Brasil de A a Z

 

MILHO DE PAIOL OU TOURO MELHORADO?

Amigos agropecuaristas, a partir desta edição, assumo um compromisso mensal com vocês. Sendo assim, vou me apresentar: sou William Koury Filho, zootecnista há 20 anos e possuo formação que pode ser conferida no breve currículo que acompanha a foto.

A linha de pesquisa que trabalhei sempre foi muito aplicada, resultando em metodologias utilizadas para seleção morfológica funcional, como o EPMURAS ® e o SAM® – temas que poderão fazer parte dessa coluna futuramente.

Em complemento à formação acadêmica, a escola da vida foi uma grande fonte de aprendizado. Nascido em uma família que seleciona Nelore há 50 anos e vive da pecuária, há 12 anos tenho me dedicado a uma empresa de consultoria.

Além das janelas da fazenda de meu pai, as exposições e as consultorias deram-me oportunidade de trabalhar em 16 estados do Brasil e seis diferentes países. Essas experiências serão o material para criação da coluna Brasil de A a Z, com um link para a diversidade dos cenários que encontramos na pecuária, desde exemplos fantásticos, até casos em que a atividade é conduzida de forma lastimável, sem qualquer indicador de resultados.

Assistimos à grande revolução da agricultura nas últimas décadas. Impressionante a evolução de técnicas de cultura, equipamentos e melhoramento genético dos cultivares de grãos e cereais. Como a agricultura envolve grande investimento de dinheiro para o custeio da safra e grandes riscos em qualquer falha no trato cultural, a atividade exige gestão! Caso contrário, o produtor pode quebrar, e rápido.

Na pecuária, também evoluímos muito, detemos o maior rebanho comercial do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças, e taxa de lotação atual próxima a 1,13 animais por hectare, superior à média mundial. Com isso, somos o segundo maior produtor de carne do planeta, mesmo diminuindo 10 milhões de hectares de pasto, desde 1985.

As perspectivas para o agronegócio são ótimas, a população mundial em 2015 deverá chegar a 9,5 bilhões de habitantes. Nesse cenário, se focarmos na pecuária, o consumo de carne deverá aumentar em 58%, e o Brasil “tá com a faca e o queijo na mão”, isso tudo com responsabilidade socioambiental.

A pecuária do país realmente apresenta números impressionantes, como algo em torno de 7 milhões de empregos diretos gerados, e, mesmo com um mercado interno fortíssimo, em que cada cidadão consome cerca de 40 kg de carne bovina/ano, somos os maiores exportadores mundiais. Em 2014, foram gerados aproximadamente 8 bilhões de dólares em exportações.

Pois é, o país passou a produzir mais, em menos espaço, graças a evolução das pastagens, suplementos, saúde, estratégias reprodutivas, melhoramento genético e por conta da competência de boa parte dos pecuaristas. Porém, a pecuária apresenta ciclo de produção mais longo, é mais difícil controlar os custos/receitas e o próprio pecuarista, em média, ainda tem muito o que melhorar em gestão. Impressionante como nesse cenário, com tantas ferramentas disponíveis, muita gente toca o negócio do mesmo jeitão que antigamente.

No melhoramento genético, área em que mais atuo na pecuária, mesmo com o cenário tão próspero, no qual encontramos programas estruturados e bancos de dados com números inimagináveis para muitos pesquisadores estrangeiros, em que temos touros jovens com provas fenotípicas, genéticas e genômicas, muita gente utiliza machos sem nenhuma garantia como reprodutores, os chamados “bois de boiada”. Caracterizada como uma ponta da boiada destinada ao abate, apartada para reprodução.

Para se ter uma ideia em números, no rebanho atual temos cerca de 59 milhões de matrizes de corte, sendo inseminadas cerca de 7%, com isso, estima-se uma demanda anual de aproximadamente 350 mil touros (1 touro para 30 vacas), se os programas de melhoramento genético produzem menos de 100 mil touros melhoradores/ano, muita semente utilizada não possui garantia alguma. O que muitos esquecem é que genética é cumulativa, e que o touro não pode ser considerado como custo, e, sim, investimento, já que deixa aumento de produtividade nos machos para abate e nas fêmeas de reposição, mas isso é assunto para uma próxima edição da coluna.

Para fechar a prosa de hoje, cabe uma analogia pertinente, ao comparar a capacidade da agricultura de precisão, que só usa semente certificada, com garantias de qualidade, com o que ainda se pode evoluir na pecuária brasileira, em que boa parte dos rebanhos nacionais ainda usam “semente de milho do paiol”.


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