Caprinovinocultura

 

Bons preços estimulam negócios

Mercado da carne de cordeiro segue aquecido no Brasil, mas produção ainda não acompanha o aumento da demanda

Denise Saueressig denise@revistaag.com.br

Os últimos anos foram marcados pelo aquecimento do mercado e pelo consequente incremento nos preços do cordeiro no Brasil. A demanda dos consumidores pela carne diferenciada e de qualidade motivou investimentos por parte da cadeia produtiva e resultou em melhor remuneração aos criadores.

No Rio Grande do Sul, onde está um dos principais rebanhos do País, os tempos de retração ficaram para trás. Em anos como 2008 e 2009, o quilo vivo do cordeiro variava entre R$ 2,30 e R$ 2,50, o que não estimulava o desenvolvimento da atividade. Hoje a realidade é diferente, e o mercado sustenta preços entre R$ 4 e R$ 6.

O momento positivo para os negócios fica explícito nas exposições e leilões de animais realizados no estado. As feiras do período primavera e verão 2014/2015 somaram bons resultados e deram indicativos de que os produtores estão apostando as fichas na qualificação dos rebanhos.

Em um dos mais tradicionais eventos do estado, a Feira e Festa Estadual da Ovelha (Feovelha), em Pinheiro Machado, as médias gerais tiveram acréscimo de 45%. Nos julgamentos, também ficou claro o alto nível dos animais inscritos. Jurado na exposição, o inspetor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Roberto Moreira Azambuja, avalia que os produtores estão buscando o que o mercado está exigindo, que são animais com bastante cobertura de carne e bons aprumos.

Paulo Schwab, presidente da Arco: projeto de certificação pretende estimular abates formais e padronização da produção

Na Expointer do ano passado, o principal destaque foi o desempenho da raça Texel, que somou negócios de mais de R$ 400 mil, um valor quase 100% mais alto em comparação com o que foi obtido em 2013.

Atenta a todo esse movimento, a cadeia produtiva está mobilizada para manter o crescimento do setor e, o mais importante, trabalhar pelo incremento da oferta de carne. A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul mantém o Programa de Desenvolvimento da Ovinocultura, iniciativa que contempla desde os aspectos sanitários do rebanho, até a comercialização. Com um trabalho em conjunto com a Arco, foi lançado no final do ano passado o selo “Cordeiro Gaúcho”, que pretende certificar a carne com o acompanhamento da produção até o mercado. O objetivo é estimular os abates formais e atestar os cortes que tenham origem em estabelecimentos credenciados. “Estamos contatando as indústrias para saber do interesse em aderir ao projeto. Com o selo, queremos promover mais um diferencial para a nossa carne e incentivar os criadores a manter o padrão da produção”, explica o presidente da Arco, Paulo Schwab.

Concorrência nos campos

O grande desafio que existe nas diferentes regiões do País é a ampliação do rebanho e do volume de carne disponível para as indústrias. Os preços de hoje sem dúvida servem de estímulo, mas a ovinocultura também tem fortes concorrentes nos campos do Brasil. “As lavouras de soja acabaram entrando em muitos espaços que antes eram da pecuária. No entanto, existem terras que não são aptas para a soja e outras em que os produtores podem desenvolver as duas atividades”, considera Schwab.

Em São Paulo, onde está o principal mercado consumidor da carne ovina, a realidade é parecida. “É difícil conseguir campo para produzir cordeiro, porque boa parte da terra está ocupada por plantações de cana, lavouras de grãos e indústrias”, observa o presidente da Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco) e da Associação Brasileira de Criadores de Suffolk, Bruno Garcia Moreira.

Por essa razão, o mercado paulista precisa buscar animais para o abate em estados como Minas Gerais e Paraná. “Quando há oferta dentro do estado, a liquidez é muito boa e as vendas são feitas rapidamente”, acrescenta o dirigente.

Em São Paulo, o principal destaque hoje é a oferta de genética. Os leilões acontecem todos os meses e mostram como o mercado é promissor. “Recentemente tivemos um remate em que a média por animal foi de R$ 5 mil”, conta Moreira.

Como tem uma boa oferta de frigoríficos e entrepostos para o beneficiamento da carne e preços ainda mais aquecidos em comparação com o Rio Grande do Sul, o estado deve concentrar esforços para ampliar a produção. Em março, por exemplo, o quilo vivo do cordeiro chegou a ser cotado em R$ 7,50 na região de Bauru.

Preços monitorados

Uma das iniciativas que tem ajudado a organizar a cadeia em São Paulo é o Indicador de Preço do Cordeiro Paulista, informativo semanal desenvolvido pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Extensão Universitária (Unicetex) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA/USP).

A pesquisa feita com indústrias e produtores em diferentes regiões é transmitida por e-mail a pelo menos 450 endereços eletrônicos. Nesse número não estão computados os outros meios que divulgam o informativo, como entidades do setor, veículos de comunicação e páginas da Internet. “Toda semana recebemos novos pedidos para o recebimento do índice”, revela o coordenador do projeto, professor Celso da Costa Carrer.

A pesquisa a respeito dos preços surgiu pela identificação da necessidade de informações confiáveis sobre o comportamento do mercado. A origem do trabalho foi um projeto de análise de pontos críticos da cadeia da ovinocultura paulista, desenvolvido entre os anos de 2007 e 2010. O índice passou a ser publicado em 2011. “A proposta é que a universidade ajude a reduzir a assimetria de informações e, assim, facilitar a realização de negócios entre a cadeia. Funcionamos como um sinalizador para o mercado tomar as decisões”, salienta Carrer.

Uma equipe de cinco pessoas entre pesquisadores e estudantes atua no projeto que, segundo o professor, já recebeu manifestações de interesse de outras regiões do País para a realização do monitoramento. “Seria interessante expandir nossa atuação, mas precisamos de suporte para manter o trabalho”, declara o professor. Em São Paulo, o indicador tem a colaboração da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), do Sebrae e da Aspaco.


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