Sucessão

 

Não é o fim!

Erick Henrique - erick@revistaag.com.br

Sucessão é sempre assunto complicado, independentemente do segmento de atuação da empresa, principalmente pelo fato de estar diretamente associada à morte do fundador. Entretanto, trata-se do contrário. Sucessão é dar vida longa ao negócio, a perpetuação da filosofia do fundador. Após engolir o medo e a desconfiança, a meta é ter claro o objeto a ser perpetuado. Isso implicará diretamente o gerenciamento do empreendimento. Hoje, apenas 11% das empresas brasileiras têm um processo de sucessão que pode ser considerado robusto, contra 16% da média global, segundo estatística da PricewaterhouseCoopers.

A boa notícia é que o próprio levantamento da certificadora indica que desde 2012 as companhias nacionais melhoraram a gestão empresarial, principalmente no quesito governança corporativa. Os gestores estão percebendo a importância das boas práticas de governança para preservar e ampliar o valor da organização, assim como assegurar a sua longevidade e facilitar o acesso ao capital. É o caso do pecuarista José Adriano Martins, proprietário da Fazenda Buritis & Marca, de Jacilândia/GO, que está progressivamente transferindo o negócio a seu filho, o gerente Financeiro Adriano Luís Moreira Martins, e ao genro, o médico-veterinário Rodrigo Albuquerque.

Governança corporativa é o conjunto de práticas que tem por finalidade melhorar o processo de tomada de decisões na companhia, visando proteger todas as partes envolvidas e dar identidade ao negócio.

“Ainda estamos nos capacitando em algumas questões, principalmente na parte de gestão”, declara Adriano Martins. Para Rodrigo Albquerque, que possui uma boa experiência na fazenda Buritis, o primeiro ponto é fazer com que o sucedido entenda o processo, pois o grande paradigma na pecuária é a primeira geração desconhecer a metodologia de sucessão. “O nome sucessão em si tem um caráter pejorativo, porque a associam a uma passagem para a vida eterna, quando, na verdade, é exatamente o contrário. Ela está relacionada à vida dele e à perenidade da empresa”, esclarece Albuquerque.

De acordo com o veterinário, uma transmissão operacional feita abruptamente tem grande chance de fracassar. E não suceder significa matar o negócio. Dessa forma, entende que deve ser feito em vida e de forma muito bem planejada. “Qualquer empreendedor que tenha fundado empresa e tem uma segunda geração, como é o caso dos pecuaristas, teria um prazer imenso ao ver, ainda em vida, o negócio que ajudou a criar prosperarando”, comenta Rodrigo Albuquerque, que esteve junto com José Adriano e Adriano Martins, no estado do Rio de Janeiro, em evento sobre Governança e Sucessão promovido pelo Circuito Rede Agro, parceria entre importantes empresas do setor.

Governança e Sucessão foram o foco de evento promovido pela Rede Agro

Um obstáculo ao processo pode residir no papel centralizador do fundador. À certa altura, ele está a todo o vapor para fazer a empresa decolar e chega o momento de atribuir funções aos futuros sucessores, o que pode representar um grande desafio. “Muitas vezes isso ocorre pelo fato de o fundador se sentir confortável em estar no centro das atenções. Tudo gira em torno dele”, aponta Tereza Roscoe, professora da Fundação Dom Cabral e coordenadora PDA (Parceria Para do Desenvolvimento do Acionista e da Família Empresária), convidada a discorrer sobre sua experiência.

Como ela mesmo define, Roscoe veio de empresa familiar dos bons e velhos tempos, quando os filhos acompanhavam o pai no trabalho. “Como filha mais velha, meu pai nunca fez distinção de sexo. E a minha forma de manter conexão com ele, foi acompanhá-lo nos negócios desde muito nova. Hoje é comum ver os empresários voltados apenas em fazer o negócio crescer e se distanciar dos filhos, o que reverbera mais tarde”, lembra a professora.

Adriano Luís Moreira Martins e Rodrigo Albuquerque assumem a Fazenda Buritis

Roscoe acredita que a empresa familiar tem sustentação nos pilares Família + Negócios + Patrimônio. Assim, esses itens habitam um emaranhado de questões afetivas que sendo direcionadas de forma equilibrada gera benefícios. E ao se entrar no mundo dos negócios, é imprescindível ter uma performance esclarecida para lidar com situações adversas, com respostas ágeis ao mercado.

Projeto bem sucedido
Um exemplo de continuidade na pecuária nacional é o caso da Agropecuária Nova Vida, do falecido criador João Arantes Júnior, que trouxe o Senepol ao Brasil e repassou o patrimônio para seus três filhos, quando ainda vivo. Hoje, quem toca o barco são os irmãos Ricardo Arantes e João Arantes Neto, que atuam como diretores-executivos da Agropecuária Nova Vida.

Arantes Neto explica como foi essa passagem: “a sucessão vem desde meus avós que eram fazendeiros. Então, meu irmão, minha irmã e eu sempre vivenciamos o dia a dia na fazenda. Apesar de termos perdido nosso pai cedo, desde meus 13 anos ele ensinou de que maneira formar uma fazenda, como avaliar e selecionar o gado. E isso é uma coisa que está no sangue. Em síntese, tomamos gosto pelo trabalho, além de ser um patrimônio da família que foi passado de avô para pai, de pai para filho e será repassado de filho para neto”, afirma Neto.


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