bem sucedida. Dessa forma, haverá uma nova visita para habilitar plantas para exportação de carne bovina. A abertura das exportações de carne processada (industrializada) para o Japão está na fase final e a tão esperada abertura norte-americana deverá acontecer até o final deste ano. As negociações com os Estados Unidos seguem avançando, após reuniões entre a Secretaria de Agricultura dos EUA e a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Kátia Abreu. O processo encontra-se na última etapa para a venda de carne in natura.

O gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado, compreendido entre os dias 17/03 e 15/04/2015, mostra evolução dos preços da @ pagos a prazo nas diferentes regiões. As principais praças produtoras registraram altas, com o preço médio da arroba do boi gordo ganhando força logo na primeira semana de abril. O estado de São Paulo registrou média de R$ 149,00 (a prazo), enquanto em Minas Gerais, o boi gordo está sendo negociado na média de R$ 142,00 (a prazo). Já no estado do Mato Grosso, o valor médio da arroba está em R$ 136,00 (a prazo). A tendência de alta se dá pela restrição da oferta de animais para o abate.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período entre Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria 17/03 e 15/04/2015, observamos que a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,28%.

Houve uma alta geral no preço do bezerro para as oito principais praças pesquisadas. Em SP, o preço médio é negociado a R$ 1.276,19/cab; em MG, subiu para R$ 1.039,52/cab; no MS, R$ 1.263,81/cab; no MT, avançou para R$ 1.129,05/cab; no PA, R$ 1.000,00/ cab; no PR, passou a valer R$ 1.238,57; no RS, R$ 1.113,81/cab; e em GO, R$ 1.215,24/cab.

Para o boi magro, a alta também foi quase geral para o período de 17/03 a 15/04/2015, com a média da categoria sendo negociada no estado de SP a R$ 1.958,10/cab; em MG, a R$ 1.630,95/ cab; em GO, a R$ 1.874,76/cab; no MS, a R$ 1.900,48/cab; no MT, a R$ 1.730,48/cab; já no PA, o preço do boi magro manteve-se estável e continua sendo cotado a R$ 1.510,00/cab; no PR, passou a valer R$ 1.857,14/cab; e no RS, R$ 1.753,81/cab.

Os índices médios de relação de troca (gráfico) entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 1,91. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,25, não sofrendo alterações significativas.

Apesar de ter havido uma recuperação na pecuária de corte e um aquecimento no valor da comercialização dos animais, principalmente do bezerro, o momento ainda pede preparação e atenção. O produtor precisa estar atento e gerir corretamente a atividade, ficando alerta quanto aos riscos, investimentos e custos. A boa gestão faz a diferença para o negócio.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria

 


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